16 abril 2012

Luis Henriques (1920-2012), "meu pai, meu velho, meu camarada" (Parte I)


Luís Henriques, mais conhecido por Luís Sapateiro, nasceu na Lourinhã, distrito de Lisboa, em 19 de agosto de 1920, na atual rua da Misericórdia, num prédio hoje em ruínas. Homem de fé, morreu numa manhã soalheira de domingo de Páscoa, no passado dia 8 de abril, na Atalaia, no Lar e Centro de Dia de N. Sra da Guia, onde vivia com a esposa, Maria da Graça, desde meados de 2008. 


Morreu em paz, consigo, com os seus descendentes (4 filhos, 12 netos, 5 bisnetos), com Deus e com o mundo.

Tinha raízes, pelo lado do pai, Domingos Henriques, no Montoito, e pelo lado da avó materna, Maria Augusta de Sousa, em Ribamar. O meu avô paterno, que ainda conheci na infância, terá morrido com 91 anos. Usava muletas e fumava a sua beata: é a imagem que eu tenho dele. Dizia o meu pai que ele tinha ficado mal das pernas por causa do mar: como muitos agricultores das zonas ribeirinhas (Montoito, Atalaia, Areia Branca...), era nos tempos livres um mariscador, dedicando-se à apanha tradicional de polvos e crustáceos. Foi homem de teres e haveres, tendo casado três vezes. Do primeiro casamento, não teve filhos; do segundo, teve o meu pai e o meu tio (e padrinho de batismo), Domingos Severino, já falecido. Do terceiro casamento, teve "uma equipa de futebol e um suplente", como dizia, com graça, o meu pai.


Sua mãe, Alvarina de Jesus [, foto à esquerda], filha de Francisco Sousa, da Lourinhã, e de Maria Augusta, de Ribamar, morreu jovem, em 1922, de tuberculose, fato que o marcou para toda a vida: a mãe nunca lhe pôde dar um beijo!... E nos seus três últimos dias de existência, em que eu tive o privilégio de o acompanhar no seu leito de morte, evocou o nome da mãe Alvarina por mais de um vez. 

A minha avó paterna, Maria Augusta, nasceu em 1864, em Ribamar. Era uma Maçarica, que veio casar na Lourinhã, com um peixeiro.

Luis Henriques, órfão aos dois anos, viveu nos primeiros anos de infância com a nova família do pai, que casou pela terceira vez. Ao todo teve uma dúzia de irmãos. Fez a instrução primária (na época quatro anos de escolaridade) na velha Escola Conde de Ferreira (demolida pelo camartelo camarário antes do 25 de abril), sob a direção do saudoso Prof José António, que ainda conheci na minha infância, pai do nosso conterrâneo Jorge Pedro.

O meu primeiro emprego foi como… “máquina registadora e de calcular”, nas duas lojas do fotógrafo e comerciante Manuel Lourenço da Luz, que veio da Praia da Vieira para a Lourinhã, na primeira ou segunda década do séc. XX, e que foi pai do fotógrafo António José da Luz (Foto Luz). 

 A loja, na Rua Miguel Bombarda, vendia uma miscelânea de artigos fotográficos, vidraria, molduras, papelaria e bijuteria  [Vd. foto à direita, cortesia da bisneta do Manuel Lourenço da  Luz, a Ana Luz Pignatelli].

O Luís era muito rápido e fiável a fazer contas. Terá trabalhado para o seu primeiro patrão, na Lourinhã e na Praia da Areia Branca, a troco apenas da alimentação e de algumas gorjetas, durante cerca de 4 anos. 

O meu pai tinha recordações muito nítidas da época balnear, na loja da praia. Além da fotografia, o negócio do Manuel da Luz incluía o comércio de equipamento para caça e pesca. À segunda feira, ia com o patrão para a caça de patos, perdizes e coelhos ao longo do rio Grande…

Aos 13 anos, o meu pai terá uma nova família de acolhimento, a do seu tio materno, Francisco de Sousa (Fofa), músico e industrial de sapataria. Aprende o ofício de sapateiro. É criado com os seus primos António Francisco Sousa, Carlos Sousa e Milu (esta felizmente ainda viva; e todos eles com excelentes dotes musicais: o António tocava saxofone e fundou a primeira "banda de jazz" da terra, o conjunto Sol Do Ré Mi; o Carlos era um especialista em prata na banda da Lourinhã; e a Milú uma bela menina de coro; e o António Sousa era pai da Teresinha, a minha querida prima Teresinha, hospedeira de bordo em Angola, morta num um acidente aéreo, cujo ano não consigo precisar).

(Continua)

13 abril 2012

Na morte de Luís Henriques (1920-2012): uma palavra de agradecimento e apreço ao Lar de Nossa Senhora da Guia, Atalaia, Lourinhã


De.- Luis Graça e família

Para: Direção do
Centro de Dia e Lar Nossa Senhora da Guia
Estrada Nossa Sra. Guia 2
Atalaia
2530-014 ATALAIA LNH
Email –aschatalaia.asocial.anacaetano@gmail.com 
Telefone: 261 423 971

Assunto – Luis Henriques: agradecimento da família



À direção e a todo o pessoal desta prestigiada associação privada de solidariedade social, eu quero transmitir, em meu nome, em nome da minha mulher Maria Alice, e dos meus filhos Joana e Joana, duas palavras, uma de agradecimento e de outra de apreço, na sequência da morte do meu pai, Luís Henriques (1920-2012). Estou autorizado a falar também em nome do resto da família, e em especial das minhas irmãs Graciete, Maria do Rosário e Ana Isabel.

O meu pai foi vosso utente desde meados desde 2008. Infelizmente, a morte levou-o no passado dia 8, num soalheiro domingo de Páscoa. Mas nestes quase cinco anos que aí viveu, na companhia da minha mãe, ele sentiu-se sempre em casa, e referia-se a esse Lar como a sua nova família.

Pelo menos, desde setembro de 2008 até abril de 2011, o meu pai foi escrevendo, por sugestão minha, um diário onde registava, com regularidade, os “pequenos nadas” da sua existência nesta fase terminal da sua vida. Tenho os três cadernos que constituem o seu diário, com mais de 500 páginas manuscritas. Precisarei de tempo e vagar para os ler e analisar.

Há frequentes referências aos serviços e ao pessoal dessa instituição. Segue em anexo uma coleção de excertos do 1º caderno (de 9/10/2008 a 7/6/2009), selecionados a título meramente exemplificativo. Julgo ser também do vosso interesse conhecer melhor a autoperceção que têm os vossos utentes, relativamente às suas necessidades, expetativas e preferências, e avaliar a sua satisfação (bem como a satisfação dos seus familiares) em relação aos serviços prestados.

No seu diário, o meu pai refere-se sempre com grande delicadeza e ternura ao pessoal do Lar: as cachopas, as meninas, a senhora doutora, as senhoras cá da casa, as cachopas novas (estagiárias), o médico, a menina da enfermaria… E faz questão de mencionar os seus nomes: hoje deu-me banho a menina tal…

Por outro lado, mostrava sempre particular cuidado com a segurança e o bem-estar da nossa querida mãe, Maria da Graça, sua esposa e companheira de quarto… E sabia que podia contar com o precioso e pronto auxílio das vigilantes dos quartos, em caso de ocorrência de qualquer acidente ou incidente durante a noite…

Ele gostava também de participar em iniciativas do Lar, tais como festas, convívios, jogos, saídas e outras atividades de animação e lazer… Sentia-se bem quando o apreciavam e achavam graça aos seus ditos espirituosos, aos seus versos improvisados, às suas anedotas e historietas… Colaborava com agrado, sempre que solicitado: No lar querem versos do Natal (19/10/2008).

Amiudadas vezes referia-se à comida do lar, apreciando a sua qualidade e variedade… Sentia-se em casa, embora gostasse muito de receber visitas e de sair… Faz hoje 7 meses que aqui estamos, no Lar, até aqui tudo bem (23/1/2009).

Tinha um forte sentido de compaixão e de solidariedade: conformava-se com as suas dores crónicas, sabendo que havia outros utentes em pior situação que a dele… Embora limitado na sua autonomia, gostava de ajudar e sobretudo animar os outros.

A cultura do lar era também congruente com a sua idiossincrasia: Fico triste pelos que se encontram piores do que eu. (…) Sou feliz, embora pobre, mas alegre, e gosto de conviver com todos (30/10/2008).

Julgo que a sua atitude e os seus comportamentos em relação ao Lar, ao pessoal e aos utentes não mudaram muito nos anos seguintes, não obstante o agravamento do seu estado de saúde, em especial a partir de meados de 2011. Era, pelo que sabíamos e víamos, uma pessoa popular e querida de todos. Não creio que tenha criado inimizades.

Acima de tudo, ele encontrou neste Lar pessoas de grande qualidade humana e de elevado profissionalismo. Exprimiu-o, no seu diário, de forma singela, mas assertiva.

Compete-me a mim, interpretando também o sentimento de toda a nossa família, reforçar essa palavra de apreço por essa instituição que é a diversos títulos singular e exemplar: (i) a sua proximidade e abertura a (e constante interação com) a comunidade local, incluindo os familiares dos utentes; (ii) a eficiência e a eficácia com que os seus profissionais realizam as suas tarefas diárias; (iii) o seu elevado sentido de missão, o seu empenho e a sua competência; (iv) a humanização presente na organização e funcionamento do lar; (v) o ‘human touch’, o toque humano, que se sobrepõe (e deve sempre sobrepor-se) aos programas, aos planos, aos orçamentos, às políticas, às tecnologias; (vi) a discrição e a humildade com que ali se trabalha, fora das ‘luzes da ribalta’; (vii) a disponibilidade e a sensibilidade com que se lida com (e se tratam) seres humanos tão vulneráveis como são os nossos idosos institucionalizados; (viii) o forte espírito de corpo de cada uma das equipas que asseguram o funcionamento do Lar; (ix) o constante cuidado com o bem-estar, físico, mental, psicológico e até espiritual, dos utentes; e, por fim, e não menos importante, (x) o saber estar, o saber ser, o saber fazer dos vossos profissionais em relação à morte e ao morrer…

Queria sublinhar a maneira sempre hospitaleira, franca e carinhosa, como, no meu caso pessoal, da minha mulher e dos meus filhos, somos recebidos e tratados nesse lar, enquanto visitas. As minhas irmãs também partilham esta opinião. A verdade é que, ao fim destes anos todos, também já nos sentimos em casa, sempre que aí vamos, em geral aos sábados.

Muito em particular, foi para mim e para a minha mulher, Maria Alice, muito importante termos podido passar, com o meu pai, a noite de 4 para 5 de abril de 2012, depois de uma viagem de quase 4 horas, vindos do norte onde nos preparávamos para celebrar a Páscoa.

Nos três últimos dias da sua existência, podemos sempre visitar o meu pai e estar com ele no seu quarto, dentro do respeito das vossas regras de funcionamento. Gostaríamos, no entanto, de deixar aqui um sugestão quanto à possibilidade de os familiares mais próximos (em nº necessariamente restrito) poderem estar ao lado dos seus entes queridos, nos últimos momentos da sua vida.

Acreditamos que a organização do Lar pode não estar, de imediato, preparada para responder a este pedido ou sugestão. Mas seria, se não um exemplo pioneiro (há já hospitais e outras instituições onde tal acontece), pelo menos um passo muito significativo na humanização da morte e do morrer em Portugal.

Sabemos que o nosso pai não morreu sozinho, teve a seu lado duas das vossas melhores profissionais que, por razões óbvias, não vamos identificar, por que correríamos o risco de subvalorizar o trabalho de outras colegas, em iguais circunstâncias.

Estávamos a acabar de chegar ao Lar quando o meu pai exalou o último suspiro. Conforta-nos saber que ele se despediu desta vida, em paz consigo, connosco, com Deus e com o mundo. E que morreu com a dignidade humana possível.

Peço à direção do Lar que dê conhecimento, a todos os profissionais dessa casa, do conteúdo desta mensagem, e que lhes transmita toda a nossa gratidão, reconhecimento e apreço pelo carinho, amizade e compaixão com que trataram o meu pai e continuam a tratar a minha mãe.

O melhor do Lar e Centro de Dia de N. Sra. da Guia são as pessoas que lá trabalham, no ‘front office’ e no ‘back office’. O nosso sentimento de apreço e de agradecimento é extensivo, naturalmente, às pessoas que compõem os órgãos de gestão e de direção técnica.

A todos/as, o meu, o nosso Bem Hajam !

Luís Graça, em nome de toda a família de Luís Henriques e Maria da Graça.

Alfragide, Amadora, 12 de abril de 2012.

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Anexo - Diário de Luís Henriques (2008-2011): Seleção de excertos do 1º caderno (de 9/10/2008 a 7/6/2009)

10/10/2008

(…) As cachopas já reinam com o ti Luís, chamo a isto uma verdadeira família (…).

14/10/2008

(…) Veio cá a televisão filmar-nos. Eu fui entrevistado, […]indicado para falar na apresentação de casais dos mais recentes desta casa (…).

19/10/2008

(…) No lar querem versos do Natal (…)

30/10/2008

(…) desta nova família que nos arranjaram, fico triste pelos que se encontram piores do que eu. Não tenho culpa de ter nascido assim. Por tudo isto, sou feliz, embora pobre, mas alegre, e gosto de conviver com todos. É esta a minha política: esquecer as minhas dores lembrando dos que se encontram bem piores do que eu (…).

7/11/2008

(…) A comida continua a ser boa. Tivemos ontem ao almoço cozido à Portuguesa (…).

8/12/2008

Nª Sraª da Conceição: festa cá na casa, missa na capela, seguida de almoço que demora a tarde inteira com atuação de animação variada e música, etc.(…)

16/12/2008

(…) 4ª feira, [17], é o almoço nos Teimosos, vamos ver como corre a partida (….).

17/12/2008

(…) Foi um dia bem passado, ela [, Maria da Graça,] até dançou, a meu pedido, com as senhoras cá da casa, até a própria doutora (…). Muita gente, velhotes também de outros lares, foi bonito, e não esperavam tanta gente (…).

23/1/2009

(…) Faz hoje 7 meses que aqui estamos, no Lar, até aqui tudo bem (…)

4/2/2009

(…) Estou contente de cá estar nesta nova família, estou a escrever e a ver televisão (…)

5/2/2009

(…) Hoje entrou mais gente para o Lar. E também mais estagiárias, gente que entrou para trabalhar, cachopas novas (…)

11/2/2009

(… ) Fui ao médico, Rui Martins, médico da casa: estava eu a jogar ao dominó, senti dores de cabeça e queixei-me à senhora da enfermaria. Chamou logo o doutor que depois observou-me e disse à menina para eu ir tirar análises (…).

13/2/2009

(…) Notei que o café fez-me bem disposto, até 4 novos elementos que aqui estão a estagiar riram com as minhas anedotas. Eles tiraram fotografias connosco. (…)

17/2/2009

(…) Fui convidado para irmos à Lourinhã, 4ª feira, desfilar, o pessoal cá do Lar, Moleiros e Padeiras (…).

1/3/2009

(…) Hoje foi um dia calmo neste Março Marçagão, de manhã inverno, à tarde verão (…)

5/3/2009

(…) O almoço foi coelho com arroz, bem bom. À tarde, peixe (goraz ou pargo ?), cozido com batatas, salada de alface, e uma pinga de tinto em cima (…)

20/3/2009

(…) Fomos avisados para estar na sala de televisão, ás 2h30. Foram passados retalhos do Natal, do Carnaval, etc. (…)

23/3/2009

(…) faz hoje 9 meses que aqui chegámos a este Lar. Depois do almoço tivemos uma sessão [sobre] vários jogos intergrupos. Foi engraçado, ver responder com gestos sem falar e tentar compreender, etc. (…)

25/3/2009

(…Faleceu a [cunhada] Elvira Barbosa (…). Levaram-nos ao Nadrupe (…). Fomos só velar o corpo e falar com alguns familiares. Chegou a hora dela, e a nossa também chegará (…).

29/3/2009

A menina F… deu-me banho (…)

/4/2009

(…) Boa comida, já escrevi aqui atrás. Tanto ao almoço como ao jantar (…)

6/4/2009

(…I) Esta noite passada a Maria da Graça caiu da cama abaixo. Eu consegui levantá-la. Eu pedi socorro, elas apareceram, mas já não foi preciso (…).

16/4/2009

5ª feira, dia de banhos, De manhã não saí à rua. De tarde veio cá o comandante da GNR da Lourinhã, a avisar os utentes cá do Lar, por causa do conto do vigário (…)

7/5/2009

(…) Hoje há uma pequena festa, o almoço e a merenda são passados lá no Pavilhão Multiusos com dança, e o Inácio está convidado para cantar e fazer variedades. Logo se vê como decorre a coisa. (…) Às 11.30 fomos para o Pavilhão, almoçámos lá todos, os do lar, os utentes, todo o pessoal que trabalha lá, e as próprias doutoras (…) Foi bom, dançaram, e 2 concertinas a tocar, e o Inácio também a cantarolar, etc. (...)

18/5/2009

(…) A Maria da Graça tem estado aparvalhada. Eu não alertei ninguém de cá, do que se passa (…).

19/5/2009

(…) Hoje foram apanhar a Espiga, tudo bem, mas eu não quis ir, fui até ao café buscar tinto para o almoço (…)

29/5/2009

(…) Esta noite a Maria da Graça passou a noite a vomitar, tive que chamar as meninas de serviço (…)

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Sitografia:

Blogue A Nossa Quinta de Candoz > 1 de julho de 2008 > Mensagem dos pais do Luís e sogros da Alice, agora no Lar e Centro de Dia de N. Sra. Da Guia, Atalaia Lourinha.

http://anossaquintadecandoz.blogspot.pt/2008/07/mensagem-dos-pais-do-lus-e-sogros-da.html

Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné > 11 de abril de 2012 > Guiné 63/74 - P9731: Blogoterapia (208): Ajudando-me a fazer o luto pela perda de uma pessoa tão especial como o meu pai (Luís Graça)

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/04/guine-6374-p9731-blogoterapia-208.html

  

08 abril 2012

In Memoriam: Luís Henriques (1920-2012)




Desta vez é triste a notícia que aqui publicamos.

É com imenso pesar que anunciamos o falecimento hoje, 8 de Abril de 2012 ás 9 horas e 45 minutos do Sr. Luís Henriques, pai do autor e editor deste blogue, o nosso Luís.

Com profunda saudade vem-nos à memória aquele senhor bondoso, amável, espirituoso, alegre, com uma história sempre na ponta da língua, com uma sensibilidade e educação extraordinárias que conhecemos e que algumas vezes ao longo dos últimos 30 anos nos visitava em Candoz dando-nos o prazer da sua afabilidade.

A toda a família do Sr. Luís Henriques, nomeadamente às filhas, genros e netos e muito especialmente ao nosso querido cunhado, tio e amigo Luís bem como a sua esposa Maria Alice e filhos Joana e João, aqui deixamos o nosso sincero e sentido pesar pela perda do Pai, Sogro e Avô. Estamos convosco neste momento doloroso.

A emoção não deixa que o pensamento flua e o texto não consegue exprimir os sentimentos que gostaríamos de transmitir e que o Sr. Luís Henriques e o nosso Luís bem merecem.

A sua imagem ficará sempre gravada na nossa memória.

Ainda que "ausente", continuará sempre connosco.

Descanse em Paz, Sr. Luís Henriques!

Em nome de toda a família de Candoz (cunhadas e cunhados, sobrinhas e sobrinhos) pertencente ou não a esta Sociedade,

Gusto.

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A Morte não é Nada

A morte não é nada. Eu somente passei para
o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
Eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe,
Apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
A vida continua, linda e bela como sempre foi.

"Santo Agostinho"

19 março 2012

No dia do pai... lembrando a partida da nossa mãe, avó e bisavó, Maria Ferreira



Há 17 anos, 19 de março de 1995,  partiu a nossa avó de Candoz... Mãe, avó, bisavó...Maria Ferreira, nascida em Fandinhães, em 1922.


É com muita saudade que nos lembramos dela...


Rosas brancas entraram pela janela... naquela quinta algures entre o Douro... naquele dia....


Um xi-coração
de saudade, Joana, Alice

21 janeiro 2012

Adivinhem quem faz anos hoje ? O nosso João...da Graça Henriques Carneiro





Nasceu há 28 anos. 
No Hospital Particular de Lisboa
(De quem se dizia que o melhor 
Era ficar junto à Maternidade Alfredo da Costa).
 Às 23h33.
Um rapagão.
4 quilos, 51 cm.
Foi o segundo filho da Alice & e do Luís.
A mamã estava rodeada 
De vários médicos e bons amigos,
Mas já tinha 38 aninhos.
Foi o seu segundo parto, 
Muito mais fácil que o primeiro, o da Joana.
Os papás, babados, 
Ficaram superfelizes com o casalinho,
Uma Joana e um João.
E lá foram, as criancinhas, à sua vida.
O João, com um aninho,
Entrou para o Infantário,
do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
(Mais conhecido como INSA),
Ali ao lado do trabalho do pai.
Lá teve as melhoras educadoras de infância
De Lisboa e Vale do Tejo,
Que todos recordamos com gratidão.


Do baú das recordações desse tempo,
Fomos buscar três bonecos
Do artista quando jovem.
Não deveria ter mais do que 3 ou 4 anos.
Os bonecos não estão assinados nem datados.
Mas podem ser objeto de análise de conteúdo.
Mais diria  que são 
Um verdadeiro Teste de Aperceção Temática.
O que revelam ou revelavam, então, os bonecos,
Do ponto de vista do padrão motivacional
Do futuro músico e médico ?
Tirando o terceiro (e último), 
Que é uma homenagem ao pai, 
Barbudo, pedagogo,
Que o levava à escolinha 
E o trazia todos os dias,
O João tinha já uma irresistível tendência
Para a música clownesca, klzemer,
E para os chapéus, pretos...
Não se percebe muito bem
Qual o instrumento que o artista virá a tocar...
Mas o violino aparecerá depois,
Fruto de uma viagem dos papás à Irlanda.
O que importa sublinhar,
Para a história,
É que este é premonitoriamente
O princípio fundador... dos Melech Mechaya!


Meus senhores e minhas senhoras,
Amigos e amigas do João,
Resta-nos saudar o jovem
Que, não tendo seguido as belas artes,
Continua a ser artista,
De corpo e alma,
Cuidando dos corpos e das almas dos outros,
E transmitindo-nos a ideia-força
De que a vida é bela
E que vale a pena ser vivida!


L.G., pai da criança, pedagogo. (*)

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(*) Etimologicamente falando, "o escravo que leva, pela mão, a criancinha à escolinha"... A palavra pedagogia vem do grego antigo: paidós (criança) + agogé (condução)...

26 setembro 2011

In memoriam: Nosso pai, avô e bisavô José Carneiro (26-9-1911 / 1-7-1996) (Parte IV)


Marco de Canaveses, Paredes de Viadores, Capela de Nossa Senhora do Socorro > 25 de Setembro de 2011 > Missa dos 100 anos do pai, avô e bisavô José Carneiro (1911-1996) > A oração dos bisnetos dita pelo Francisco,filho mais novo da Cristina

In memoriam: Nosso pai, avô e bisavô José Carneiro (26-9-1911 / 1-7-1996) (Parte III)


Marco de Canaveses, Paredes de Viadores, Capela de Nossa Senhora do Socorro > 25 de Setembro de 2011 > Missa dos 100 anos do pai, avô e bisavô José Carneiro (1911-1996) > A oração dos netos dita pela Zeza

In memoriam: Nosso pai, avô e bisavô José Carneiro (26-9-1911 / 1-7-1996) (Parte II)

 

Marco de Canaveses, Paredes de Viadores, Capela de Nossa Senhora do Socorro > 25 de Setembro de 2011 > Missa dos 100 anos do pai, avô e bisavô José Carneiro (1911-1996) > A oração dos filhos dita pela Nitas

In memoriam: Nosso pai, avô e bisavô José Carneiro (26-9-1911/1-7-1996)





Fomos a Candoz cantar-te os parabéns...100 anos é uma vida!... Foi uma festa bonita... Ficam aqui as primeiras fotos... E as orações que dissemos na missa, celebrada pelo Padre Joaquim, amigo da família, na capelinha de Nossa Senhora do Socorro...


1. Oração dos filhos

Nosso querido Pai,
farias em 26 de Setembro de 2011 
a bonita idade de 100 anos…
Já não estás, fisicamente, entre nós…
Mas tudo em Candoz fala de ti
e evoca a tua passagem por esta vida terrena…
A casa, as pedras, os muros, as bordas, as minas,
as vinhas, os carvalhos, os castanheiros…
A água, fonte de vida,
continua a contar-nos a tua  história
e a fazer o elo de ligação entre os nossos dois mundos.

Temos tantas saudades de ti, querido pai!...
Mas hoje estamos em festa,
E festa é alegria e comunhão...
Estamos felizes por ti,
que foste o melhor pai do mundo,
pela mãe,
e por todos nós,
teus filhos, filhas, genros e noras.
Continua a velar por nós e a proteger-nos,
como sempre o fizeste.



2. Oração dos netos

Nosso querido avô,
Tivemos todos, os teus netos e netas,
o privilégio de conhecer-te em vida,
e de privar contigo
nos bons e nos maus momentos…
Pegaste-nos ao colo,
ajudaste-nos a dizer as primeiras gracinhas,
e até gostavas de cantarolar o fadinho,
ao nosso ouvido:

“É tão bom ser pequenino,
ter pai, ter mãe, ter avós,
ter esperança no destino,
e ter quem goste de nós”…



Cem anos depois, querido avô,
os teus netos e netas continuam a gostar de ti,
e a acreditar que tu, lá no alto,
deves ter uma pontinha de orgulho neles…

Continua a velar por nós e a proteger-nos,
como sempre o fizeste
aos teus filhos e filhas, nossos pais e mães.



3. Oração dos bisnetos

Nosso querido, velhinho,  bisavô José Carneiro:
Nem todos nós já te conheceram em vida,
mas os nossos pais e avós
continuam a falar de ti
com tanta ternura e tanto orgulho!
Viemos a Candoz,
com todo o gosto,
celebrar o teu centenário.
E prometemos seguir o teu exemplo
de homem honrado,
de trabalhador incansável,
de pai protetor,
de avô  babado,
de bisavô querido…

Continua a velar por nós e a proteger-nos,
como sempre o fizeste
aos teus filhos e filhas,
e aos teus netos e netas.
Obrigado, avô velhinho,
pelo teu sopro de vida,
e pelos 12,5% de ADN que recebemos de ti!

20 agosto 2011

Nas bodas de prata da Ana e do João

Paredes de Viadores ; 10 de Julho de 2011
O João e a Ana, na festa da família Ferreira.


Foto: Luis Graça (2011).


Viva a nossa Ana Maria
Que é uma jóia de sobrinha,
Não querendo ficar p’ra tia,
Logo se casou novinha.

Fino que nem um rato,
Logo o João disse que sim:
- Bom rapaz,  sempre cordato,
Serei teu até ao fim!

- E prometo ser-te fiel,
Mesmo que ganhe o Euromilhões,
Sou homem com fé e fel,
Sem medo dos trambolhões.

- Serás sempre, Ana querida,
O pavio a que a mim me basta,
P’ra recuperar a luz da vida
Se a vida nos for madrasta.

 - Ai, Deus, a minha pombinha
Que me rouba o falcão!,
A minha doce menina
Que vai casar com o João!

- A chorares, é de alegria,
Ó compadre, digo-te eu,
Ficas bem, tu e a Maria,
Com a sorte que Deus te deu.

Chamo filha, nova,  à nora,
Que é de mel seu coração;
Tu mais rico ficas agora,
Na troca com o meu João.

E mais loas não faltaram,
Na festa do casamento,
Manas e tias choraram,
Todas de contentamento.

Duas famílias se uniram,
Os Monteiro e os Carneiro,
E todos se divertiram,
Com o santo casamenteiro.

São Gonçalo de Amarante,
Santo protector dos amores,
Tens novo casal amante,
Em Paredes de Viadores.

Foi no século passado,
No ano de oitenta e seis,
Tudo bem comido e regado,
Pago p'lo Manel em mil réis.

Veio o euro, foi-se a prata,
Veio a Tânia e a Maria,
João,  põe lá a gravata,
Qu' hoje, depois da missa, há folia!


Parabéns aos noivos,
Candoz, 20 de Agosto de 2011.
Os tios, Alice e Luis, Nitas e Gusto, Rosa e Quim, Zé e Teresa

07 agosto 2011

Deus nos abone com muito...mas tanto não!




O nosso Quim tem muito orgulho na sua horta... Este ano teve pepinos em barda. E alguns são avantajados. Este, que a fotografia mostra, chegou aos 59 centímetros... É caso para dizer: Que Deus nos abone muito..., mas tanto não! (Texto e fotos: Gusto, 2011)

26 julho 2011

Teleparabéns... ao Quim e à Zeza!





Candoz > Abril de 2008 > O nosso hortelão, o nosso Quim, dois meses depois de "ir á faca"... Foto de L.G.




A nossa Zeza, a primeira neta dos avós José Carneiro e Maria Ferreira... Felizmente ainda  vivos no dia do seu casamento, em 1984... Hoje a Zeza, casada com o Eduardo, faz 48 aninhos... E está a passar férias no Algarve. E o seu pai, Quim, faz 77, uma capicua... Foi serviço "combinado" com a mãe, a nossa Rosinha, fazerem anos no mesmo dia, e que manda dizer que a vida é bela, apesar de tudo!... Aos dois aniversariantes, os parabéns de A Nossa Quinta de Candoz. Muita saúde e longa vida, que eles merecem tudo! (LG)




Teleparabéns... a vocês!


Mas que bela capicua,
Sete sete, de idade,
É uma espécie de gazua,
Que abre a porta à eternidade.


Ao seu lado, não há gente triste,
É alegre e folgazão,
Mesmo quando a Rosa insiste:
-Ó Quim, olha o coração!


E até mesmo no hospital,
Foi motivo de falatório,
Pondo a rir o pessoal
Lá do bloco operatório.


É meu sócio e meu cunhado,
Meu parceiro de Candoz,
Há meio século casado,
E estimado por todos nós.


Com os filhos é um ternura,
Nunca vi tal pai galinha,
Coração sem amargura,
(E)terno amor da Rosinha.


Tal pai tal filha, é a Zeza,
A nossa querida sobrinha,
Tratada por Sua Alteza,
A esperta da morgadinha.


Anda daí, sua tonta,
No Algarve é que se ‘tá bem!,
Tristeza não paga conta,
Foi-se o euro e... o vintém!

Ó Eduardo, meu tesoureiro,
Tens a chave do meu tesouro,
Ou não fosses meu companheiro,
Pai de dois filhos que valem ouro!


Não tem jeito, é mesmo assim,
A vida é p’ra ser vivida!,
Viva a Zeza, viva o Quim,
Gente por de mais querida!


Teleparabéns
do Luís, Alice, Joana e João,
mais o resto de Candoz, 
espalhado pelos quatro cantos do mundo.
Lisboa, Porto, etc...26 de Julho de 2011

18 julho 2011

Gente feliz... com uma lágrima ao canto do olho (13): O 1º encontro da família Ferreira, em Fandinhães, 1984 (Parte II)


Fandinhães, 1984 > O ti António 'Vitorino', a esposa, Amélia Rocha, e o pároco da freguesia de Paredes de Viadores, o Padre Agostinho... Os três, infelizmente, já falecidos, entretanto...


António Nunes Ferreira ('Vitorino') (1910-1990)



Amélia Rocha (já falecida)

Padre Agostinho (já falecido)

Foto: Gusto (2011). Edição: L.G.

17 julho 2011

Gente feliz... com uma lágrima ao canto do olho (12): 1º encontro da família Ferreira, em Fandinhães, 1984 (Parte I)


Marco de Canaveses, Paços de Gaiolo, Fandinhães > 1984 > 1º encontro da família Ferreira > Ainda eram vivos os três casais da 4ª geração: António Ferreira ("Vitorino") e Amélia Rocha (com residência no Alto, Paredes de Viadores), Maria Ferreira e José Carneiro (Candoz, Paredes de Viadores) , e Ana Ferreira e Joaquim Cardoso (Cacia, Aveiro)...



Na primeira fila, o saudoso José Carneiro, já depois do AVC que sofreu aos 69 anos...



Na 3ª fila, bem disposta, a nossa Maria Ferreira, esposa do José Carneiro, ladeada pelo nosso Zé e a nossa saudosa Balbina...



À esquerda, de camisola vermelha, a nossa saudosa Carmen Ribeiro, 1º esposa do Zé Carneiro e mãe do nosso Pedro Carneiro...



No último plano, a nossa saudosa Luisa, entre a Nitas e a Graça...



Em primeiro plano, eu (de barbas), com o Tiaguinho ao colo, mais o Toninho e a esposa...



Em primeiro plano, ao centro, o nosso Manel, em grande forma, casado com a Luisa, ladeado por um dos filhos da Helena (à esquerda) e um dos filhos do Toninho (à direita)...


O primeiro da ponta direita, na última fila, é o tio António "Vitorino", já falecido...


Foto:  Gusto (2011). Edição:  L.G.

16 julho 2011

Gente feliz... com uma lágrima ao canto do olho (11): Encontro da família Ferreira, 2011: Representada a 4ª geração, António, Maria, Rosa e Ana, por filhos, netos e bisnetos















Marco de Canaveses, Paredes de Viadores, Senhora do Socorro > 10 de Julho de 2011 > Encontro da família Ferreira >  Estiveram representados os quatro ramos da família, a 4ª geração, a dos avós António, Maria, Rosa e Ana, por filhos, netos e bisnetos...

Fotos: João e Luís Graça (2011)