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24 março 2026

Três anos. 1096 dias. De saudade


A Nita, no casamento do Tiago, 20 de junho de 2019. 
Foto: LG


Querida mana, que estás no céu ou naquela estrelinha que tu elegeste como tua na hora da despedida:

Três anos. 1096 dias. De saudade.


Estive a reler esta noite o que te escreveram na hora da despedida. E que está registado aqui, no blogue "A Nossa Quinta de Candoz".


Estive a reler as palavras lindas, molhadas mas quentes, que te dirigiram. E sobretudo o teu testamento, lido pela Zezinha, como oração fúnebre dita na missa de corpo presente, na igreja do Padrão da Légua, Matosinhos, dia 25 de março de 2023. E emocionei-me até às lágrimas, eu que teimo em falar contigo, porque sei que me estás a "ouvir".


Releio essa oração fúnebre que tu em vida preparaste para nos consolar quando chegasse a hora, dolorosa, da tua partida. Era dirigida a todos e a cada um dos que te amavam, a começar pelo teu Gusto, os teus filhos, os teus netos, as tuas noras, os teus manos e os teus amigos mais íntimos:

(...) "De vez em quando espreita lá para cima, para o céu estrelado, eu estarei por lá, nalguma estrelinha, e ficarei muito feliz vendo-te a olhar para o firmamento, quiçá à procura de Deus ou de resposta para as tuas perguntas sobre o sentido da vida e da morte. E, quando chegar a tua vez de deixares esta Terra que também foi a da nossa alegria, que nenhuma barreira nos separe, vamos continuar a celebrar o amor e a amizade.

Há quem, de entre vocês, não acredite nestas coisas. Se tu acreditas, então reza, como quem sabe que vai morrer um dia, e que, ao morrer, sabe que viveu uma vida que valeu a pena.

Ter tido o privilégio do vosso amor e da vossa amizade já foi ter tido um pedacinho do Céu. Na hora da partida da Terra da Alegria, consola-me ter sabido que muito amei e que muitos e bons amigos fiz.

Até sempre, meus amores e meus amigos. A vossa Nita". (...)

Maninha, ao fim de 3 anos, 1096 dias, sinto, às vezes (fraqueza minha!) que a tua estrelinha está tão longe. Ou cada vez mais longe. Mas eu quero, todos nós queremos, que tu fiques sempre perto de nós. Vemos a tua estrelinha ou imaginamo-la. Precisamos de nos agarrar a esta imagem etérea para manter o contacto contigo.


Há coisas que escapam à nossa razão, e que são do coração. Tu eras crente e cristã. E ainda bem que, apesar do teu grande sofrimento físico, pudeste fazer as pazes com a terra onde fizeste tantas coisas lindas mas que também foi, nos teus últimos quatro anos, um vale de sofrimento e de lágrimas. E, mesmo assim, foste um exemplo de coragem, tenacidade, esperança, humildade e humanidade, para todos nós.


Quero que saibas que continuamos a falar contigo, aqueles de nós que te amamos e que nunca te esquecerão.


Nesta Páscoa voltamos a sentir ainda mais a tua ausência (que, apesar de tudo, será apenas física). Vou para cima, direta a Candoz. Irei visitar-te ao cemitério da nossa freguesia. Irei rezar por ti, à minha maneira. Irei falar contigo, ao meu jeito. Irei rever-te nas nossas cerdeiras em flor. Nas nossas videiras. Nos nossos muros e socalcos. Nas nossas conversas debaixo das laranjeiras. Na nossa casa. No nosso jardim. Nas nossas comidinhas. Nas limpezas, da Semana Santa, ao nosso casarão.


Ah!, tanta falta me fazes (e eu a ti!) nesta e noutras ocasiões de grande freima!... Como a gente se entendia, tão bem, as duas!... Como se fôssemos irmãs gémeas. Na realidade éramos irmãs gémeas de alma e coração. Podíamos estar, as duas, horas e horas a fio na conversa como se tivéssemos a eternidade à nossa frente. À lareira, à mesa, à volta dos tachos, no jardim, no campo. Ou até no cemitério quando íamos pôr flores na campa dos nossos pais.


Estarás sempre presente nas minhas memórias da nossa infância, juventude e idade adulta. Estarás sempre presente na nossa alegria comum como manas, mulheres, mães e avós. Não, nunca te direi até sempre. Mas apenas, até logo, querida maninha.


Tua Chita.

01 abril 2025

As nossas comidinhas: o sável com açorda de ovas







Alfragide > 23 de março de 2025 >  Um prato duriense, "sável frito com açorda de ovos" que vai bem com o "Nita", da Quinta de Candoz, colheita selecionada (2023)... A sugestão é da "Chef" Alice...

Foto (e legenda): © Luís Graça (2025).  


1. Caros leitores:  todos os dias a malta  tem de comer, mal ou bem...  Mas, parece, que cada vez pior, diz o povo...E ele há coisas que vão desaparecendo das nossas mesas: caça, peixe, marisco, vitela, queijo e requeijáo de Serpa... Quem é que lhe chega 

Com a pandemia de Covid-19, a malta habituou-se aos enlatados: atum com grão de bico, cavalas em óleo de girassol,  sardinha em óleo picante com pickles, etc. E aos congelados... Mas, feitas as contas ao quilo, até o raio das conservas de peixe estão pela hora da morte...

Até os petiscos dos pobres passaram para o cardápio dos ricos, do bacalhau ao polvo, do berbigão à sapateira, do sável à lampreia...

 Será que ainda se fazem as "iscas com elas" ?  E ainda há quem faça "tomates de carneiro" ?...O que desapareceu, do nosso tempo, foram também as tascas, com serradura no chão e pipos de tinto carrascão na parede, mesas de tampo de mármore e mochos de madeira em vez de cadeiras de plástico...

Mas estamos numa época boa para certos "petiscos" como as favas suadas, as "casulas com butelo" ou o sável frito com acorda de ovas... Foi o que a nossa "chef" Alice fez para celebrar os dois mesinhos da segunda neta, a Rosinha (em 23 de março)... Dizem os comensaios que foi comer e chorar por mais (o sável foi generoso, tinha dois quilos e meio e trazia as ovas...). 

Era um "prato" que se comia à mesa dos pobres, na Quaresma, por duas razões: 

(i)  era a altura do sável subir o rio Douro para desovar (ainda não havia barragens); 

(ii) os pobres não compravam a bu(r)la ao senhor abade, os "rendeiros" não podiam comer carne mas precisavam de proteína para trabalhar  as terras do seu "senhor e amo", o sável vendia-se de porta em porta, enfiadas num longo varapau,  tinha muitas espinhas, era preciso engenho, arte e paciência para o saber cortar fininho e fritá-lo em azeite...

Ele há coisas que não há no céu... E que  não preço. E que, por isso, náo passam pelo estreito dos bilionários... E uma delas é seguramente a açorda de ovas com sável frito, com um toque muito especial do alho e do coentro (que era do Sul, dos ganhões, e que por isso não ia à mesa do rei)... 

Tudo à moda da "Chef" Alice, segundo uma receita antiga da família da Quinta de Candoz, que ainda é do tempo do extinto concelho de Bem Viver e das pesqueiras do rio Douro que tinham foral do senhor Dom Manuel , o Venturoso.

_________________

Nota do editor LG:

Publicado outra versão no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné > 27 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26623: No céu não há disto: Comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (47): Um prato duriense, que se comia na Quaresma, "sável frito com açorda de ovas" (e que vai bem com o "Nita", da Quinta de Candoz, um DOC verde, branco, colheita selecionada, 2023, diz a "Chef" Alice)

29 março 2023

Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte IV (Laura Fonseca, amiga)



Quinta de Candoz  > 28 de julho de 2007 > A Nitas "apanhando um banho de sol". Foto: LG (2007)


Lisboa > Graça > Miradouro de Nossa Senhora do Monte > 21 de janeiro de 2019 > Da esquerda para a direita, Nitas, Alice e Laura. Foto: LG (2019)



Alfragide > Casa dos "man0s" Alice & Luís > 20 de janeiro de 2019 > A Nitas e a Laura. Foto LG (2019)


Quinta de Candoz  > Vindimas > 18 de setembro de 2020 >Da esquerda para a direita, Nitas, Alice e Mi. Foto LG (20020).


Vila Nova de Gaia > 20 de junho de 2019 > Na festa do casamento do Tiago e da Sofia > "Cantarolando o fado"... Da esquerda para a direita: Nitas, Alice e Mi. Foto do álbum de família (com a devida vénioa)


Porto > 18 de abril de 2018 > A Nitas com a neta, Carolina. Foto do álbum de família (com a devida vénia)...


1. Homenagem da amiga pessoal e da família, Laura Fonseca (professora universitária, reformada, Porto) (aqui reproduzida com a devida vénia) (*):

O que sempre vi e retenho da querida Nitas:

Em primeiro lugar, a Nitas era uma mulher intensa e que apreciava a vida vivida com
intensidade:
  • mulher que “da vida não queria só metade”
  • intensa no amor ao seu marido Gusto; aos seus filhos Filipe e Tiago; a sua menina/neta e seu menino/neto; aos seus irmãos e irmãs e sobrinhos; aos seus amigos e colegas;
  • intensa em viver a vida que poderia estar ao seu alcance;
  • intensa na generosidade;
  • intensa no cuidado de si e das suas coisas;
  • intensa no trabalho e no seu lugar profissional;
  • intensa nas relações de amizade;
  • intensa a congregar todos os que viviam à sua volta;
  • intensa na dedicação e no acolhimento;
  • intensa na alegria de viver;
  • intensa nas suas convicções;
  • intensa nos seus afectos

Em segundo lugar, a Nitas:
  • era uma mulher poderosa, concentrada e fazedora;
  • mulher que se mobilizava e sabia bem o que queria para si (e para os seus); 
  • sabia bem onde colocar as suas energias e forças;
  • mulher que tinha a sabedoria de determinar e prosseguir a sua vida;
  • a arte de saber criar o seu bem viver;
  • sabia alimentar as suas forças e convicções;
  • apreciava a festa e sobretudo apreciava fazer a festa;
  • apreciava a música, o canto, as festividades, as viagens…

Em terceiro lugar, a Nitas;
  •  era uma mulher de bem consigo e contaminada pela sua vida;
  • vivia satisfeita, apaziguada e de bem com a sua vida;
  • era uma mulher esmerada e que sabia bem o que valia, o que queria e gostava muito de si assim;
  • apreciava a sua estética, o seu fazer, a sua forma de vida;
  • sabia o que podia exigir de si e por isso desenvolvia e valorizava esse seu potencial.

Em quarto lugar, e por tudo isto, a Nitas era uma mulher inteligente e tinha a SABEDORIA para fazer bem e intensamente tudo o que apreciava. Sentia que tinha consigo e em si o melhor do mundo.

Contigo, Nitas, vivi bons momentos nestes últimos anos de saúde… senti o teu carinho, a partilha do que achavas belo e oportuno.

Tive o aconchego e um lugar à tua mesa e nas tuas casas, apreciava o prazer de te mobilizares para partilhar o que tinhas de melhor.

Pude apreciar os sabores dos teus petiscos e as tuas coisas boa e que fazias menção de partilhar,  senti bem a tua solidariedade e disponibilidade… em momentos difíceis.

Obrigada, sempre… sempre muito obrigada.

Laura Fonseca, Porto, 26 de março de 2023, 15h00

______________

Nota do editor:

(*) Vd. postes anteriores:

26 de março de 2023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte I (Luís Graça)

26 de março de 2023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte II (Maria José Barbosa, "Zezinha")

27 de maço de 023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte III (Tiago e Filipe, filhos)

26 março 2023

Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte I (Luís Graça)


Ana Ferreira Carneiro, a nossa querida Nitas, na sua casa da Madalena, Vila Nova de Gaia, em 19/6/2019, no dia do casamento do filho mais novo, o Tiago, mas já com o diagnóstico da doença, a mielodisplasia, quatro anos depois, iria estar na origem da sua morte. Deu-nos um extraoridnário exemplo de abnegação, resistência, vontade de viver, amizade e amor,


Foto (e legenda): © Luís Graça (2019). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Porto > Praça do Marquès > Igreja Senhora da Conceição >
6 de abril de 1974 >Casamento da Nitas e do Gusto




Porto >12 de agosto de 1979 > O Gusto e a Nitas:
batizado do primeiro filho, o Luís Filipe...


Fotos do álbum da família (com a devida vénia)



1. A Quinta de Candoz e a nossa família ficaram mais pobres, a partir de anteontem, com a morte da "Nitas"... De seu nome completo de casada, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, 15/1/1947 - Porto, 24/3/2023)

A engenheira  Ana Carneiro, carinhosamente conhecida por "Nitas", formou-se em 1973 (no antigo Instituto Industrial do Porto) e trabalhou desde então, e durante quase quatro décadas (até 2010), no ISEP - Instituto Superior de Engenharia do Porto, no departamento de Engenharia Química, Laboratório de Tecnologia Química.

Era irmã dos outros 3 sócios da Quinta de Candoz, Rosa, Alice e Zé. A segunda mais nova dos filhos do José Carneiro e da Maria Ferreira, era ainda irmã do Tó e do Manel.

Fez parte, já reformada, de vários grupos musicais (coros e cavaquinhos). Outro dos seus hobbies era a jardinagem.

Era casada com o Augusto Pinto Soares, "Gusto", economista, e gestor, reformado (coeditor do nosso blogue e o homem dos 7 sete ofícios da Quinta de Candoz).

Deixa dois filhos, Tiago, médico, e Filipe, inspetor tributário. E ainda dois netos, que muito a ajudaram a viver e a ter esperança: a Carolina (filha da Susana e do Filipe) e o João (filho da Sofia e do Tiago). Morava na Madalena, Vila Nova de Gaia.

As cerimónias fúnebres realizaram-se em dois locais:

(i) igreja do Padrão da Légua, São Mamede de Infesta, Matosinhos, com velório a partir das 18h00 do dia 24 de março, sexta-feira, e missa de corpo presente às 10h00, no sábado, dia 25;

(ii) seguindo depois o féretro para a sua terra natal, que ela tanto amava; o corpo desceu à terra por volta das 15h00, no cemitério da freguesia de Paredes de Viadores, Marco de Canaveses.


 


Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Festa da família Ferreira > 7 de setembro de 2013 > Juntou mais de 100 pessoas. A festa realiza-se desde meados dos anos 80 do séc. XX. A última tinha sido em 2011.

Neste vídeo mostra-se a exibição de um grupo de mulheres da família que cantam lindamente os tradicionais cantaréus da região do Douro Litoral (que só podem ou devem ser cantados pelas mulheres, nas vindimas, e estão hoje praticamente extintos, o termo aliás nem sequer está, lamentavelmente, grafado no Dicionário Periberam da Língua Portuguesa): Nitas, Mi, São (mulher do nosso violinista Júlio Veira Marques)... e Dolores Carneiro... A Nitas está de óculos escuros e xaile tradicional, e irradia uma fantástica energia. Ela adorava cantar e aprendeu a tocar cavaquinho, já depois de reformada.


Vídeo (1' 59''). Alojado em You Tube / Luís Graça (2013) (*)



2. Oração fúnebre dita na missa de corpo presente, na igreja do Padrão da Légua, Matosinhos, dia 25 de março de 2023, cerca das 11h00 (**):


Querida Nitas:

Hoje há lágrimas e suspiros. Hoje é o dia mais triste das nossas vidas. Agora que partiste para a tua última viagem, aquela que não tem retorno, há um nó na garganta que nos sufoca e não nos deixa dizer tudo o que nos vai na alma.

Sabes, na hora da morte dos que nos são queridos, as palavras de pouco nos servem de consolo. Escrevi-te tantos sonetos, quadras e outros textos poéticos, ao longo da tua vida, por ocasião dos teus aniversários e em outros momentos felizes que passámos juntos no seio das nossas famílias… Mas ficou, afinal, tanto por te dizer e partilhar contigo!...

Contra toda a evidência médica, fomos resistindo à ideia de te perder e fomos sempre alimentando a luzinha que, embora muito trémula, ainda era visível ao fundo do túnel, há uns meses atrás. Mas tu sabias que a vida te estava a escapar… não obstante a dedicação e a competência dos “anjos”, que no Hospital de São João, cuidaram de ti, a começar pelo teu hematologista, dr. Ricardo Pinto.

Recordo o que me escreveste, há um ano, agradecendo as palavras que eu te mandei, em meu nome e da tua mana Alice, por ocasião dos teus 75 anos. “Querido Luís: Quando partirmos para o outro lado do rio de Caronte, como tu dizes, o que fica para a posteridade, é o que tu escreves agora para nós… Tantas e tão lindas recordações. De nós pouco fica… Obrigada mais uma vez, a todos, por todo o carinho que recebo.” (Fim de citação).

Não, Nitas, de ti fica muito. Antes de mais, fica, em nós, uma saudade imensa. De ti, fica o teu sorriso luminoso, a tua grande bondade, a contagiante alegria de viver, a tua beleza interior, a tua gentileza, a tua fotogenia, o carinho com que tratavas as tuas plantas e flores na Madalena e em Candoz, o prazer com que ias para o coro e o cavaquinho, o orgulho, a ternura e o amor que tinhas pelo teu marido, Gusto, e pelos teus filhos Luís Filipe e José Tiago, o desvelo e o carinho que manifestavas pelos teus netos, e as tuas noras e a tua grande família: manos, cunhados, sobrinhos, etc.

Fica o exemplo extraordinário de abnegação e de resistência que deste ao longo de quatro anos de luta contra uma doença crónica degenerativa, cruel, irreversível, incurável, injusta. Tu não merecias este desfecho.

E fica o teu Gusto, sempre discreto mas eficiente e presente, sempre a teu lado, nos piores e melhores momentos, o Gusto, o teu grande companheiro de jornada, de estrada, o grande amor da tua vida. Fica o seu exemplo, para todos nós, de um extraordinário cuidador. Sem um ai, sem um ui, escudando-se muitas vezes na sombra, fora das luzes da ribalta, sem procurar protagonismo. Porque ele sabia que tu farias exatamente o mesmo por ele. Essa, sim, é uma grande prova de amor.

Fica ainda o exemplo do resto da tua família, que esteve sempre a teu lado, que soube ser carinhosa, fraterna e solidária na grande provação que foi a tua doença. Sem esquecer os teus bons amigos e antigos colegas, do ISEP - Instituto Superior de Engenharia do Porto e dos grupos do coro e do cavaquinho…

Na tua morte, querida Nitas, todos morremos um pouco contigo. Falo em meu nome, em nome dos meus e dos teus, e de todos os demais que muito te amaram e que te vão recordar pela vida fora. Prometemos nunca te esquecer enquanto ainda tivermos do lado de cá do rio. Também já temos a moeda para dar ao barqueiro Caronte que nos há de levar ao teu encontro, na outra margem. Até lá vamos falando contigo, mesmo por entre lágrimas e suspiros. 

Recusamos dizer-te adeus, até sempre. Apenas, adeus, até um dia destes, querida Nitas!

Luís Graça

12 abril 2020

A Páscoa do confinamento e da saudade

Queridos/as irmãs, irmãos, cunhados/as, tios/as, primos/as:

 

Dizem que a distância faz esquecer…

Talvez, se for prolongada no tempo.

Mas agora, não é distância, é confinamento,

que nos foi imposto por uma pandemia…

 

E logo hoje que é Páscoa,

festa maior da nossa gente de Candoz.

E logo hoje que não nos podemos abraçar nem beijar,

cada um de nós confinados nas nossas casas.

 

Esta dramática circunstância aviva a saudade,

que nos faz lembrar, e lembrar cada um de vós,

com quem gostaríamos de estar,

hoje muito em particular…

 

É Páscoa, é abril, é primavera,

não haverá compasso, nem arroz pingado, nem foguetes,

nem o ruído nem a alegria de um mesa grande e farta.

 

Mas, daqui, do Sul, da Lourinhã,  de Alfragide, de Lisboa,

comungamos da esperança de, em breve,

nos podermos voltar a encontrar

e  sabermos, de viva voz,

como é que cada um de vós “toureou o corno do vírus”…

 

Hoje é dia de alegria também

pelos cinco mesinhos de vida da nossa Clarinha,

que ainda nada sabe dos males do mundo.

 

Estaremos, em pensamento, convosco.

E desejamos que rapidamente a gente

consiga, individual e coletivamente,

sair bem deste tempo de ameaça e de clausura.

 

Um cesto grande de abraços, chicorações, beijinhos… 

com uma lagrimazinha devidamente “higienizada”…

Luís e Alice (Lourinhã), Joana (Alfragide), João e Catarina (Lisboa)

12/4/2020

14 setembro 2012

As nossas comidinhas (4): Anho assado com arroz de forno à moda de Candoz






"Coma,  que no céu não há disto" - costumava eu dizer ao meu velhote,  em vida... Um dia destes digo qual a é a receita das manas Rosa, Chita e Nitas, herdeiras dos nossos saberes gastronómicos... Porque o que é bom, é para se partilhar com os outros (cristãos e não cristãos)...

50 anos de casada vai fazer a Rosa. E temos festa rija no dia 20 de outubro!...

Este aninho já se foi, no passado dia 1 de setembro de 2012, antecipando a festa de aniversário do Zé, que é sempre no dia da festa do Castelinho...

O anho estava, como sempre, melhor do que o último... Para acabar as férias,  em beleza, como manda a tradição. Felzmente que aqui, com o Marão à vista, ainda mandam os que aqui estão, não os da Troika!

Fotos: Luís Graça (2012)

24 abril 2012

O nosso saudoso Luís Henriques (1920-2012), um amigo de Candoz


Lourinhã > Abril de 1999 > Luís Henriques (1920-2012) e Maria da Graça (n- 1922)


1. Texto de Luís Graça, publicado no jornal Alvorada, [Lourinhã,] nº 1103, 20 de abril de 2012, p. 26

Morreu o Luís Sapateiro (1920-2012), uma figura muita popular e querida da nossa terra 





Luís Henriques, mais conhecido por Luís Sapateiro, nasceu na Lourinhã em 1920. Homem de fé, morreu no passado domingo de Páscoa, dia 8, na Atalaia, no Lar e Centro de Dia de N. Sra da Guia, onde vivia desde 2008 com a esposa, Maria da Graça. 

 Filho de Domingos Henriques e de Alvarina de Sousa, ficou órfão de mãe, aos dois anos. Viveu nos primeiros anos de infância com a nova família do pai, que casou pela terceira vez. Ao todo teve uma dúzia de irmãos. Depois de feita a 4ª classe, o seu primeiro emprego foi como marçano na loja do fotógrafo e comerciante Manuel Lourenço da Luz, pai do fotógrafo António José da Luz (Foto Luz).

Aos 13 anos, terá uma nova família de acolhimento, a do seu tio materno, Francisco de Sousa (Fofa), músico e industrial de sapataria. Aprende o ofício de sapateiro. Aos 20 anos assenta praça nas Caldas da Rainha. Entre julho de 1941 e setembro de 1943, esteve como expedicionário na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde. A saudade da terra era mitigada pela presença de diversos lourinhanenses que pertenciam à mesma unidade. Do Mindelo escreve à sua namorada, futura noiva e esposa: Maria, minha cachopa,/ Não me sais do pensamento, / Tão logo saia da tropa, /Trataremos do casamento

De regresso à Lourinhã, faz sociedade com o seu irmão Domingos Severino. Abrem a sua própria oficina de sapataria, na Rua Miguel Bombarda. Casa, entretanto, em 1946. A 29 de janeiro de 1947 nasce o seu primeiro filho, Luís. Até 1964, terá ainda mais três raparigas: Graciete, Maria do Rosário e Ana Isabel. 

Atleta amador, joga futebol e é treinador das camadas juvenis, ao mesmo tempo que participa na vida associativa das diversas coletividades da sua terra, desde o Sporting Clube Lourinhanense (SCL) até aos bombeiros, a banda de música e a misericórdia e ainda as irmandades de N. Sra dos Anjos e de São Sebastião. Quando morreu, era de há muito o sócio nº 1 do SCL, coletividade que de resto sempre o acarinhou e o homenageou, tanto em vida como na morte.

Era um bom lourinhanense, muito querido e estimado por toda a gente. Espirituoso, bem humorado, com jeito para o improviso poético, definia assim a sua terra: Lourinhã, uma vila catita, / Bonita, sem vaidade,/ tem montras como uma cidade, / Mas também ninguém nos engana: / Ao fim de semana, / Sem sol, sem bola e sem missa, / É uma terra de preguiça… 



Trabalhador por conta própria, deu trabalho a muitos sapateiros. O seu negócio teve altos e baixos. Ainda está na memória de muita gente o local da sua última oficina, na Praça Coronel António Maria Batista, nº 9. Daí também o seu desabafo, sob a forma de parlenda popular: À segunda feira [o tradicional dia de descanso dos sapateiros] , o trabalho abunda; à terça, dor de cabeça; à quarta, trabalho à farta; à quinta, dança a pelintra; à sexta, o patrão é uma besta; ao sábado, o patrão arreliado… passa-se para o outro lado! 


Foi, além disso, um bom pai e um avô carinhoso. Tinha 12 netos e 5 bisnetos. Viveu pobre e morreu pobre, mas com dignidade, vítima de doença prolongada. Escreveu um diário (cerca de 500 páginas manuscritas) entre 2008 e 2011.

Os seus familiares e amigos mais próximos lembrá-lo-ão sempre como um homem simples mas único, que irradiava alegria de viver e boa disposição. Não deixa “obra feita”, como sói dizer-se. Mas o seu exemplo de generosidade, bondade e otimismo perdura para além da morte. Para os seus filhos, netos e bisnetos, foi um privilégio tê-lo como pai e avô. Para eles, foi e será sempre o melhor pai e avô do mundo.

Uma palavra muito especial de agradecimento é devida à direção do SCL e ao pessoal do Lar e Centro de Dia de N. Sra. da Guia, na Atalaia, bem como ao médico dr.Rui Martins. Mas também aos seus parentes, amigos, conterrâneos e vizinhos que se interessaram pelo seu estado de saúde e que o acompanharam até à sua última morada na terra, incluindo os elementos do Coro Municipal da Lourinhã, Rui Mateus, Moura, Quim Zé e Ana Mateus que no cemitério cantaram para ele a famosa e sublime canção alpina Signore delle cime (do italiano Giuseppe de Marzi, 1958). 

Texto e foto: Luís Graça.

24 agosto 2010

As primas do Marco vieram a Lisboa, ao CCB, ver os Melech Mechaya, na 4ª edição do Festival CCB Fora de Si 2010 (1)



Lisboa > CCB - Centro Cultural de Belém > Praça do Museu > Os Melech Mechaya,  na 4ª edição do Festival CCB Fora de Si 2010 (16 de  Julho a 29 de Agosto), 22 de Agosto de 2010, 22h00...

Vídeo (3' 57''): Luis Graça (2010). (Gravação com permissão do grupo...)




A tia Alice observando o cartaz á entrada do CCB - Centro Cultural de Belém... Festival CCB Fora de Si 2010, na Praça do Museu, 22 de Agosto de 2010, Domingo, às 22h00,  espectáculo com os Melech Mechaya onde toca (violino) (e canta e encanta o primo João)...

"Melech Mechaya é uma viagem festiva pela música klezmer (música tradicionbal judaica) que reúne ainda a energia da música balcânica, a cadência dos ritmos ciganos e a elegância das sonoridades árabes"...



O palco do espectáculo, CCB, Praça do Museu... por volta das 21h00

Actuação do grupo, que tocou músicas conhecidas do seu disco Budjabá e um novo tema, da sua criação

Um aspecto (parcial) da assistência... 

O Meco, a Mariana e a Vera... Em segundo plano, a Inês... A escala de Lisboa é outra, queridas primas...


As primas, a Mariana e a Inês, mais o pai, o Meco; em segundo plano a tia Alice (que vive em Alfragide)... Tudo o mundo dançou que se fartou...Mas o fotógrafo não registou esses momentos porque estava a gravar o espectáculo...



A tia Alice com um casal de amigos, o Fernando e a Goretti (que costumam passar férias na Lourinhã)

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2010). Todos os direitos reservados


23 agosto 2010

Margarida Peixoto: Um hino à amizade

1. Mensagem da Margarida Peixoto (que foi professora primária em Passinhos, em 1972), enviada no dia dos anos da Alice:

Boa amiga Alice:

PARABÉNS!

Há uns anos atrás uma nova vida surgiu algures, lá para os lados de Marco de Canaveses... Candoz oi presenteado com uma perolazinha pequenina, que foi crescendo, crescendo em tamanho, bondade, delicadeza... e tantos outros adjectivos cheios de grandeza e profundidade!...

Quis o Destino, que alguns (muitos!...) anos depois nos conhecêssemos e,  sem podermos dar uma explicação plausível, nasceu uma amizade intensa.

Hoje, neste dia tão especial, além de querer desejar os "banais" Parabéns, quero referir a importância que teve para mim este conhecimento.

Nem queria acreditar, que já na casa dos 60, quando tudo parece terminado, quando acabamos de crescer, de perdermos o tempo com preocupações muitas vezes sem sentido, vemos os dias correr um pouco nublados uns iguais aos outros... Eis que encontramos alguém que nos faz reviver o passado e termos vontade de gritar bem alto: "A vida está aqui, agora, não no futuro, nem no passado." ESTÁ  AQUI AGORA!

Cada etapa é linda de se viver.

Cada ano traz um colorido diferente, formando uma tela, tão maravilhosa, que nem Miguel Ângelo, Picasso, Renoir... ou  qualquer outro ilustre ARTISTA, poderia dar melhor colorido ou sentido à vida! Pois cada tela representa para cada um de nós, a vida que vivemos e ainda viverremos.

Neste dia, nesta hora, quero desejar áàminha boa Amiga que a tela da vida esteja sempre com cores garridas e quentes, que quando por qualquer motivo, elas se tornarem mais suaves e frias, não faz mal,
pois a vida é uma roda que gira, gira e logo surgirão as cores mais fortes para levantar o "ego"....

Obrigada por estares presente na minha vida para me fazer sorrir mais vezes.

Daqui envio uma "margarida" e em cada uma das suas pétalas vai o desejo sincero que todos os teus sonhos sejam realizados e mesmo no centro, no "olhinho" da margarida , olha bem..... Um raio de Sol abriu para
te abraçar e dizer - te apenas: FELICIDADES,  PARABÉNS!

Da Margarida

Um abraço do  Carlos Peixoto

2. Comentário da Alice:

Querida Margarida:

Achei tão lindo o teu texto!... Por um lado, tive vontade de o publicar imediatamente no nosso blogue, para o dar a conhecer à minha família, aos nossos amigos e vizinhos... Mas, por outro lado, também experimentei, logo a seguir, um sentimento de pudor: não, aquela "perolazinha" (que tu pões a nascer e a crescer em Passinhos) não poderia ser eu... Fico constrangida quando recebo um elogio, penso sempre que é excessiva e que não o mereço... Coisas minhas... Rapidamente superei essa ambivalência de sentimentos e, com o encorajamento do Luís, aceitei que a tua mensagem de parabéns pelo meu 65º aniversário pudesse ser partilhada no blogue A Nossa Quinta de Candoz.

A tua mensagem é um verdadeiro hino à amizade, está tão bem escrita e revela a sensibilidade da grande mulher, pedagoga e agora pintora que tu és!... Que melhor prenda de anos poderia eu ter recebida de uma amiga senão esta confissão sincera de que o nosso encontro em 2009 (algo casual, a reboque dos nossos maridos) está na origem de uma bela amizade que está a dar maior cor e mais vida à sua própria vida ?!

Para mim é também um motivo de orgulho e um privilégio ter-te na minha lista das "amigas favoritas". Obrigada pela magnífica "margarida" que recebi no dia 18! Um doce beijinho. Um xicoração para o Carlos (o Luís manda-lhe um Alfa Bravo que, em linguagem da tropa, quer dizer abraço).
Alice

06 abril 2010

Parabéns, querida Joana!


















Imagens de Candoz, da Serra de Montemuro e de Porto Antigo, em dia de Páscoa,. 4 de Abril de 2010... A pensar na Joana que faz anos a 6 de Abril, e que desta vez não pôde vir connosco.

Fotos: © Luís Graça (2010). Direitos reservados


Se não tivesses nascido… 


Se não tivesses nascido,
A tua mãe não seria a mãe mais feliz do mundo
Nem o teu pai o pai mais babado do planeta,
No dia 6 de Abril de 1978…

Se não tivesses nascido,
O João não seria o mesmo João que é hoje,
Orgulhoso da sua mana mais velha.

Se não tivesses nascido,
A Fada Oriana e os seus amiguinhos da floresta
Não teriam a mesma graça
Nem o mesmo encanto.

Se não tivesses nascido,
Não terias comido gelado ao copinho
Nem a tua mãe teria ouvido a mais bela declaração de amor
Que uma mãe pode ouvir em vida:
- Mamã, gosto mais de ti
Do que gelado ao copinho!

Se não tivesses nascido,
Não teríamos conhecido as alegrias e as tristezas
Do nascer e do crescer desse ser maravilhoso
Que és tu.

Se não tivesses nascido,
As flores do nosso jardim em Candoz
Não sorririam nem falariam para nós,
Como sorriem e falam
Nos dias solares.

Se não tivesses nascido,
O sol e a lua decerto não namorariam
Nem viveriam tão perto de nós.

Se não tivesses nascido,
Nunca teríamos o conhecido o pânico
De te ter perdido no meio da multidão.
Nem a alegria de ouvir, no altifafalante:
- Encontrou-se uma menina,
que diz chamar-se Joana
e que se perdeu dos seus pais.

Se não tivesses nascido e crescido,
Nunca terias ido para longe
Nem nunca regressarias de longe,
E a gente nunca saberia
O que era ter saudades tuas.

Se não tivesses nascido, crescido e adoecido,
A gente nunca teria estado à tua cabeceira,
A medir-te a febre,
A pôr-te compressas frias na cabeça,
A ouvir-te em sonhos e delírios,
A ouvir-te, simplesmente.

Se não tivesses nascido…
Nunca serias a nossa Joaninha,
A crisálida, a borboleta,
Depois a Joana,
Adulta, madura,
Sem mais adjectivos possessivos
Nem qualificativas.
A Joana, psicólogo, ilustradora,
Pintora, escritora.
A Joana, simplesmente mulher,
32 anos feitos hoje,
De alma cheia
E corpo inteiro,
Que sorri para a vida
E tem janelas abertas para o futuro.

Desculpa se a gente às vezes se distrai
E te chama nossa, a nossa Joana.
Como se a gente te quisesse só para nós…

Se nasceste,
Foi para tornares o mundo mais habitável
E colorir a vida.
Se nasceste,
Foi para seres feliz
E fazeres os outros felizes.
(Claro, reclamamos a nossa quota-parte
Da tua felicidade…).

Parabéns, querida Joana!

Os teus pais, Luís e Alice,
E o teu mano João,
No dia da tua festa,
6 de Abril de 2010.

01 março 2010

Gusto, 63 anos... é meia vida! Parabéns... Não estamos velhos, os nossos filhos é que cresceram!


Gouveia > Folgosinho > Agosto de 1996 >  Vê lá se conheces este par tão fotogénico ?.. Junto à fonte da aldeia onde há inúmeras quadras populares em azulejo... "Água e mulher só boa se quer": diz ele para ela...  (Ele, sempre arisco, fugindo aos paparizzi; ela, sempre receptiva à pst! pst! do fotógrafo de serviço)

Gouveia > Folgosinho > Agosto de 1996 >  Nada como o verão, e as férias, para se dar atenção às pequenas/grandes coisas da vida...  Em 1996, já tínhamos dobrado o Cabo do Meio Século...


Porto > 6 de Março de 1979 > Ainda usávamos cabelo comprido e aprendíamos o jeito de ser pais...Tu aqui (que trenura!)  com o pequeno Luís Filipe, o primogénito, nascido a 7 de Janeiro desse ano... Tinha aqui dois meses...

Candoz > Natal de 1984 >  Éramos vinte cinco anos (um quarto de século!) mais novos e até sabíamos tocar acordeão e contar histórias à canalha... Da esquerda para a direita: tu, qual mágico, com o teu acordeão encantatório, o João (com 11 meses), a Joana (6 anos), o Filipe (5 anos, o Pedro (7 anos) e o lourinho do teu Tiago (com 3 anos)... Na velha cozinha da velha casa em cima da qual haveríamos de construir o nosso actual casarão... Há quanto tempo!... Pois é, foi no século passado... Estávamos a um passo de entrar na Cê Éi É...

Candoz > Natal de 1984 >  Divertida, a canalha... Já não me lembro a modinha que tocavas, mas eram sons, alegres, do Norte... Sempre gostei de te ver e ouvir tocar o acordeão... (Sei que o tens agora  arrumado no sótão das velharias! Que pena....).


Óbidos > Agosto de 1985 > Fazíamos sempre férias em Agosto... Era quando a fábrica fechava... Para os putos era o melhor mês do ano... Fizemos umas belas férias juntos,  estes anos todos, em que os putos ainda andavam às nossas cavalitas... E até levámos as sobrinhas que nos calharam na rifa: neste caso, a Susana, que é hoje uma senhora enfermeira e mãe de três robustos rapazes...




Candoz > Páscoa 1992 > Já não nos sentamos nesta pedra nem à sombra desta latada... E temos saudade de quem partiu, o patriarca José Carneiro (à esquerda) e a nossa querida sogra, Maria Ferreira, sem esquecer a tua querida mãe... A meio,  o meu velhote, que dificilmente voltará a Candoz (prestes a fazer 90 anos, em Agosto)... E o teu puto, o Tiago, sempre curioso, partilhando a leitura do Record e discutindo coisas da bola... Era a época, segundo creio, em que ele tinha como ídolo o Vitor Baía... (Espero que ele nos "veja", lá do outro lado do mundo, na Nova Zelândia, onde está de férias...).



Lourinhã > Praia de Valmitão > Agosto de 1985 >  Uma foto rara... Dificilmente te apanharia, na praia, em calções, alguns anos mais tarde... O que faz ser pai de putos pequenos!



Não, não foi no México!... Foi na Madeira, em Agosto (claro) de 1990!



Alugámos um carrão e percorremos a ilha de lés a lés, quatro adultos, quatro putos... Ainda a Madeira não era um queijo suíço... Não reconheceria a tua mulher se não estivesse ao lado da irmã, que é a minha cara metade... Que elegante que estava a Nitas nessa época!... Afinal, tínhamos todos 43 anos, tu, ela e eu, que a Alice leva um ano e meio de avanço... (Em férias, a Alice  insistia sempre em dar-te a "regueifa", ou seja, o volante do carro, coisa a que nunca te fazias rogado... Eu, pela minha parte, gostava de andar à boleia...).




Uma cena campestre, algures em Espanha, ou melhor na vizinha Galiza (aonde íamos com alguma frequência, com passagem por Vigo, para o marisco...)... Agosto de 1992... Depois do piquenique, a siesta... Nas gargantas do Sil, afluente do Rio Minho, perto de Orense (a legenda na foto é tua)... Na ponta do lado direito, o Pedrocas...





Bragança > Parque Natural de Montesinho > Montesinho > Casa-abrigo >  Agosto de 1992 > As férias foram sempre, para todos nós, incluindo os putos, uma janela para o mundo, para descobrir coisas novas, outras gentes, outras culturas, outros cheiros, outros sabores, outras cores, outras texturas, outro imaginário... (Lembras-te ? Chegámos à noite e fomos comprar pão quente e alheiras da terra... No dia seguinte, estavas para morrer, quando o estômago às voltas!... Ou era a maldita úlcera, de que finalmente conseguiste livrar-te há poucos anos atrás,  ao fim de que quarenta e tal anos de sofrimento e estoicismo, como eu nunca vi  em ninguém!)...





Espanha > La Coruña > Agosto de 1992 > Que bem comportadinhos que eles eram...



Bragança > Rio de Onor > Agosto de 1992 > Casas da aldeia, comunitária,  que nasceu dos constrangimentos da economia agro-pastoril de montanha, e que foi objecto de estudo de antropólogos como o Jorge Dias  ou o Joaquim Pais de Brito (meu prof e amigo)... Na foto, o Pedro, a Joana e o Filipe. O boi do povo, com a sua tonelada de carne e músculos, foi a vedeta, para os putos, pré-adolescentes...




A verdade é que eles (e ela...) cresceram, cresceram, sem a gente quase se dar conta...


Nessa época, só queriam hotéis com piscinas...




Candoz > Vindimas 1996 > E em Setembro, voltávamos ao trabalho...Na Quinta, eram as vindimas... Estas eram (e são) a minha mãe, Maria da Graça,  mais as assalariadas Alice e Zezinha.

Candoz > Vindimas 1996 > Este era (e é) o nosso querido Quim, quando jovem...

Candoz > Vindimas 1996 > Este era (e és) tu... Com mais cabelo...




Candoz > Vindimas 1996 >  Foto de família... Em Setembro, vinham as canseiras e as alegrias da vindima... Era a festa, o centro do equinócio de verão... Em 1996 éramos uns tantos, faltavam muitos mais... Em primeiro plano, o Manel, de cócoras; na segunda fila, da esquerda para a direita, os meus pais, a Mi, a Zeza, a Nitas, a Joana, o João, o Zé; na terceira fila, o Joaquim, o Miguel (marido da Cristina), o Miguel, a Alice, o teu pai, tu e o Zé do Chelo...


E voltamos ao princípio da história... Encontrámo-nos porque casámos com duas manas de Candoz, tu, nortenho, com a Nitas, que te deu dois belos rapazes, que são o teu orgulho de pai, o Filipe e o Tiago; eu, sulista,  com a Alice, que me deu uma Joana e um João... Falta aqui a nossa sócia e cunhada, Rosa, e o nosso outro sócio e também querido cunhado, Zé... Na foto, está cá o filho, Pedro, o Pedrocas, que sempre tratámos como nosso menino também... E está cá a nossa querida Carmen, mãe do Pedro, que partiu bem cedo, injustamente cedo,  desta vida, em 1992... Claro que falta cá muito mais gente (não vou enumerar a família toda, que é extensa, mas que, por certo,  estará hoje na tua festa, em espírito ou fisicamente, a começar pelo teu irmão Zé e a Berta, a quem envio um abraço, daqui, de Lisboa). 

A Carmen é a  primeira, do lado esquerdo, vestida de vermelho, sempre bem  produzida (como se diz aí no Norte)... A foto já não sei quando nem onde foi tirada... Tem seguramente muitos muitos anos, foi no século passado, quando ainda éramos todos muito jovens... Talvez em 1988...O sítio ? O Museu de Serralves,  um magnífico espaço que o Porto tem e os mouros de Lisboa invejam... (ou diria, admiram).

Espero que tenhas gostado desta pequena viagem de regresso a um passado, afinal recente, de que pessoalmente guardo as melhores recordações. Devo dizer-te que é um privilégio ser teu amigo e cunhado. Teu e da Nitas. Tu és o mais novito de nós,  os três, que nascemos em 1947, mas a partir de hoje estamos quites. Comemorámos juntos os 50 anos, lembras-te ? No Tromba Rija... Também no século passado... Espero poder bisar essa efeméride,  contigo, a Nitas, e a Alice, os nossos putos, netos e bisnetos. E os amigos, claro!

Que tenhas um grande dia, e sobretudo muita saúde para a segunda parte do filme de que és o actor e o herói, o filme da tua vida!  Um grande abraço. Luís

PS - Aproveitando a boleia, a Alice, a Joana e João mandam-te também muitos chicorações. 

Fotos: © Luís Graça (2010). Direitos reservados