10 abril 2026

In Memoriam: A Dona Olinda (1935-2026) deixou-nos, aos 90 anos

 


Olinda Alves da Silva  
(14 de julho de 1935 - 8 de abril de 2026)




Quinta de Candoz > 15 de setembro de 2024 > Brindando aos 76 anos  do nosso mano Zé Carneiro, aqui com a Teresa e Dona Olinda.



 In memoriam



A Dona Olinda morreu. E não morreu.

Como dizem os poetas, não morreu, despediu-se apenas da Terra da Alegria.

Não morreu, porque fica connosco no recanto mais íntimo do nosso Jardim das Memórias.

Não morreu porque deixa, no seio da nossa família mais alargada e da comunidade onde vivia, uma extremosa e dedicada filha, a Teresa, e um neto, o Luís, que ela tratou como se fosse um filho, rapaz, único,  muito querido e amado, sem esquecer o Zé, o genro, que, além de homem da casa e gestor do património, foi um cuidador, inexcedível em humanidade, generosidade e delicadeza, tratando dela como se fosse sua mãe ou irmã mais velha...

Enfim, deixa ainda na terra duas primas, e muitos e bons amigos, a começar pela comunidade cristã do Padrão da Légua.

Foi uma grande senhora. Uma mulher de forte personalidade. Um matriarca. Uma mulher do Norte, filha de grandes lavradores das Bouças (o concelho passou a chamar-se Matosinhos só em 1909, 26 anos antes dela nascer). 

Mas também prendada, com mãos de fada, imbatíval nos arranjos de flores, na decoração da casa, na pastelaria e na cozinha.  E sobretudo, tinha "o dom do dom", ou seja, a arte, o engenho e a graça de saber dar e receber.

Guardamos dela, eu e a Alice, as melhores recordações. Esteve sempre presente, ela, a Teresa e o Zé, na nossa família, em Candoz, nos bons e maus momentos das nossas vidas. Na alegria e na tristeza. 

E é essa justamente a medida da amizade.

Recordo há 3 anos a morte da nossa querida Nita e, mais recentemente, do nosso cunhado Quim, o Joaquim Barbosa, marido da Rosa. A ambos, à Olinda e ao Quim, tem uma dívida de gratidão a paróquia do Padrão da Légua. 

Não privei com a Dona Olinda tanto quanto gostaria. Mas gostava de falar com ela, da sua história de vida, das memórias da sua infância, da mãe, dos avós e  dos tios, do seu casamento... E ainda do tempo em que Matosinhos eram... as "Bouças", às portas do Porto,  as grandes quintas, a pesca, as fábricas de conservas...

Ficara viúva do sr. Mesquita, pai da Teresa e avô do Luís, há quase três décadas. Ainda o conheci, babado pelo neto. "Bon vivant", afável. 

A Olinda, a Dona Olinda, lalava com ternura e saudade do seu tempo de menina e moça, apesar de ter perdido o pai, ainda na barriga da mãe. Mãe que sempre foi, para ela, uma santa, recorda a "empregada", com já mais  3 décadas de serviço, dedicação e fidelidade á casa, à Dona Olinda ("a minha segunda mãe", confidencia-me ela, que ficou a herdeira de muitos segredos da patroa, a começar pelas "receitas culinárias, que estão todas aqui, na cabeça")...

É, quando os amigos morrem, que nos damos conta da perda irreparável que a morte de alguém muito querido representa para nós. Perda de memórias, de histórias, de afetos. E mas também de saberes e conhecimentos. Cada ser humano é único e irrepetível.

Faremos, por certo, em momento mais oportuno, um nova celebração que nos ajude a mitigar a saudade e a fazer o luto. Uma celebração também à volta da mesa onde todos ganhamos o estatuto de companheiros (palavra que vem do latim cum + pane, os que comem o mesmo pão à mesa).

A Dona Olinda foi também uma bela companheira que gostava das coisas boas da vida e do convívio à volta de uma mesa alegre e farta. 

Foi, por fim, também um grande exemplo, para todos nós, de dignidade, de tenacidade, de coragem e de resiliência na vida, na dor, na doença e na morte.

É inconsolável a sua perda, e nomeadamente para os nossos queridos amigos Teresa e Luís, filha e neto, e para o nosso mano Zé, a sua família mais chegada. 

Mas saibamos merecer a honra que ela nos deu por ter existido e convivido connosco.

Até sempre, Dona Olinda! E que descanse na paz do Senhor!

Alice, Luís e demais família de Candoz.


Padrão da Légua, 9 de abril de 2026


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