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24 março 2026

Três anos. 1096 dias. De saudade


A Nita, no casamento do Tiago, 20 de junho de 2019. 
Foto: LG


Querida mana, que estás no céu ou naquela estrelinha que tu elegeste como tua na hora da despedida:

Três anos. 1096 dias. De saudade.


Estive a reler esta noite o que te escreveram na hora da despedida. E que está registado aqui, no blogue "A Nossa Quinta de Candoz".


Estive a reler as palavras lindas, molhadas mas quentes, que te dirigiram. E sobretudo o teu testamento, lido pela Zezinha, como oração fúnebre dita na missa de corpo presente, na igreja do Padrão da Légua, Matosinhos, dia 25 de março de 2023. E emocionei-me até às lágrimas, eu que teimo em falar contigo, porque sei que me estás a "ouvir".


Releio essa oração fúnebre que tu em vida preparaste para nos consolar quando chegasse a hora, dolorosa, da tua partida. Era dirigida a todos e a cada um dos que te amavam, a começar pelo teu Gusto, os teus filhos, os teus netos, as tuas noras, os teus manos e os teus amigos mais íntimos:

(...) "De vez em quando espreita lá para cima, para o céu estrelado, eu estarei por lá, nalguma estrelinha, e ficarei muito feliz vendo-te a olhar para o firmamento, quiçá à procura de Deus ou de resposta para as tuas perguntas sobre o sentido da vida e da morte. E, quando chegar a tua vez de deixares esta Terra que também foi a da nossa alegria, que nenhuma barreira nos separe, vamos continuar a celebrar o amor e a amizade.

Há quem, de entre vocês, não acredite nestas coisas. Se tu acreditas, então reza, como quem sabe que vai morrer um dia, e que, ao morrer, sabe que viveu uma vida que valeu a pena.

Ter tido o privilégio do vosso amor e da vossa amizade já foi ter tido um pedacinho do Céu. Na hora da partida da Terra da Alegria, consola-me ter sabido que muito amei e que muitos e bons amigos fiz.

Até sempre, meus amores e meus amigos. A vossa Nita". (...)

Maninha, ao fim de 3 anos, 1096 dias, sinto, às vezes (fraqueza minha!) que a tua estrelinha está tão longe. Ou cada vez mais longe. Mas eu quero, todos nós queremos, que tu fiques sempre perto de nós. Vemos a tua estrelinha ou imaginamo-la. Precisamos de nos agarrar a esta imagem etérea para manter o contacto contigo.


Há coisas que escapam à nossa razão, e que são do coração. Tu eras crente e cristã. E ainda bem que, apesar do teu grande sofrimento físico, pudeste fazer as pazes com a terra onde fizeste tantas coisas lindas mas que também foi, nos teus últimos quatro anos, um vale de sofrimento e de lágrimas. E, mesmo assim, foste um exemplo de coragem, tenacidade, esperança, humildade e humanidade, para todos nós.


Quero que saibas que continuamos a falar contigo, aqueles de nós que te amamos e que nunca te esquecerão.


Nesta Páscoa voltamos a sentir ainda mais a tua ausência (que, apesar de tudo, será apenas física). Vou para cima, direta a Candoz. Irei visitar-te ao cemitério da nossa freguesia. Irei rezar por ti, à minha maneira. Irei falar contigo, ao meu jeito. Irei rever-te nas nossas cerdeiras em flor. Nas nossas videiras. Nos nossos muros e socalcos. Nas nossas conversas debaixo das laranjeiras. Na nossa casa. No nosso jardim. Nas nossas comidinhas. Nas limpezas, da Semana Santa, ao nosso casarão.


Ah!, tanta falta me fazes (e eu a ti!) nesta e noutras ocasiões de grande freima!... Como a gente se entendia, tão bem, as duas!... Como se fôssemos irmãs gémeas. Na realidade éramos irmãs gémeas de alma e coração. Podíamos estar, as duas, horas e horas a fio na conversa como se tivéssemos a eternidade à nossa frente. À lareira, à mesa, à volta dos tachos, no jardim, no campo. Ou até no cemitério quando íamos pôr flores na campa dos nossos pais.


Estarás sempre presente nas minhas memórias da nossa infância, juventude e idade adulta. Estarás sempre presente na nossa alegria comum como manas, mulheres, mães e avós. Não, nunca te direi até sempre. Mas apenas, até logo, querida maninha.


Tua Chita.

15 janeiro 2026

Nita (1947-2023): três anos de saudade




Lisboa > 15 de agosto de 2018 > Nita

Foto: LG (2018)


Meu Gustito, meus filhos, meus netos, meus manos, meus sobrinhos:


Faço hoje anos.

Setenta e nove.

Continuo a fazer anos 

e a gostar que me ofereçam flores.

Também vai fazer três anos que morri.

Fisicamente.

Há três anos... ai, com o tempo passa!


Dizem-me que deixei muitas saudades.

Acredito 

e não podia esperar outra coisa de vocês.

Amei muito e fui muita amada.

Amei o meu marido, os meus filhos,

os meus netos, as minhas noras,

mas também os meus manos e cunhados,

os meus sobrinhos...

E sobrinhas, claro.


Tive dois meninos, o Luís Filipe e o Tiago.

Não tive nenhuma menina. 

E tive pena.

Mas não me faltaram sobrinhas 

que eu muito amei, como se fossem minhas filhas.

E de quem recebi sempre muito carinho, amor, afeto.


Também fui menina.

E cresci.

Diziam-me que era uma mulher muito prendada,

Tive a sorte, talvez por ser a mais nova,

de ir estudar para o Porto,

O que na época era ainda pouco comum.

Um privilégio 

que estava reservado aos filhos dos fidalgos,

e de algumas famílias com posses.



Não havia liceu nem escolas técnicas ou comerciais

no Marco de Canaveses. 

E as ligações de Candoz com a vila

ainda eram más e morosas

(a não aser através da Linha do Douro,

apanhava-se o comboio no Juncal,

a uma hora pé da nossa casa).

E não havia passes sociais nesse tempo.


A solução foi ir para o Porto.

Para casa da mana Rosa.



Fui também,  modéstia àparte,

um exemplo para os meus manos

e depois para os meus sobrinhos.

Fui a primeira da família Ferreira Carneiro 

a ir estudar

e tirar um curso superior.

Incentivei outros a estudar.

E depois fui técnica de laboratório

no Instituto Superior de Engenharia do Porto,

o meu ISEP.

Desgraçadamente 

foi também o local de trabalho

onde lentamente fui contraindo a doença

que me deveria matar, em 2023.

É uma história triste,

misturada com muitas alegrias,

e boas amizades que lá fiz;

mas foi lá, 

no meu amado laboratório de química,

que estive exposta a produtos cancerígenos,

como o benzeno e outros.


Não vou agora penitenciar-me 

por ter posto a minha saúde em risco, 

por tanto ter querido ao meu trabalho 

e àquela casa.

Nem acusar quem me devia ter protegido,

em última análise o Estado, meu patrão.

Mas que vos sirva  também de exemplo,

para vocês, os mais novos.

Nunca ponham em risco

 a vossa saúde e a vossa segurança,

nem a vossa nem a dos outros.


Podia ter vivido mais uns aninhos

com todos vocês que tanto me amaram 

(e sei que me amam),

com o meu homem, os meus filhos,

os meus netinhos e as mamãs deles.


No desconsolo da minha solidão

(nem sei onde estou 

nem por onde tenho andado),

tenho tantas saudades vossas,

das maravilhosas férias e viagens 

que fizemos juntos,

das nossas festinhas,

dos nossos segredinhos e cumplicidades,

das nossas serviçadas em Candoz...


Três anos, meus amores, meus amigos,

são séculos de saudade.

É uma pedra muito pesada no meu túmulo.

Por favor, nunca me esqueçam.

Tragam-me uma florinha, 

uma plantinha, do meu jardim

(que eu sei que o meu Gustinho 

continua a tratar amorosamente),

deixem-na no mármore frio do meu jazigo,

mas falem comigo.

Não por favor, mas por amor.

Em voz alta.

Que eu oiço-vos.

De vocês, todos e todas,

eu nunca me esquecerei.

Vossa Nita.

15 de janeiro de 2025.

24 março 2025

Nita, dois anos de saudade sofrida

 


Nita (1947-2023)... Candoz, 22 de setembro de 2022.
 Foto: LG (2022)

Querido Gusto, 
e meus queridos sobrinhos, Luís Filipe e José Tiago:

Faz-nos tanta falta a vossa Nita, a nossa Nita.
Sabemos, racionalmente,
 que já não está aqui, ao nosso lado.
Mas recusamo-nos a aceitar 
a sua separação definitiva.

Dois anos depois 
ela continua nos nossos corações,
Nas nossas casas, 
nas nossas fotos, 
nas nossas conversas.

E eu ainda sei de cor o seu antigo número de telemóvel.
Podem achar uma patetice da minha parte,
Mas às vezes ainda tenho a tentação de ligar-lhe.

Partilho convosco o que me passou pela cabeça,
esta amanhã, no 2º aniversário da sua morte,
e que pedi ao Luís que passasse a papel.

É também a minha, nossa, maneira de estar convosco
neste dia de saudade sofrida,
com vós que eram o “mais que tudo” da minha mana Nita.

Não, o tempo não cura tudo.
Vamos continuar a celebrar a sua memória,
à nossa maneira.
Até à Páscoa. 

Alice (e Luís)
_____________

Querida Nitas:

Hoje queria tanto ouvir a tua voz.
E poder prosseguir as nossas conversas
que a tua morte veio interromper.
Conversas às vezes de mais de uma hora,
conversas de irmãs, mais do que de mulheres,
que os nossos homens podiam achar
que eram conversas da treta.

Queria, tanto, do outro lado da linha,
poder ouvir as tuas gargalhadas,
as tuas interjeições,
e o teu suave calão do Porto
"Vai-te, Afonso!"...

Tenho às vezes a tentação de ligar 
para o teu antigo número de telemóvel, 914772956.
Recuso-me a eliminá-lo da minha lista de contactos.
Uma voz neutra de mulher, pré-gravada, responde-me:
"O número para o qual ligou,
não pode neste momento ser contactado.
Por favor tente mais tarde.
Obrigado".

... E ouço e ouço o raio do robô
na inútil esperança de ainda, por fim, por milagre, 
aparecer a tua voz
cujo timbre nunca esquecerei...

Pois é, Nitas, quem disse que o tempo tudo cura
não sabia o que era a imensa vontade de viver que tu tinhas
e nossa a imensa alegria de partilharmos
as pequenas e as grandes alegrias da vida,
enfim, cumplicidades de duas irmãs
que bem podiam ter sido gémeas...

Tenho, temos, tantas saudades tuas.
Saudades sofridas.
Já chorei por ti ontem à noite e hoje de manhã.

Tua Chita.

15 janeiro 2025

Nita, faz hoje 78 anos que nascias na Quinta de Candoz...Obrigado pelo privilégio de te termos conhecido e amado

 



Querida Nita,

como é que poderíamos esquecer o dia em que tu "partiste", 

24 de março de 2023 ?

E hoje, o dia em que farias 78 anos,

e iríamos estar todos à mesa à tua volta,

celebrando o milagre da vida e da medicina ?

Ah!, lutaste brava e arduamente contra a doença e a morte,

e,  apesar de tanto sofriment0, 

como tu gostavas da vida e dos teus "mais-que-tudo"!...


Não te poderíamos esquecer,

mesmo que muitos nos digam que o tempo tudo apaga:

temos as nossas casas cobertas com as tuas fotos,

porque, mesmo depois de morta,

o teu sorriso doce será sempre uma terna e eterna 

recordação de ti,

e ajuda-nos a suportar um pouco melhor a tua perda...


Como nesta foto de 18 de setembro de 2020,

já estavas doente mas eras a mais feliz de todos nós,

nas vindimas, em Candoz...


Os teus filhos, Tiago e Felipe,

o teu homem, o teu Gustito,

toda a família, toda a Quinta de Candoz,

todos nós,

estamos espiritualmente ligados contigo,

não importa onde estejas,

no céu da tua fé

ou na galáxia mais distante da nossa infinita tristeza,

neste dia em que tu gostavas tanto 

de receber flores, poesia, beijinhos e chicorações,

para partilhar esta efeméride,

este momento efémero,

com muita saudade,

mas com também com muito orgullho

por tudo o que nos deste,

por tudo o que foste para nós,

pelo exemplo e pela inspiração 

que continuas a ser para nós!


Nascias há 78 anos, na Quinta de Candoz!...

Bebamos hoje do teu/nosso vinho "Nita",

ao privilégio de te termos conhecido,

e de termos partilhado contigo

as pequenas grandes coisas que, afinal, contam na vida,

e neste mundo,

o amor, a amizade, a beleza, a saúde, a paz, a liberdade.


Os teus mais-que-tudo... 

Quinta de Candoz, 15 de janeiro de 2025


24 março 2024

24 de março de 2024: Homenagem à nossa Nita (1947-2023) (Chita)


Peniche,  Cabo Carvoeiro,com as Berlengasd ao fundo: a Nita e a Chita, 6 de agosto de 2021. 

Foto: Luís Graça (2024)


24 de março de 2024: Homenagem à

nossa Nita (1947-2023) 

pela Chita



Há um ano que partiste…para a viagem mais solitária, que todos temos de fazer um dia, mais cedo ou mais tarde, a da despedida da Terra da
Alegria…

Tu partiste, maninha… E deixaste cá tudo, o que não precisavas, para essa tua última viagem, incluindo a Quinta de Candoz…

Tu partiste, mas deixaste-nos o espírito de Candoz, que tu sempre viveste e representaste como ninguém, ao longo de quase quatro décadas… Esse espírito continua vivo e a inspirar-nos.

Tu partiste, Nita, mas podes continuar a ter orgulho no teu Gusto, nos teus filhos e noras, nos teus sobrinhos, em todos nós que aqui estamos: enquanto secamos as nossas lágrimas, e suspiramos por ti, prometemos também nunca te esquecer, e manter vivo o teu testemunho, o teu exemplo de vida, o teu amor a este cantinho que é
Candoz.

Tu partiste, mas sempre personificaste o dom, a doçura, o prazer e a alegria de dar e receber.

Tu partiste, minha querida mana, mas todos nós tentámos dar a volta à nossa dor, elegendo-te como a nossa deusa tutelar, protetora e inspiradora.

Tu partiste, mas continuamos a fazer, juntos, coisas lindas como este vinho na tua/nossa Quinta de Candoz…

Foi um sonho lindo, sobretudo do teu filho Tiago. Ele quis, e nós todos quisemos, fixar uma parte de ti, o melhor de ti, a tua “alma”, no rótulo e no conteúdo das garrafas deste nosso vinho, colheita especial de 2023, o ano em que partiste!

Na Quinta de Candoz, tu foste, comigo (e claro o teu homem), a mais entusiástica do projeto de modernização da cultura da vinha, há 40 anos.

Agora, com outras condições tecnológicas e com o apoio de enólogo, temos a primeira colheita e a primeira garrafa com o teu nome, o teu “petit-nom”, Nita.

Para além dos sabores e cheiros que o enólogo tão bem identificou, nós acrescentamos: tem também uma lágrima tua, uma pitada da tua alegria de viver, da tua felicidade na terra, muita da tua essência, do
teu perfume, da tua generosidade, das tuas memórias e referências, que são também as nossas…

Fazer este vinho (e agora prová-lo em neste dia tão especial) deu-nos vida e, acima de tudo, reforçou a nossa vontade de continuar a cuidar do teu legado..

Nita, tu partiste apenas, não “morreste” (nos nossos corações)…

Deixo aqui também um álbum com os versinhos e as orações que te dedicámos, eu e a minha família, e também uma seleção de fotos dos nossos melhores momentos.

Vou também agora brindar, com muita emoção, à tua memória, mas também à nossa vida, aos teus amores e aos teus amigos, incluindo os do ISEP, dos coros e do cavaquinho, que quiseram estar aqui
contigo e connosco.

Um brinde também aos nossos descendentes, filhos e  sobrinhos, que admiravelmente estão a manter vivo e a reinventar o espírito de Candoz.

Lá no alto, lá na tua “estrelinha”, querida Nita, continua a proteger-nos, a velar por nós e a inspirar-nos!

Até sempre, minha querida mana e amiga!

Tua Chita, Quinta de Candoz, 24 de março de 2024.



Nita, Quinta de Candoz, Vinho Branco verde, seleção 2023, 13º 
 Foto: Chita (2024)

24 de março de 2024: Hoje, só me apetece gritar: ainda era cedo, Madrinha, Tia Anita! (Cristina Barbosa)





Lagos, 1981 > Junto à estátua do rei Dom Sebastião de José Cutileiro (1973): da esquerda para a direita, Gusto, Filipe, Cristina, Nita, Joana, Chita, Béu… (Ainda estavam para nascer o João e o Tiago)

 Foto: Luís Graça (2024)


Ainda era cedo, Madrinha, Tia Anita!


por Cristina Barbosa


Há um ano atrás, o dia amanheceu. e logo de imediato, ficou nublado e muito triste!

Em casa de cada um dos teus amores, se suspirava por ti... Não quero falar muito sobre esse dia.

Desde que me conheço gente, nomeie-te de minha segunda mãe, e tu correspondeste a este valor que te atribuí.

Pois foi, ensinaste, ouviste, reprendeste, preocupaste, ajudas-te, sofreste, sorriste, abraçaste (me), o inerente a cada um destes verbos, juntando o nós em cada momento que eu precisei.

Estavas SEMPRE lá!!

Gostei tanto de te ter presente na minha vida, que estendi-te a ti e ao tio Gusto, o convite de padrinhos do meu filho mais velho, o Nuno, ao que prontamente acederam e, por quem nutrem carinho igual ao que têm por mim.

Tenho a cada dia 24, feito uma espécie de “Diário de Bordo”, sobre o que vivi contigo e com os eus... Faz-me bem!... Hoje, vou partilhar algumas de tantas coisas que vivenciamos. Guardarei sempre o nosso último encontro, foi maravilhoso e vou guardar o teu último beijo e o teu último sorriso às sete chaves para que não mo possam tirar.

Agora Candoz...

A primeira vez que lá cheguei após a tua partida, faltavas tu para me receber com o teu bonito orriso acolhedor, a alegria do teu olhar luminoso igualável À tua presença empática, simples, mas enorme como os teus abraços. Bem tentei previamente preparar-me para o momento. Mas a cada janela que abria, vinha a vontade de me assomar a ela e gritar... Tudo me falava (fala) de ti. As flores, a vinha, os tachos, o linho, os odores, o pó...

Após este ano, nada disso mudou. Mudou a nossa dinâmica em família de continuar viva Candoz, em homenagear-te em tudo o que fazemos, colocando um amor igual ao teu.

Hoje, senti a tua falta! No primeiro Domingo de Ramos sem a tua presença física, naquele almoço que gostava de preparar para vós com todo o carinho. Agora recebo um bocadinho de ti através do Tio e dos meus primos. Vou pedir ao Kiko que gosta de Candoz para passar o texto a computador, porque no rascunho são visíveis as marcas das lágrimas que me caem no rosto.

Hoje, só me apetece gritar: Ainda era cedo, Madrinha, Tia Anita!

Cristina Barbosa

A tua afilhada, ANA Cristina 24/03/24

23 março 2024

Quinta de Candoz: a sagração da primavera e o lançamento do nosso vinho, Nita, edição especial 2023

 












Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz> Quinta de Candoz > 21/22 de março de 2024  > "Aguarelas" da primavera ... No fundo do vale passa a linha do Douro (que liga Ermesinde ao Pocinho, numa extensão de 160 km)... Do outro lado é já concelho de Baião. E,  do lado direito, não vívísel nas fotos, o rio Douro, a barragem do Carrapatelo, o Porto Antigo, a serra de Montemuro, Cinfães...


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2024). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] (Todas as imagens, exceto a primeira de cima, e as duas últimas, são  HDR - High Dynamic Range, tiradas sem tripé)



 1. A Quinta de Candoz, já nas faldas da serra de Montedeiras, ainda hoje assombrada pelo fantasma do Zé do Telhado (1816-1875) e do seu bando, tem múltiplos encantos ao longo do ano... Neste caso, na Primavera, que começou a 20 de março e vai até 20 de junho... 

Já temos poucas "cerdeiras" (cerejeiras) (o forte da cereja é o concelho aqui ao lado, Resende, já na margem esquerda do rio Douro, distrito de Viseu)... No passado, a Quinta de Candoz mandava muitos cestos de cerejas para o Porto, através do comboio da linha do Douro (que tem aqui, perto de nós, a estação do Juncal, outrora animada e florescente)... 

Por altura da Páscoa, as "cerdeiras"  são sempre deslumbrantes, quando estão floridas...  As "cerdeiras" e outras árvores de fruto... Mas também os carvalhos, que começam a ganhar folhagem... E as videiras, com os seus primeiros rebentos... 

E encantatória, mágica,  é sempre a água que vem, aos borbotões,  das nossas minas, ainda pura e fresca... Que pena não a podermos reter toda aqui... Vai ter à albufeira do Carrapatelo e, por fim, ao mar...

Aqui fica uma pouca amostra da "sagração da primavera" em Candoz, com votos de Boa Páscoa para todos os nossos leitores.  

Para nós, este vai ser um fim de semana muito especial, em que recordamos a "partida" da nossa querida Nita, Ana Carneiro (1947-2023) e, em sua homenagem, vamos lançar um vinho verde branco, com o seu "petit-nom"no rótulo, "Nita", uma edição especial, seleção 2023, 13º graus. Pela primeira vez  reunimos as condições tecnológicas e o apoio de enólogo para fazer um vinho que nos orgulha, que tem cheiros e sabores a "chá verde, espargos e flor de magnólia"... E que tem muita da alma, do perfume, da essência da nossa Nita, das suas memórias, vivências e referèncias.  Foi ela  que nos inspirou e reforçou a nossa vontade de manter vivo  o espírito de Candoz.


15 janeiro 2024

Faria hoje 77 anos a nossa Nita|...Recordamo-la com doce saudade







Quinta de Candoz > Verão de 2022 > Talvez agostou setembro, antes das vindimas> Nita: As últimas fotos que aqui te tirámos...
Fotos: Luís Graça (2022)

 

Querida Nita:

És de todos nós quem tem mais referências no blogue A Nossa Quinta de Candoz, criado em 7 de abril de 1999 para celebrar a inauguração da nossa casa comum… São cerca de meia centena essas referências…

Foi um dia de grande alegria, esse 7 de abril de 1999, e daí nasceu o “Álbum da Família Carneiro e História de Quinta de Candoz”, inspirado num sonho da Chita (“Eu sonhei com rosas brancas / Que vieram do Além; /De todas as almas santas / Só pode ser nossa mãe”).

Não tinha mais nenhum propósito, o blogue e o álbum,  senão o de nos manter unidos, mesmo à distância, e ajudar-nos, uns aos outros, nos bons e nos maus momentos da vida, celebrando a amizade e a fraternidade de Candoz.

Revisitando o blogue, vejo que os versos mais antigos que te dedicámos, foram os dos teus “60 verdes anos”, em 15 de janeiro de 2007… Já lá vão 17, querida Nita!!!...

Deu-nos uma imensa saudade, ao relermos essa pequena homenagem que te fizemos, em singelas quadras populares, pondo na tua boca a tua própria narrativa autobiográfica… Estás lá, inteira e justa, nesse quadro que te fizemos: em 2007, ainda não estavas à beira de te reformar, faltavam quatro anos; tinhas brio e consciência do teu valor profissional; eras de um dedicação extrema ao teu instituto e ao teu laboratório;  não tinhas ainda netos, mas “sabias” que eles haveriam de chegar: enfim, fazíamos férias juntos, viajávamos juntos, acompanhávamos o crescimento  e a formação dos teus filhos (e dos seus primos)…

Foi, de facto, uma época bonita, estávamos vivos e tínhamos saúde e esperança no futuro. E tu tornaste, com todo o mérito, pela tua generosidade, dedicação, trabalho e amor à família, a “rainha de Candoz”… Nunca tiveste trono, mas hoje tens um pequeno altar, um oratório, onde rezamos por ti e falamos contigo…

Hoje farias 77 anos, uma das capicuas que a crueldade do destino te roubou… A gente bem queria, Nita, estar aí hoje contigo, beijar-te a abraçar-te e fazer uma festinha à nossa maneira, na tua casa da Madalena, na sala onde vivemos tantos momentos bonitos (Natais, Páscoas e outras festas) e que o teu Gustito já teria aquecido logo de manhã cedo…

Resta-nos a doce saudade da tua presença, sempre luminosa, feliz, alegre, e a certeza de que a tua memória nos dá forças, a todos nós, para continuarmos juntos.

Aqui ficam então  os versinhos de há 17 anos:

___________

Para a Nitas,

  • a futura avó,
  • a mulher prendada,
  • a esposa querida,
  • a mãe babada,
  • a irmã cúmplice,
  • a cunhada terna,
  • a tia meiga e solícita

... que hoje faz 60 anos!

 


Que a tua estrada da vida seja longa,
e feliz seja a jornada.
Que vás com Deus! (... e connosco).

Alice, Luís, Joana e João | Alfragide, 15 de Janeiro de 2007


Parabéns a Você !


Nasci em quarenta e sete
Do louco século passado,
Sou do tempo da Internet
E do circuito integrado.

Fui à Lua, fui a Marte,
Graças à televisão,
No meu tempo era arte
Seduzir um bonitão.

De família numerosa,
Fui a menina prendada,
Ajudei a mana Rosa,
P’ra poder ser diplomada.

Meu pai, quero ir estudar
Para o Porto, p’ra cidade,
E lá poderei casar
Em chegando a idade.

À família fiz um hino,
Sendo a coisa mais querida,
Não me queixo do destino
Nem das agruras da vida.

Com um sorriso para todos,
Sou uma mulher de trabalho,
Uso sempre de bons modos,
Mesmo quando vos ralho.

É pesada esta carga
Para uma mulher pequenina,
Pode às vezes ser amarga,
P’ra um coração de menina.

Se há na terra um purgatório
É o sítio onde trabalho,
É no meu laboratório
Que provo o quanto valho.

Não me bato ao ‘Excelente’
Por vaidade ou presunção,
Que a minha obra não mente
Na hora da avaliação.

E lá por fazer sessenta,
Não pensem que arrumo a bata,
O coração ainda aguenta
E de vocês não estou farta.

Saúde para o meu Gusto,
Pr’os meus filhos, alegria,
É o voto ardente e justo
Que faço neste meu dia.

Eles são a melhor prenda
Que a vida me podia dar,
Dou-me a Deus em oferenda,
Vou com Deus continuar.

E p’ro resto do caminho
Virão netos, com certeza,
Alegrar o meu cantinho,
Enchê-lo de mais riqueza.


https://anossaquintadecandoz.blogspot.com/2007/01/para-nitas-futura-av-mulher-prendada.html

24 setembro 2023

A alegria das vindimas de 2023, e a saudade da nossa Nita que partiu há seis meses

 


Quinta de Candoz > Vindimas  > 18 de setembro de 2020 > A Nita(s), a Mi (cunhada) e a Chita (Alice, irmã). Foto: LG (2020).


Querida mana Nita(s):

Fui fazer as três vindimas,  estive 18 dias em Candoz. Também estive a representar-te.  Sentia-se a tua presença tutelar.  Tu agora és a nossa "fada madrinha", como diria a ,minha Clarinhya.  Ontem andávamos todos felizes a vindimar, logo cedo, pela manhã (foi a última vindima).

Já sabes, por certo, do novo projeto a que metemos ombros em Candoz. O teu Tiago já “te falou” da ideia, linda,  que ele teve em mente para te homenagear através do vinho de Candoz. Não vou entrar em pormenores,  sem autorização do Tiago, porque “o segredo é a alma do negócio”…

Este ano tivemos uma boa colheita, em quantidade e qualidade,  mesmo sendo um ano complicado por tudo: as pragas do costume, mais o “black rot” (ou “podridão negra”), e a pior de todas, a tua partida!

Gostaste, por certo, de ver os teus filhos, todos entusiasmados a vindimar… Eu gostei muito . Então, o teu Tiago, vestido à camponesa!…

Vim ontem de Candoz, ao fim da tarde, direitinha à Lourinhã, foram quase 350 km, em três horas e meia… Vim cansada mas feliz por sentir,  ver e partilhar a alegria de todos, dos teus filhos Tiago e Filipe, do teu homem, o Gustito, do meu Luís (de máquina fotográfica em punho),  da tua neta Carolina,  do nosso mano Zé, dos teus sobrinhos, Zezinha, Eduardo, João, Diogo e  Francisco, além do nosso companheiro e amigo de muitos anos, o Adriano…

Tivemos a mesa cheia, como de costume. Até a Berta veio da Madalena com a Sofia e o teu Joquinhas…

Não posso deixar de deitar mais uma das  lágrimas que me restam,  pela tua partida, faz hoje justamente seis meses. Tantas coisas que ainda queríamos poder fazer juntas em Candoz!...

A vida (a vida, não, a morte!) pregou-nos a grande partida de te levar, sem sequer nos pedir licença!... Que crueldade, mana!... Ainda hoje não me conformo nem consegui fazer o luto!

Mas quero que saibas que continuamos falar contigo e a pôr uma florinha no cantinho da sala onde está o teu  retrato, tirado nas vindimas de há três anos.  Com o teu sorriso lindo, que nos encantava a todos/as!

A tua mana Chita.

Lourinhã, 24 de setembro de 2023.

 

15 janeiro 2008

Adivinhem quem faz anos hoje ?... Parabéns à nossa... NITAS!!!

Ilustração: © Joana Graça (2008). Todos os direitos reservados.

Foto (pormenor): autor desconhecido. A Senhora Engenheira quando jovem...

Foto da foto: Luís Graça (2007)

Quem reconhece a nossa mana ? Quem se lembra desta carinha larocas ?... Já lá vão uns aninhos... Mas a gente lá foi ao velho baú da família e desencantou-te, Nita...

Para quem chega aqui ao blogue e não te conhece, ficam desde já saber que tu és a última das raparigas, a seguir à Rosa e à Alice, e o penúltimo dos filhos do casal José Carneiro & Maria Ferreira... O mais novinho é o Zé. Outros rapazes são o António e o Manuel...

Vem tudo isto a propósito do 15 de Janeiro de 1947, ano em que a família Carneiro de Candoz ficou mais rica, com este pimpolho que se vê na fotografia... Perdeu-se na memória dos tempos o autor da chapa, mas ficou para a posteridade a fotogenia da criancinha... Já nessa altura ela gostava de aparecer na fotografia!...

Hoje, mãe de dois rapazes (e o mais novo, o Tiago, puxa ao fenótipo da menina sua mãe, loirinho também quando era menino e moço), continua a ser a Nita de sempre, de que todos gostamos muito...

Para os filhos, é aquela mãe. Para o marido, é aquela esposa. Para os sobrinhos, é aquela tia! Para os irmãos, é aquela mana. Para os cunhados, é aquela... mana. Para os colegas de trabalho, é simplesmente a Ana. Para os alunos, é a Senhora Engenheira. Para os Prof. do ISEP, a Engenheira Ana... Para os amigos, é aquela amiga, sempre prestável e atenciosa... Todos, sem excepção, reconhecem a sua enorme entrega às coisas em que se mete e a sua grande capacidade de trabalho...

Foi por isso que a Joana a retratou, no desenho acima, a abraçar a lua, com os pés bem asssentes na terra... Daqui de Lisboa, é assim que a gente a vê. Com pena, naturalmente, de não estar com ela, aí no Porto, para poder cantar-lhe os parabéns. Resta-nos saber que, além de hoje ser o seu dia, ela teve como prenda muito especial o seu Tiago, o nosso Dr. Tiago, que acaba de regressar de um périplo de quase três semanas pela Europa, antes de partir dentro de dias para a Madeira onde vai dar início ao seu internato médico de especialidade...

De forma que a família Soares está hoje reunida, num restaurante do Porto e o que é importante é sabermos que eles estão bem - o Gusto, o Luís Filipe, o Tiago e a aniversariante -, que eles estão felizes, que eles são um família unida, que eles são uma família portuguesa do Porto... E, enfim, que todos nós temos muito orgulho neles e que é, para nós, um privilégio e uma honra a sua amizade... Parabéns, Nita, que vivas muitos anos e que, no mínimo, daqui a trinta e nove anos, ainda tenhas força para soprar as 100 velas!

Os meios mouros, meios morcões, Alice, Luís, Joana, João.

PS - Aqui vai também uma gracinha do João que não escreve nem pinta mas toca... Vídeo: "Do João para a tia Nita" (Candoz, 8 de Dezembro de 2007). Vídeo: 1m e 17 ss.