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08 setembro 2025

Aos 77 anos do Zé: "Erguemos a taça à tua, / Que a saúde está primeiro, / Sete sete é capicua, / Viva o nosso Zé Carneiro!" (AQlice e Luís)


Marco de Canveses > Candoz > s/d > José Ferreira Carneiro, nascido em 8 de setembro de 1948, dia da festa de Nossa Senhora do Castelinho,  na quinta de Candoz, Peredes de Viadores, Marco de Canaveses. Entre Douro e Minho, Portugal. Produtor-engarrafador de vinho verde.  



Lourinhã > Praia da Areia Branca > 18 de agosto de 2025 > O Zé na festa de aniversário da mana Chita (que fez 80). São agora os manos mais novos da família Ferreira Carneiro,

Fotos (e legendas): © Luís Graça 2025). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


É o nosso mano querido, José Ferreira Carneiro, o nosso Zé, 
faz anos hoje, 8 de setembro,
 77 anos, uma capicua. 

Nasceu em 1948, na festa da Senhora do Castelinho.
Tem um filho, Pedro, e um neto, Diogo.  
A primeira esposa morreu, cedo, 
Carmen, mãe do Pedro. 

Voltou a casar, agora com a Teresa.
Vive com ela (e a sogra, a Dona Olinda) em Matosinhos.
São Mamede de Infesta, Padrão da Légua.

Trabalhou nos seguros. 
Está agora reformado. 
Também foi técnico de gás, como trabalhador independente. 
É um jeitosinho, um homem dos sete ofícios.
Ainda aprendeu, com o pai, a arte de ramadeiro.
Mas não ficou na terra, 
o apelo da cidade, a Invita, o Porto, era maior.
Lá podia estudar e fazer-se homem.
Hoje já tem Gmail, 
como qualquer português que se preze.
Mas não faz parte da Tabanca Grande,
até porque não esteve na Guiné.

Foi às sortes,  fez a tropa.
Foi parar ao Norte de Angola, em 1970/72, 
como 1º cabo de transmissões, 
numa companhia mista, de metropolitanos e angolanos. 

Não fala da guerra colonial. 
Não fala com emoção. 
Passou, passou, o tempo da tropa e da guerra.

Gostou de Camabatela e de Luanda. 
Andou na região do café, com a sua companhia 
a guardar as costas dos grandes fazendeiros do café. 

O que ele mais adora é vir trabalhar na Quinta de Candoz, 
onde nasceu.
Duas vezes por semana.
Trabalhar é limpar bordas,
é podar videiras,
é sulfatar,
é aparar carvalhos e castanheiros,
é sachar, é cavar, 
é tratar da horta, dos tomates aos pimentos,
é regar,
é rachar lenha,
é limpar as minas,
é manter o sistema de rega,
é fazer o vinho,
é cuidar das cubas de inox,
é engarrafar,
é pôr, com muito carinho, o rótulo "Nita" nas garrafas...
é tudo isto e maisd outras mil e um coisas,
que ele não é de capinar sentado.
E é legalmente o produtor-engarrafador do nosso vinho "Nita".


Adora os manos (Tó e Manel, mais velhos) 
e as manas, Rosa (a mais velha), Chita e Nita (que já faleceu). 
Ele é o mais novo de seis.  O caçula- 
É trabalhador, é leal, é alegre, é efusivo, é generoso. 
Tem às vezes azar com o "esqueleto". 
Já foi operado à coluna. 
Devia ter mais cuidado com os trabalhos pesados... 
Mas é um "mouro de trabalho". 
Não pode estar parado. 
Anda agora com um colete, porque partiu uma vértebra. 
Estar parado não é com ele. 
Está infeliz porque agora vão ser as vindimas, 
e o médico não o deixa fazer disparates. 
Os mais novos que trabalhem. 
Daqui as duas semanas estará pronto para outra. 

Fizemos  umas quadras, uns versinhos. 
De parabéns. 
Que ele bem precisa,  para levantar o ânimo. 
E bem merece. 
Afinal, ele é o melhor de todos nós.
 

Aqui vai, com todo o carinho, umas quadras para o nosso Zé,
que tem direito a festa, alegria, rancho melhorado
... e ânimo no dia dos seus 77 anos 
(para mais uma capicua!):


José Ferreira Carneiro,
setenta e sete a contar,
és mano, és companheiro,
sempre pronto a ajudar.

Na guerra foste valente,
calhou-te Camabatela,
nunca estiveste doente,
nem lá partiste a costela.

Homem bom, leal e forte,
não querias ser lavrador,
não te podes queixar da sorte,
tens família, tens amor.

Rebento da melhor casta,
Dos Ferreira e Carneiro,
Um dia passas a pasta
Ao teu Pedro, engenheiro.
 
Agora estás no estaleiro,
com o colete a apertar,
logo voltas ao terreiro,
ainda há muito p'ra vindimar.

Responde, contente, o Zé
com o seu jeito brincalháo:
“Hei de morrer de  pé,
Sou um mouro dum cabrão!"

Mouro só a trabalhar,
Que no resto é azul e branco,
Passa o tempo a chorar
Por andar agora manco.

"Com a vindima mesmo à porta,
E eu não me posso agachar,
Com esta coluna torta,
Nada faço, nem cantar."

Ao médico, obedece
Não nasceste p´ra morrer,
Nada de freima ou stresse,
Quem trabalha é p'ra viver.

Esta idade ninguém ta dá,
Nem com brancas no cabelo,
Sê feliz agora e já,
Sê Carneiro, e não... Camelo!

Erguemos a taça à tua,
Que a saúde está primeiro,
Sete sete é capicua,
Viva o nosso Zé Carneiro!
 
 
Brinde:

Setenta e sete anos,
 uma vida cheia de trabalho, de generosidade e de amor.
De amor  à  sua família, 
e à nossa família alargada, de Candoz.

É o mais novo dos nossos manos,
mas sempre foi um exemplo de força, de alegria e de companheirismo.

Mesmo quando a saúde lhe prega partidas, 
nunca perde o sorriso  nem a vontade de ajudar.
Por isso, ao Zé e aos manos, 
mas também  ao Pedro, ao Diogo, à Teresa, à Dona Olinda, 
e a todos nós, aqui presentes,   levantemos  o copo!...

Ao nosso Zém afinal, não falta nada:
tem anos, tem família, tem alegria… 
só às vezes lhe falta juízo, 
porque o médico mandou-o descansar, por quatro semanas,
e ele já quer é ir para vindimas!

Brindemos a ele, 
que descanse muito por agora, 
que recupere a saúde, 
que beba um copo do nosso vinho
 e que dure... pelo menos até aos aos cem!

 Viva o nosso Zé!

Candoz e Matosinhos, 8 de setembro de 2025, Alice e Luís
 
 

31 agosto 2019

35 anos: 6º festa da Família Ferreira, 31 de agosto de 2019.. e já está marcada a próxima, 29/8/2020


Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Sitio da N. Sra. do Socorro > 31 de agosto de 2019 > Cerca de um centena de membros da família Ferreira participaram no seu 6º encontro anual (que se realiza desde 1985).








Marco de Canaveses > Penha Longa e Paços de Gaiolo > Fandinhães > Rota do Românico > 35. Capela de N. Sra. da Livração de Fandinhães (c. meados séc. XIII)

"Hoje titulada Capela da Senhora da Livração, a antiga Igreja de São Martinho de Fandinhães constitui um verdadeiro enigma. Quando o visitante se aproxima, vislumbra o que parece ser um edifício arruinado. A tradição refere o seu desmantelamento e a documentação não o contradiz. As escavações arqueológicas (2016) confirmam-no por terem identificado os alicerces das paredes norte e sul da nave, na continuação do atualmente visível à superfície.

"Aqui se cruzam várias influências românicas. As figuras apoiadas em folhas salientes no portal encontram-se também nas Igrejas de Travanca (Amarante) e de Abragão (Penafiel). No adro veem-se vestígios de uma cornija sobre arquinhos, motivo comum no românico da bacia do Sousa, que a esta chegou via Coimbra. Os toros diédricos nas frestas evidenciam a influência portuense, provinda da região francesa de Limousin. As "beak-heads" [cabeça de animal com um bico proeminente] na fresta lateral sul lembram a influência do românico beneditino do eixo Braga-Rates.

"Embora a maior parte dos cachorros exiba motivos geométricos, um deles apresenta um exibicionista, figura masculina representada nua e com a mão direita sobre os órgãos genitais, motivo encontrado na Igreja de Tarouquela (Cinfães).

"No adro, duas tampas sepulcrais: uma com a representação de uma espada e outra com uma cruz inscrita." (Fonte: Rota do Românico > Capela de Nossa Senhora da livração de Fandinhães, com a devida vénia...)


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2019). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Pode vir a ter, talvez, no futuro,  algum interesse, documental, para a sociologia e a história da família em Portugal, as festas de família que se realizam anualmente, um pouco por toda a parte, no verão, no nosso país. 

Afinal, porque é que as famílias se encontram ? Para se conhecerem (os mais novos), para voltarem às "raízes" (os que vivem na cidade ou no estrangeiro), para matarem saudades (os que estão longe), para partilharem memórias e afetos, para recuperarem sabores e cheiros da infância, para reforçarem lacos de parentesco e aliança, para exercerem a arte do dom (a obrigação de dar, receber e retribuir), para dizerem bem e mal uns dos outros, para fazerem as pazes e enterrarem o machado de guerra, para conviverem, para se divertirem... afinal para celebrarem a vida e exorcizarem o medo da doença, da incapacidade, da dependência, da solidão,  da infelicidade e da morte...

É o caso da família Crispim & Crisóstomo (, que os nova-iorquinos João e Vilma Crisóstomo têm vindo a animar, no verão, em Paradas, A-dos-Cunhados, Torres Vedras, sempre que vêm a Portugal). Ou é o caso da família Ferreira, que tem o seu núcleo duro em Candoz, Tabanca de Candoz,  Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, a que o nosso editor, por casamento, com a Maria Alice Ferreira Carneiro (n. Candoz, 1945), se veio aliar em 1976, já lá vão mais de 4 décadas.

A família, alargada, da Alice (, que é Ferreira, do lado materno, e Carneiro, do lado paterno, ) reíne-se há 35 anos, no verão. Anteontem, dia 31 de agosto, juntaram-se  4ª gerações dos Ferreira e ficaram em comunhão espiritual com mais outras 4, que nasceram e cresceram nestas terras da bacia do Tâmega e Douro, pelo menos desde 1820.

O primeiro encontro foi a 29 de setembro de 1984, em Fandinhães, Paços de Gaiolo, terra antiquíssima, freguesia do extinto concelho de Bem-Viver, onde nasceu toda a 4ª geração, incluindo a Maria Ferreira, mãe da Alice e avó do João Graça, nossos grã-tabanqueiros.




Marco de Canaveses, Paços de Gaiolo, Fandinhães > 1984 > 1º encontro da família Ferreira > Ainda eram vivos os três casais da 4ª geração: António Ferreira ("Vitorino") e Amélia Rocha (com residência no Alto, Paredes de Viadores), Maria Ferreira e José Carneiro (Candoz, Paredes de Viadores) , e Ana Ferreira e Joaquim Cardoso (Cacia, Aveiro)...

Fonte: A Anossa Quinta de Candoz (2011)



O segundo encontro, no ano seguinte, em 1985, foi na serra de Montedeiras, no respetivo parque de merendes (, pertencente atualmente à freguesia de Sande e S. Lourenço do Douro, Marco de Canaveses). Enfim, perto de Fandinhães.

Por causa dos sucessivos "lutos" (, dos que morreram na sua idade, e dos que decidiram apressar a morte, e já foram três ou quatro!)
, os encontros interromperam-se, a partir desse ano, só se realizando o terceiro, em 10 de julho de 2011, em Paredes de Viadores, no parque de merendas da igreja de N. Sra. do Socorro.

O quarto seria no mesmo local, dois anos depois, em 7 de setembro 2013; o quinto em 25 de agosto de 2018 e, agora, o sexto, em 31 de agosto de 2019. E o 7º já está marcado para 29 de agosto de 2020, sábado. 


35 anos depois do primeiro, parte da família (os mais novos...) ainda não tinha nascido.

Da geração nascida em Fandinhães, a 4ª (a contar de 1820), para além da Maria Ferreira (1913-1995), havia ainda os manos António Nunes Ferreira (1910-1990), Rosa Ferreira (1915-1960) e Ana Ferreira (1917-1995), todos filhos de Balbina Ferreira (1876-1938), casada com José Nunes Ferreira (,de alcunha ‘Vitorino’) (1875-1948).

O mais antigo Ferreira, até agora conhecido, é o avô da Balbina Ferreira, o João Ferreira(1821-1897), casado com Mariana Soares (1822-1895) (,considerada a 1ª geração), portanto bisavô da Maria Ferreira, trisavô do António Ferreira Carneiro e tetravô das suas filhas (que são 4: Paula, Becas, Suzana, Romi) e pentavô dos filhos destas (que ainda não têm filhos)... E  hexavô dos bisnetos da Rosa (1) e da Lena (2)...


São estes as antepassados comuns, da família Ferreira, de Fandinhães, os conhecidos, por documentos escritos, os mais antigos, donos das terras de Candoz e Leiroz: João e Mariana tiveram 6 filhos, 3 Ferreira e 3 Soares...

Enfim, quando se completar a árvore genealógica, ir-se-á descobrir que uma vulgaríssima família como os Ferreira é naturalmente muito mais velha, tão velha como qualquer outra família portuguesa aqui destas terras onde nasceu Portugal... (Não é por acaso que a rota do românico passa sobretudo pelos vales do Sousa e do Tâmega).
































Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Sitio da N. Sra. do Socorro > 31 de agosto de 2019 > 6º encontro da família Ferreira > Os elementos da festa...o pão, o vinho, a alegria, a música, a reinação, as cantigas à desgarrada, a dança, as crianças, oa adolescentes, os pais. os avós e os bisavós...Cada "família" trouxe o seu pestisco, que foi partilhado à mesa... Era já noitinha quando arrumou o trouxa e voltou às suas casas, uns mais perto, outros mais longe, com vontade de voltar no próximo ano, em 29 de agosto de 2020. Afinal, a vida são dois dias e a festa da vida deviam ser três... 

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2019). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



No sábado passado, no, 6º encontro, marcaram presença cerca de uma centena de membros da família (, não couberam todos na fotografia que acima se publica):

(i) representantes da 5ª geração (a contar de 1820) (ou 4ª, a mais velha das gerações vivas), como o "mano mais velho", o António Ferreira Carneiro (n. 1939), o "brasileiro", filho de Maria Ferreira e José Carneiro (1910-1996), ; tudo gente na casa dos 70/80;  vários membros desta geração foram mobilizados para a guerra colonial / guerra do ultramar (Angola, Guiné, Moçambique): é o caso do "mano mais velho" da Tabanca de Candoz, o António, que esteve em Moçambique(1964/66), onde foi ferido gravemente...

(ii) Representantes da 6ª geração (ou 3ª geração das 4 que estão vivas), como as filhas (quatro) do António e da Graça; tudo gente na casa dos 40/50;

(iii) Representantes da 7ª geração, a dos netos do António e da Graça; tudo gente na casa dos 10/20/30...

(iv) E já temos gente da 8ª geração: por exemplo, a matriarca Lena, rima da Alice,  trisnetas de João ferreira e Mariana Soares, sendo  a mais velha dos Ferreira vivos,  (n. 1935,  já é duas vezes bisavó);

Da 4ª geração, os pais da Alice, gente que hoje teria mais de 100 anos, não temos infelizmente já cá ninguém. Mas estão cá os seus descendentes:

(i) O mais velho era o António Nunes Ferreira, o ‘Vitorino’, o "brasileiro", que nasceu em 1910 e casou com Amélia Rocha, pais da Lena e outros;

(ii) A mais nova era a Ana Ferreira, nascida em 1917, e que casou com Joaquim Cardoso; tem netos e bisnetos no Brasil, que este ano não virão,mas também no Porto, em Aveiro,  em Leiria...

(iii) As do meio eram a Maria Ferreira, que casou com José Carneiro; tiveram seis filhos, incluindo a Alice, que vive hoje na Lourinhã;


(iv) e a Rosa Ferreira, que casou com o José Vieira Mendes…

 
Em 2019, no 6º encontro, estava previsto publicar-se um livrinho com a árvore genealógica da família Ferreira, em edição revista e aumentada… Mais as receitas das nossas "comidinhas", as letras e as músicas das nossas "tunas rurais", bem como os "cantaréus"... Mas não tempo para tudo... Fica para o ano...

Este ano, como é habitual, não faltaram os comes e bebes, a música, a poesia, os afetos, a alegria, a dança, as paródias, as cantigas à desgarrada, a reinação,,, 

Por mera curiosidade, e para os leitores interessados, aqui ficam às quadras populares que o poeta da Tabanca de Candoz escreveu para a ocasião...



1.
Em Paredes de Viadores,
Temos encontro anual,
Os pequenos e os maiores
Da família Ferrei…ral!

2.
Da família Ferrei…ral,
Vivos são quatro gerações,
Quem veio é bestial,

Quem não veio tem suas razões.

3.
Quem não veio tem suas razões,
Saúde, amores, dinheiro,
P’ra eles xicorações,
… Mas não dançam no terreiro.

4.
Mas não dansam no terreiro,
Só dançam os qu’ aqui ‘stão,
Os do Porto e os d’ Aveiro,
Mais os de cá do Marão.

5.
Mais os de cá do Marão,
De Montemuro e da Abob’reira,
Do Brasil não virão,
E da Lour’nhã, a vez primeira.

6.
E da Lour’nhã, a vez primeira,
Os tios Alice e Luís,
Ela é Carneiro e Ferreira,
E vai ser uma avó feliz.

7.
E vai ser uma avó feliz,
Entrando p’ró clube dos avós,
É a Rosa quem o diz,
Lá na Quinta de Candoz.

8.
Lá na Quinta de Candoz,
Deu o bicho carpinteiro,
A notícia correu veloz,
Anda tudo muito foleiro.

9.
Anda tudo muito foleiro,
Ai o meu braço, ai o meu joelho,
Queixam–se no cab’leireiro,
Ai que horrível ‘tou ao espelho.

10.
Ai que horrível ‘tou ao espelho,
E já sou cinquentona,
A quem hei de pedir conselho ?
À ‘nha filha qu’ stá uma mocetona.

11.
À ‘nha filha qu’ stá uma mocetona,
Quer casinha para casar,
E, como é uma valentona,
Muitos gajos p’ra namorar.

12.
Muitos gajos p’ra namorar,
Ou só um, desde que rico,
Mas não sei como é que eu fico,
Longe de me poder reformar.

13.
Longe de me poder reformar,
Queixam-se as nossas bonecas,
No duro, a trabalhar,
As sobrinhas Paula e Becas.

14.
As sobrinhas Paula e Becas,
Da geração terceira,
Não são nada de panquecas,
Danadas p’rá brincadeira.

15.
Danadas p’ra brincadeira,
Tal como os primos do Alto,
Tudo com costela Ferreira,
Para o baile, isto é um assalto.

16.
Para o baile, isto é um assalto,
Qu’a vida dois dias são só,
Diz, meio-soprano, contralto,
O nosso querido doutor Jó.

17.
O nosso querido doutor Jó,
De filhas lindas escultor,
Mas do João não tenham dó,
Que a Catarina é um amor.

18.
Que a Catarina é um amor,
Diz a Vera, a priminha,
P’ra vida ter mais sabor,
Vai-nos dar uma Clarinha.

19.
Vai-nos dar uma Clarinha,
Que p’ro ano vem à festa,
Por ser também Ferreirinha,
E ter estrelinha na testa.

20.
E ter estrelinha na testa,
É o Manel, neto da Zé,
Toda lampeira e lesta,
Que o batizo amanhã é.

21.
Que o batizo amanhã é,
E até Deus ‘tá convidado,
Por ser um lindo bebé,
Diz o bisavô babado.

22.
Diz o bisavô babado,
O nosso Joaquim Barbosa,
Aos oitentas mais cansado,
Mas a vida é sempre gostosa.

23.
Mas a vida é sempre gostosa,
Mais no Porto que em Barcelona,
Diz a Sofia, chorosa:
“Beijos, gato, da tua gatona.”

24.
“Beijos, gato, da tua gatona”
Só pode ser p’ro Tiago
Anda ele numa fona
Só a mamã lhe dá afago.

25.
Só a mamã lhe dá afago,
Que a coisa custa a passar,
Mas, ó homem cum carago,
Espanta os males, põe-te a tocar

26.
Espanta os males, põe-te a tocar,
Viola ou acordeão,
Tua tristesa há de passar,
Diz-lhe o F’lipe, que é o irmão

27.
Diz lhe o F’lipe, que é o irmão,
Outro dos nossos tocadores,
Primos são um batalhão,
E todos bons comedores.

28.
E todos bem comedores,
Dos Mendes aos Cardoso,
Mão se acanhem, meus amores,
Que o arroz está gostoso.

29.
Que o arroz está gostoso,
Parabéns à cozinheira,
E p’ra quem for mais guloso,
Temos o doce da Teixeira.

30.
Temos o doce da Teixeira,
E nos versos deste poeta
‘Tá a família toda inteira.
… Viva a festa, o resto é treta!

31.
Viva a festa, o resto é tretas,
Viva a Lena, a matriarca,
Sortuda, tem duas bisnetas
E grande enxoval na arca.

32. E grande enxoval na arca,
Já não têm gajas d’hoje,
Só querem roupas de marca,
Foge, moço, delas foge!

33.
Foge, moço, delas foge,
Não é coisa que se diga,
Cada um tem o seu alforje,
Tanto rapaz como rapariga.

34.
Tanto rapaz como rapariga
Cá da família Ferreira,
Não tem o rei na barriga,
Mas é gente de primeira.

35. 

Mas é gente de primeira,
Qu’ honra seu antepassado,
E esta quadra é a derradeira,
A todos digo… obrigado!


Paredes de Viadores, sítio da Nª Srª do Socorro, parque de merendas, 31 de agosto de 2019


 

08 setembro 2017

Sessenta e oito mais um... Parabéns, querido mano Zé!



Quinta de Candoz, 1/9/2017; foto panorâmica. Foto LG


Quem faz anos, hoje, é o Zé,
O nosso mano querido,
Ferreira Carneiro é,
Gente de bom apelido.

Sessenta e oito mais um,
Diz, sem ponta de malícia,
Depois dos setenta, pum!,
É que ele vai ser notícia.

No clube septuagenário,
Estão já as manas e os cunhados,
À espera do centenário,
Serão todos bem festejados.

Toma, Zé, xicoração,
Tão rico como o almoço,
Hoje os parabéns se dão
A ti, menino e moço.

Tua santa padroeira,
Senhora do Castelinho,
Te encha a algibeira
De graveto… e miminho!

Tua mana Alice e teu cunhado Luís

Alfragide, 8 de Setembro de 2017

27 março 2016

Páscoa 2016

É raro eu falhar, na Páscoa (e no Natal), a ida ao norte. Este ano, por um conjunto de circunstâncias, não me é possível lá estar. Mas não quis deixar de, à distância, me associar ao espírito festivo da Páscoa nas minhas 'tabancas' do norte... 

Acabei de fazer, de improviso, umas quadras que mandei, agora mesmo, quando a festa já está no ar... Sei que vou ter cartão amarelo por falta de comparência... mas espero que o árbitro releve a minha falta.

Qualquer que seja o significado que a Páscoa possa ter para cada um de nós, há nela uma mensagem de sentido universal e intemporal: a travessia da 'picada' [estrada ruim, trilho]  da vida, com todos os seus riscos, medos, minas e armadilhas, é bem mais fácil, se for feita em conjunto, de maneira solidária, partilhada... Mesmo sabendo todos nós, que o nascer e o morrer são os atos mais intrinsecamente solitários da vida humana...


Para as famílias Soares e Carneiro,
seus convidados
e compasso pascal da Madalena...

Para todos os homens e mulheres de boa vontade...



Olha o compasso pascal,
Visitando a freguesia,
Nesta casa, é bom sinal,
Traz-nos a fé e a alegria.

Traz-nos a fé e a alegria,
Que todos bem precisamos,
É a Santa Páscoa o dia
Em que as forças renovamos.

Em que as forças renovamos,
Como seres humanos e cristãos,
Boas festas desejamos,
Pais, filhos, amigos, irmãos.

Pais, filhos, amigos, irmãos,
Vizinhos da Madalena,
Mais os de longe que aqui estão,
E quem não veio vai ter pena.

E quem não veio vai ter pena,
De neste ano faltar,
Mas fez esta cantilena,
Para com vós partilhar.

Para com vós partilhar
As coisas boas do Norte,
E a amizade reforçar
Com um abraço bem forte.


Lisboa, domingo de Páscoa,
27 de março de 2016, 10h30

Luís Graça

26 julho 2014

Parabéns ao nosso Quim pelas suas 80 primaveras!... E à nosss Zezinha, pelo seu meio século + 1...

Tem uma ponta de vaidade,
Deus o fez e quis assim, 
Foi do campo p'ra cidade...
Quem é, quem é?... É o Quim!...

Nascido lá nas Regadas,
Lugar de Paços Gaiolo,
Tinha lábia p'rás casadas,
E com as solteiras era tolo.

Com o seu olho azul marinho,
Deixou menina chorosa,
Quem por ele tinha um fraquinho
Era a nossa mana Rosa.

Dura vida, a de Ambrões,
Por causa de um tal major,
Mas há mais recordações,
Lisboa foi a melhor.

São oitenta bem vividos,
Os anos do homenageado,
Parabéns lhe são devidos,
Ao Joaquim, nosso cunhado.

Mas também à Zezinha,
Que já está uma... cinquentona,
Nossa primeira sobrinha
E a mais... brincalhona.

Candoz, 26/7/2014,
Luís e Alice, Gusto e Nitas, Manel e Mi, Zé e Teresa...
Mais as Donas, Olinda, Helena... e Nina.

25 dezembro 2013

As janeiras da Madalena, ditas na noite de Consoada pela Joana Graça



Vídeo (8' 24''): Alojado em You Tube > Nhabijoes 

Madalena, Vila Nova de Gaia, casa da Nitas & Gusto... O Luís Graça escreveu e a Joana Graça disse as janeiras de 2013/14... Vai-se mantendo a tradição, com as quadras (personalizadas) da Madalena...


Natal da Madalena, 2013

A angústia do papel branco
É coisa que dá aos poetas,
P’ra mais, agora que ando manco,
E vou-me abaixo das canetas.

O Natal não se compadece
Destas pequenas mazelas,
Quem é vivo sempre aparece,
Todos juntos, eles e elas.

O local de reunião
Não é Belém, é a Madalena,
Seja mouro ou cristão,
Quem não pode, fica com pena!

Os nossos anfitriões
Têm direito a gabadela,
Dos pequenos aos matulões
Todos vêm comer... na gamela.

É uma rica consoada,
Não tanto pelas iguarias,
Mas pela presença variada
Dos Josés e das Marias.

E até a avó do menino
Cá temos, a Dona Ana,
Nem cá falta um violino,
Nem um João nem uma Joana.

Até temos, p’ra completar,
Pedro, o pescador,
O tal que andava no mar,
E que foi atrás do Senhor.

Burro e vaca não há,
Mas não faltam as Carneiras,
Mais os pastores, os de cá e lá,
Que vêm cantar as janeiras.

Querubins e anjinhos,
Também os há com fartura,
São os nossos menininhos,
Que saudamos com ternura.

Mais apóstolos, só o Tiago,
Que há-de ser santo nas Compostelas,
Está agora cheio de bago,
A ver barrigas e costelas.

Rapaz solteiro e portista,
Tem casa nova na Baixa,
O nosso imagiologista,
Que pagou com dinheiro em caixa.

Das prendas do Pai Natal,
Destacaria a do João,
Um Stradivarius, que tal?!,
Que nos custou um dinheirão.

Mas, a do F’lipe, foi a melhor,
Um ano de estágio pago,
P’rás finanças, inspetor,
Fica rico ou fica gago.
Se ele tiver que ir p’ra Lisboa,
Piursa fica a Susana,
Não pode ter vida boa
Lá na terra da moirama.

Cada um cumpre o seu fado,
Diz o F’lipe com humor,
Eu, por mim, a servir o Estado,
Só o faço por ti, meu amor.

Mulher de sete talentos
É a Joana Carneiro,
Mete-se em muitos empreendimentos,
Mas o amor nunca é o primeiro.

Já fez mil coisas na vida,
De estórias é contadora;
Ainda te vou ver, querida,
De serpentes encantadora.

A Sandra e o Rui saudemos,
Companheiros deste dia,
E com eles também temos
O Miguel e a Sofia.

Falta o Pedro e a Patrícia,
Gente que nos alegra a janta,
E de quem direi, sem malícia,
Que pouco come e muito canta.

Pois que sejam também bem vindos,
Berta, Zé e demais vizinhos,
E façam o favor, meus lindos,
De provar os doces e… os vinhos.

Manda a Troika comer pouco
E, ainda menos, beber,
O Pai Natal está taralhouco
Vão-se todos mas é f…

Comam e bebam sem IVA,
Diz o Gusto, com todo o gosto,
Tenho escrita criativa,
Meu Natal não paga imposto.

E a ter que pedir, neste ano,
Algo à Troika e ao Pai Natal,
É que volte a ser soberano
O nosso querido Portugal.

Sintam-se todos contemplados,
Por estas quadras natalícias,
E nelas vão embrulhados
Meus abraços, beijos e carícias.

08 setembro 2013

Parabéns, querido Zé, pelos teus 65!... Muita saúde e longa vida (1): Quadras do Manuel Carneiro


Vídeo (2' 01''). Alojado em You Tube > Nhabijoes

Marco de Canaveses, Paredes de Viadores. Continuação da festa da família Ferreira, agora na casa da Quinta de Candoz.. 7-8 de setembro de 2013. Parte musical: Júlio e João (violinos), Gusto e Tiago (acordeões), Manuel (violão), Filipe e Miguel (violas)..Joãozinho e Nitas (cavaquinhos). Manuel Carneiro diz quadras de parabéns ao mano caçula, Zé Ferreira Carneiro, que fazia 65 anos. Vídeo (sem condições de luz...): Luis Graça.

07 setembro 2013

Festa da Família Ferreira (19): Tuna rural de Candoz (V): Música e humor...


Vídeo (3' 38''). Alojado em You Tube > Nhabijoes

Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > 7 de setembro de 2013 > Continuação da festa da família Ferreira 2013,  agora na casa da Quinta de Candoz.  Parte musical: Tuna Rural de Candoz: Júlio e João (violinos), Gusto e Tiago (acordeões), Manuel (violão), Filipe e Miguel (violas), oãozinho e Nitas (cavaquinhos), Flávio (realejo). Vídeo (em deficientes condições de luz...): Luís Graça (2013).

Quando a brejeirice (para mais no feminino!) não é sinónimo de ordinarice... São artistas do norte, caramba!...

Último poste da série > 7 de setembro de 2013 > Festa da Família Ferreira (18): Venham mais cinco, de uma assentada eu pago já...

Festa da Família Ferreira (18): Venham mais cinco, de uma assentada eu pago já...




Ana Luísa (neto da Ana Ferreira e Joaquim Cardoso, que vive em Cacia/Aveiro) mais a Nitas


A Regina, esposa do Zé Manuel, nora do António Pinto... Perdeu ainda recentemente o pai e a sogra.


À direita o Zé Manel Pinto, com os primos do Alto (Tininha, marido e tia Olga)


Flávio e Quim, ambos da PSP


O António Pinto, o Manuel Pires e o Quim Barbosa


Uma mesa de bons e velhos amigos (1)



Uma mesa de bons e velhos amigos (2)

Foi bom ver o casal Zé Manel / Regina e família, incluindo o António Pinto, viúvo da Balbina Ferreira (desaparecida em 2011)... Esta família foi evocada também em versos do poeta de Candoz:

O Zé Manel e a regina
Enchem-nos de alegria,
Com eles, a nossa Balbina
Vem-nos fazer companhia.

À saúde do António Pinto,
E na esp'rança de o ver,
Ergo o meu copo de tinto.
Boa vindima há-de ter.

Texto e fotos: Luís Graça (2013)

Último poste da série > 7 de setembro de 2013 > Festa da Família Ferreira 2013 (17): Novos amigos...

Festa da Família Ferreira 2013 (16): O primo Quim Vieira Mendes










Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Festa da família Ferreira 2013 > 7 de setembro de 2013  > É um primo muito querido, o Quim, o único representante,  neste dia, da família Rosa Ferreira e J. Vieira Mendes, já falecidos. O seu mano, Nelo Mendes, já faleceu também.  A Nela não pôde vir, com pena nossa.

O Nelo e o Quim eram presença obrigatória, tal como os primos Zeca (hoje no Brasil), Toninho e Luisa (, filhos da Ana Ferreira e do Joaquim Cardoso), em Candoz, nas férias grandes... Eles vinham do Porto para casa dos tios e primos... O Quim é oficial superior,  reformado, da Força Aérea Portuguesa, e vive em Vila Nova de Gaia. É viúvo, e tem uma filha, jornalista, que também não pôde vir.

Legenda das fotos, de cima para baixo: o Quim com a Alice, com a Ana, com o Zé e, por fim, com o filho da Lena (Nelo ou Zé ?), e o "home" da Mila (ao centro)...

Ao Quim, o poeta de Candoz fez os seguintes versinhos:

Primas, cheguei!, diz o Quim,
Da família, o sedutor,
Com olhos azuis assim,
Será sempre um pinga-amor.

Oficial e cavalheiro,
Tem bom fundo e coração,
Pode não ser o primeiro,
Mas a nós nunca diz não!

Texto e fotos: Luís Graça (2013)

Poste anterior da série:

7 de setembro de 2013 > Festa da Família Ferreira 2013 (15): Tuna rural de Candoz (IV)... Até rebentar a corda...

Festa da Família Ferreira 2013 (9): Os primos do Ribeirinho, ramo da família Carneiro


Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Festa da Família Ferreira 2013 > 7 de setembro de 2013 > O reencontro dos primos Carneiros, de Candoz (Nitas, Alice, Zé, Rosa) com os primeiros Carneiro, do Ribeirinho (Dolores, Alice, Carmesinda).


O reencontro: as duas Alice, a de Candoz, e a do Ribeirinho


As primas Carmesinda (mais o marido) e a Alice  de Candoz


Da esquerda para a direita: Carmesinda, o marido, o marido da Dolores e a Rosa


Alice (do Ribeirinho), Rosa e Carmesinda


O marido da Dolores e o Zé Carneiro


A Dolores e o Manel 


A Dolores, que tem uma belísisma voz, junto à Nitas, à Mi e à São, no grupo dos cantaréus.


Para elas (e para eles), aqui vão uns versinhos de improviso, a pedido da Chita, que o poeta não as tinha na sua lista:

Os primos do Ribeirinho
Fizeram-nos a surpresa,
Apareceram de mansinho,
Sentaram-se à nossa mesa.

Se o pai Carneiro fosse vivo,
Logo um anho mataria
E à mesa um lugar cativo
Para eles reservaria.

Dolores, Alice, Carmesinda,
Sois primas muito queridas,
Não se vão embora ainda,
Com as memórias sofridas.

Texto e fotos; Luís Graça (2013)

Festa da Família Ferreira 2013 (4): comissão organizadora: todos primos, da 6ª geração, gente jovem, fixe, irreverente, divertida... dando continuidade a uma iniciativa com 30 anos


Marco de Canaveses, Paredes de Viadores, Festa da Família Ferreira, 7 de setembro de 2013 > A comissão organizadora, trajada a rigor, com camisolas pretas com  uma foto de grupo do último encontro, em 2011, no mesmo sítio: da esquerda para a direita, Susana, Filipe, Romicas, Joana, Becas, Ana, Zeza e Cristina... Falta o Pedro.


Susana (com ar feliz e positivo, que eu gostei de ver), Filipe, Romicas


A comissão organizadora, em reunião de trabalho, agora já com o Pedro, à esquerda...


As manas Becas e Romicas, a amorosa Romicas ... À direita, a Zeza




A Becas, sempre fotogénica, com um dos filhos... Uma mulher de armas, corajosa, que merece o nosso melhor apoio e carinho...


A Zeza, mãe babada, com o seu filho João...  É "marca Barbosa", diz o Ferreiral... Consegue pôr os acompanhantes de um enterro a chorar até às lágrimas... Obrigado, Zeza, pela tua contagiante alegria e e ideias divertidas para animar o pessoal... Quanto ao resto, "mulher doente, mulher para sempre"!... 


A Cristina, sempre bem disposta e brejeira... Outra mulher de vida, como se diz aqui na família...


O Pedro, o pescador, com o pai Zé Carneiro, e a prima Joana mais as tias Nitas e Alice... Como o pai fazia anos no dia seguinte, 8 de setembro, o Pedro (acabado de chegar com os primos Joana e Joana, que vieram de Lisboa) foi-lhe pescar um robalo de cinco quilos e tal para lhe oferecer como prenda de aniversário... 


O Filipe que desta vez veio sem a  Susana, de licença conjugal, para uma despedida de solteira, de uma amiga...


O tema poético deste ano foi a nupcialidade, fertilidade e natalidade da Família Ferreira... Daqui a 30 anos queremos continuar a fazer este saudável e divertido convívio... Mas é preciso que haja Ferreirinhas, Carneirinhos, Cardosozinhos, Mendezinhos... para renovarem as gerações... DE quallquer modo, os tempos são outros, para o melhor e para o pior.  Abaixo o machismo, dizem elas!... Aqui vão uns versos a propósito (e a propósito, muitos beijinhos para a Urche Cardoso e a mãe Glória Gordalina, que não puderam vir desta vez):

A família está em crise,
Não há padres para rezar,
O amor é uma chatice
E ninguém se quer casar.

O Filipe e a Susana 
São jovens com sentimento,
Mas bem chora a Dona Ana
Por tardar o casamento.

O Tiago bem namora
Para logo se descasar,
Mas há-de chegar a hora
De também o nó querer dar.

E a Dona Alice em Lisboa
Com dois filhos solteirinhos ?
Ser avó é coisa boa,
Venham de lá os netinhos.

O Miguel da Rosa e Quim
Lá juntou os trapinhos, 
Não perdeu o seu latim,
Já tem a quem dar miminhos.

Ao Pedro da Madalena
Não há mulher que lhe meta medo,
Arranjou uma morena,
Não tem aliança no dedo.

À Urche, que é menina de Alfama,
Não lhe cantem aquele fado
"Muito quero a quem me ama,
Seja solteiro ou casado".

Quero um novo por estrear,
Que seja bom rapazinho,
Os três te hei-de tirar,
Meu querido namoradinho.

Era assim que a Rosa dizia;
"Lá em casa mandava o home,
E só ele calças vestia,
Mas de amor nunca passei fome".

Chamavam-lhe Prima... Vera,
Que era nome de estação,
Casou com o Meco, que era
Um... meco engatatão.

Da Ana é estranho o casório,
Com o João, um bom... sacana.
Mas nunca deu falatório
Só por ser ao... fim de semana.

Em Chaves sê flaviense,
Susana bem o pensou,
E, como boa marcoense,
Logo um Flávio ali pescou.

Mas que três mulheres de vida,
Filhas do Manel e da Mi,
Qual delas a mais querida,
Gostei delas mal as vi.

Uma vida a aturar, só,
As garotas de Ipanema,
E logo cinco!, diz o Tó,
Em casa, não no cinema!

É um Carneiro valente,
É um Ferreira com sorte,
É um doente p'ra sempre,
Por quatro vezes desafiou a morte.

[Mano Tó Carneiro, estás aí para dar e durar!... Gostámos de te ter e de te ver ao nosso lado e ao lado das tuas garotas de Ipanema... Só faltou a Paula... Beijinhos para ela e restante família... Um abraço para o Jorge!]

(Continua)

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Texto e fotos: Luís Graça (2013)