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23 dezembro 2023

No Natal de 2023: lembrando com (e)terna saudade aquela que, durante 40 anos, foi a rainha de Candoz (e da Madalena)


Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz> Quinta de Candoz > 23 de dezembro de 2023 > Uma "aguarela" natalícia... Foto: LG (2023)



Querida Nita:


Não imaginas a surpresa que te fizemos hoje!...

Amanhã não haverá ceia de Natal na Madalena,

Mas hoje estamos aqui reunidos em Candoz

Para te lembrar, e lembrar aos mais novos,

Que tu aqui foste a Rainha,

E que continuas a ser a Rainha,

Mesmo quando te queixavas

Que vinhas sozinha, com o teu Gusto,

Trabalhar que nem uma moira,

E mesmo já doente,

…Mas sempre com o teu sorriso lindo no rosto sofrido.



Nitas, ainda não chorámos todas as lágrimas,

Nem nunca choraremos todas as lágrimas por ti,

E já se passaram nove meses

Desde que em 24 de março nos deixaste,

Desamparados, órfãos, devastados, inconformados…


Resta-nos, Nita, a imensa saudade, a tua memória,

Que queremos manter viva.

Por isso estamos aqui, hoje, dia 23 de dezembro,

Em dia de trabalho, em Candoz,

Mas também para celebrar o nosso Natal

Em comunhão espiritual contigo.

É também a nossa maneira de continuar a fazer 

O tão difícil luto pela tua perda.


Era o Natal, a quadra festiva do ano

Que tu mais adoravas, mais do que a Páscoa!

Querias ter todo o mundo em Candoz e na Madalena,

A começar pelo teu Gustito,

Os teus filhos Filipe e Tiago,

As tuas noras, os Susana e Sofia,

Os teus netos, a Carolina e o João…

A Alice e o Luís vinham de Lisboa,

O Zé Soares e a Berta moravam ao teu lado,

E os teus manos, Tó, Rosa, Manel e Zé,

Também não estavam longe,

Estávamos todos vivos, e de razoável saúde, 

E visitávamo-nos alegremente uns aos outros.

O Zé trazia as pencas, na véspera,

E enchia a tua casa de ruidosa alegria,

A Alice encarregava-se do lume,

E dos panelões onde, na garagem,

Se coziam, carinhosamente,

As batatas, as pencas, o bacalhau lascudo.

Tu punhas o teu maior esmero, capricho e arte

Na feitura dos doces,

E nos arranjos da sala e das mesas…,

E nas boas-vindas aos convivas…

Nunca faltavam os bolinhos de “corn-flakes”

A aletria quentinha, o arroz doce, o leite creme,

E as rabanadas, que eram tarefa da Berta…

Este ano faltas tu, pela primeira vez,

E falta também o Zé Soares,

Nas nossas vidas, no nosso Natal.



Este ano não há mais freima de Natal para ti!

Mas fizemos questão, todos aqueles e aquelas

Que te amaram e continuam a amar,

De nos sentarmo-nos à grande mesa mesa em L,

À hora do almoço, depois do trabalho da poda,

Para te dizer que o espírito de Candoz,

Que tu sempre viveste e representaste como ninguém,

Ao longo de quase quatro décadas,

Continua vivo e a inspirar a geração seguinte

Dos nossos filhos e sobrinhos.



Nita, podes continuar a ter orgulho

No teu Gusto, nos teus filhos, nos teus sobrinhos,

Em todos nós que aqui estamos:

Enquanto ainda secamos as lágrimas,

E suspiramos por ti,

Prometemos também nunca te esquecer

E manter vivo o teu testemunho, o teu exemplo de vida,

Tu sempre personificaste o dom,

A doçura, o prazer e a alegria de dar e receber.

Temos uma bela surpresa para ti 

No próximo dia 24 de março de 2024.

Até lá reza por nós!  E protege-nos!

E, em nosso nome, deseja 

A todos aqueles, homens e mulheres, que foram das tuas relações,

Um Bom Natal de 2023 e um Melhor Ano Novo de 2024

Quinta de Candoz, 23 de dezembro de 2023,

Os presentes:

Gusto, Filipe, Tiago,Suzana,Sofia,Carolina e João;

Alice e Luís;

Zé, Pedro, Adriano;

Zezinha, Eduardo, João, Mara, Catarina, Marcelo e Manel;

Cristina,Miguel,Francisco;

Miguel, Daniela, Clara.



24 outubro 2023

Nitas (1947-203): 7 meses de saudade (Chita)

 


Nitas, na praia de Azenhas do Mar, Sintra, ao pòr do sol, o último do ano, 31 de dezembro  de 2018

Foto (e legenda): © Luís Graça (2018). Todos os direitos reservados. [Edição:  Blogue A Nossa Quinta de Candoz]



Nitas, minha querida mana:

É dia 24.  Faz 7 meses que partiste.

Não tenho (nem preciso de ter) o teu código postal. Falo diretamente contigo, quase todos os dias. Mas tu nem sempre me respondes. Aliás, estás quase sempre calada. E eu tenho tanta necessidade de te ouvir. De falar contigo e de te ouvir. E para mais agora que está a chegar o inverno…  

Sinto a tua falta: sem ti, sem o toque do teu telelelé, sem as fotos que me mandavas, ou  sem as nossas videochamadas que fazíamos, estou mais só… Fazes-me muita falta. Não quero ser egoísta. Fazes falta a todos nós… E isso só quer dizer que te amávamos muito. Nós e os teus amigos que te continuam a recordar com muita saudade.

Eu insisto em dizer à Clarinha que “a tia Nitas foi para a estrelinha”… E eu própria já me convenci de que tu tens, afinal, todo o céu por tua conta. 

Fico mais calma quando à noite vejo o céu estrelado, e posso contar as tuas estrelinhas… Numa interminável viagem pelo universo, todas as estrelas são tuas. Escolho sempre algumas mais especiais. 

Preciso dessa magia, Mana. Boa noite, acho que hoje vou dormir melhor depois de “falar contigo”…

Tua Chita, Alfragide, 24 de outubro de 2023

 _______________

Poema dedicado a minha querida e saudosa Maninha que faz hoje 7 meses que partiu. São tantas as saudades que me deixa sem chão!!!

Um poema de Ana Luísa Amaral que também já não está entre nós. Duas mulheres fortes do Norte que quero homenagiar.


Um Céu e Nada Mais


Um céu e nada mais — que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.


Ana Luísa Amaral (1956-2022)
 in “Às Vezes o Paraíso” ( Quetzal, 1998; reed. 2000)
 (com a devida vénia...)

11 setembro 2023

Vindimas de 2023: um cacho de uvas douradas e uma romã para a nossa querida Nita(s), com a nossa (e)terna saudade

 

Foto nº 1 > Quinta de Candoz >  Vindimas  > 18 de setembro de 2020 > A Nita(s), Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 1947 - Porto, 2023) (*)

Foto nº 2 > Quinta de Candoz > Vindimas  > 18 de setembro de 2020 > A Nita(s), a Mi (cunhada) e a Chita (Alice, irmã)

Foto nº 3 > Quinta de Candoz >  Vindimas  >  9 de setembro de 2023 > Um cacho de uvas douradas (1)...



Foto nº 4 > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 > Um cacho de uvas douradas (2)...



Foto nº 5 > Quinta de Candoz >  Vindimas  > 9 de setembro de 2023 > Os cachos  (arinto / pederná) que a Nita(s) adorava apanhar...


Foto nº 6 > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 >  A primeira de três vindimas...Este ano começou a vondimar-se mais cedo... Veio gente da Lourinhã, do Porto e de Matosinhos..., para dar uma mãozinha.


Foto nº 7 > Quinta de Candoz >  Vindimas  > 9 de setembro de 2023 >  A primeira de três vindima...Veio gente da Lourinhã, do Porto e de Matosinhos... Filhos, sobrinhos/as, sobrinhos-netos...


Foto nº 8 > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 >   Antigamente acarretava-se os "cestos de vime" às costas até ao lagar... Hoje, felizmente, o trator alivia-nos as costas...


Foto nº 9 > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 >   Tud0 gente da casa, da 2ª e 3ª geração...



Foto nº 10  > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 > Cestos (de plástico...) cheios de uvas de castas (loureiro, avesso, algum alvarinho...),  que amadurecem mais cedo...



Foto nº 11 > Quinta de Candoz > Vindimas > 9 de setembro de 2023 > A "romãzeira da tia Nita(s)", na borda de um dos nossos campos... (Nome científico: Punica granatum)... Na foto, o nosso querido e inestimável Adriano.



Foto nº 12  > Quinta de Candoz  > Vindimas  > 9 de setembro de 2023 > As primeiras romãs maduras para a "tia Nita(s)"


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2023). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  Queridos amigos,  deixem-me falar de outra das minhas geografias emocionais, que é Candoz, a Quinta de Candoz, ou Tabanca de Candoz, como eu também gosto de lhe chamar (falando para os leitores do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné). 

Há quase meio século, desde 1975, que venho aqui, à casa  e à terra onde nasceu a mãe dos meus filhos. Por herança (e opção), somos sócios da Sociedade Agrícola de Candoz (unipessoal).  Havia momentos especiais do ano, festivos, em que não podíamos faltar: o Natal,  a Páscoa, as vindimas... Mesmo estando longe, a 350 km de distância, eu, a Alice, os nossos filhos, procuramos estar aqui em Candoz nessas datas...

As vindimas são um momento mágico e agregador das famílias que nasceram no campo e sempre conviveram com a terra e a vinha. Mesmo quando se partia para a cidade (Porto, Lisboa) e depois para o Brasil, a França e a guerra em África, Moçambique e Angola (como foi o caso dos très rapazes da família),  quem podia vir, vinha dar uma ajuda,  quem não podia vir, escrevia cartas ou aerogramas cheios de saudade...  

Dos seis filhos do casal José Carneiro e Maria Ferreira, quatro (três raparigas e um rapaz) decidiram constituir , nos anos 80, a Sociedade Agrícola de Candoz (unipessoal) e construir uma vinha inteiramente nova, nos solcalcos roubados ao longo dos séculos à floresta de carvalhos e castanheiros,  sustentados por grossos muros de pedra, e que estão na família Ferreira e depois Ferreira Carneiro desde pelo menos os primeiros decénios do séc. XIX. 

Era uma pequena exploração familiar projetada, há 40 anos, para produzir no máximo 20 pipas (c. 15 toneladas de uvas),  de vinho verde branco, das castas arinto/pedernã e azal (maioritariamente, mas também com videiras  de loureiro, alvarinho e avesso), a uma cota entre os 250 e 0s 300 metros acima do nível do mar.

Durante estes anos todos a nossa Nita (para o marido e os filhos) ou Nitas, "tia Nitas" (para os restantes familiares e amigos) foi a "alma" desta pequena comnunidade. A morte, traiçoeira, levou-a aos 76 anos, depois de trabalhar uma vida inteira como engenheira química no laboratório do Departamento de Engenharia Química do ISEP - Instituto Superior de Engenharia do Porto (*)

Este é o primeiro ano em que fazemos a vindima sem a sua presença física. (Também a morte levou,  há uma semana atrás, outro familiar e amigo de Candoz, o José Soares, presença habitual nas nossas vindimas, ele e a sua esposa, a Berta.)

Nas duas primeiras fotos acima, de 18 de setembro de 2020, a Nita(s) já sabia o diagnóstico da doença que a haveria de matar, e a que não teria sido alheia a exposição profissional a substàncias cancerígenas no seu laboratório.  Estóica e digna na doença, e ainda em tempo de pandemia de Covid-19, a Nita(s) não deixava de nos brindar com o seu sorriso luminoso, a sua gentileza, a sua fotogenia, o seu carinho , a ternura, o amor, o desvelo, a entrega, a generosidade e a alegria que sempre pôs em tudo o que fazia, bem como nas relações que mantinha com  os outros. 

Foi fada e rainha deste lar.

Estas primeiras fotos da primeira vindima de 2023 (vamos fazer três, e no próximo fim de semana a maior) é dedicada à nossa querida Nita(s), figura tutelar da nossa Quinta de Candoz. Para ela vai um cacho de uvas douradas e a primeira romã madura que colhemos da sua romãzeira.

Luís Graça (2023) (**)

________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 26 de março de 2023  > Guiné 61/74 - P24170 : Manuscrito(s) (Luís Graça) (219): Na despedida da Terra da Alegria: à minha querida 'mana' Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 1947 - Porto, 2023)

(**) Último poste desta série, publicado no Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné >  18 de agosto de  2023 > Guiné 61/74 - P24564: Manuscrito(s) (Luís Graça) (227) : Chita... Não vale a pena parar, / A vida é p’ra se viver, / Com momentos p’ra sofrer, / É tudo sempre a somar.

25 julho 2023

A Nossa Quinta de Candoz e a nossa querida Nitas (1947-2023)




















~


Marco de Canaveses  >  Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > 15 de Julho de 2023 

A Nossa Quinta de Candoz

A casa, 
a loja,
as pedras, 
os muros, 
o chão, 
as minas, 
os carvalhos, 
os castanheiros, 
os socalcos,
as letras, 
os carreiros,
a levada,
as vinhas,
as ramadas,
os montes... 

A Quinta de Candoz,
na posse da família Ferreira Carneiro, 
há pelo menos dois séculos. 
Uma estória de loas e cantigas, 
mas também de trabalhos (es)forçados. 
De pão e vinho sobre a mesa. 
De amor e de amizade. 

Rosa, Chita, Nitas (1947-2023), Zé, 
quatro dos Ferreira Carneiro, da 5ª geração,
mais as respectivas caras-metade
 (Quim, Luís, Gusto e Teresa). 

Pais fundadores: 
José Carneiro (1911-1996) & Maria Ferreira (1912-1995), 4ª geração

(...) João Ferreira (1821-1897) & Mariana Soares (1822-1895), 1ª geração

Fotos (e texto): © Luís Graça (2023). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



2. Mensagem do coeditor Luís Graça com data de ontem;

Meus / minhas queridos / as, Alice, Gusto, Zé, Rosa, Tiago, Filipe, João, Joana, Zezinha, demais cunhados e sobrinhos (sem esquecer o nosso Adriano que já é há muito da nossa família):

Candoz tem sempre mais encanto quando a gente lhe diz adeus, fecha o portão de ferro e regressa à nossa casa habitual, no Porto ou em Lisboa...

Todos desejamos e procuramos que continue bonita, mesmo sabendo quantos trabalhos (es)forçados isso tem implicado ao longo da vida da nossa e das anteriores gerações...

Mas há hoje, na magia daquele lugar e da sua memória, uma presença / ausência que não nos larga, a nossa querida e chorada Nitas...

Em todo o caso, acho que ela gostaria de ver e rever, no seu tablet, estas imagens que colhi há dias deste nosso cantinho,feito afinal de tantos pequenos (en)cantos, e que ela tanto acarinhou em vida...

E que eu me permiti partilhar, para um público mais vasto, no meu blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (sigam o link, até para ler eventuais comentários), ncluindo amigos que nos admiram e respeitam pela sabedoria, resilièncvia e coesão com que, tem ao longo já de meia vida, conseguido ultrapassar tantos obstáculos, contrariedades, desânimos, problemas e crises...

A Nitas foi sempre o elo mais forte da cadeia que nos uniu a todos. Uma pequena grande rainha, no seio da nossa família alargada... E acredito que, lá do "alto, ela (e os nossos antepassados mais próximos, os nossos "pais-fundadores") nos continua a proteger e a inspirar.

Beijinhos e xi corações. Luís

PS - Junto duas fotos tiradas no cemitério, no passado dia 15.





24 maio 2023

Para além da morte: Em memória da minha querida mana Nitas (Candoz, 15 jan 1947 – Porto, 24 mar 2023)



Foto: LG (2018)



Para além da morte… Em memória da minha querida mana Nitas (Candoz, 15 jan 1947 – Porto, 24 mar 2023)


Minha querida mana Nitas, passam hoje dois meses que a tua luzinha se apagou no meu firmamento…

Que saudades eu tenho de ti … Dois meses ?!... Para mim, para todos aqueles que te amavam e que te perderam, é um pesadelo, uma eternidade.

Mas eu queria dar-te notícias da Terra da Alegria, como diz o meu poeta. Fazem-me tanta falta as nossas longas conversas ao telemóvel… Lembras-te ?!...

Umas, a horas mortas, já eu estava na cama, e tu com insónias… ou à espera que chegasse o João Pestana… Sempre foste mocho, deitavas-te tarde e levantavas-te tarde…
Outras vezes, comigo e o Luís, no carro, a caminho de Lisboa, ou no regresso à Lourinhã. 

Púnhamos a conversa em dia, querida Nitas. Fazia-nos tão bem! Falávamos dos filhos, dos netos, dos maridos, dos manos, dos sobrinhos, eu sei lá… As mulheres, e para mais nós, que éramos duas almas gémeas, têm sempre com que conversar…

Infelizmente, nos últimos anos, falávamos mais das doenças de uns e outros…

Também foi bom para ti, Nitas, que sofrias tanto nos últimos tempos… Mas quando vinhas do hospital, depois dos tratamentos ou das transfusões, nem voz tinhas para falar a ninguém, nem a mim… Sim, querida mana, chegava a ser muito penoso… E eu muito sofria contigo… Mas no dia seguinte, já estavas toda rabitesa…Foste uma heroína...

O teu anjo da guarda, o dr. Ricardo Pinto, fazia milagres… Foi ele que te prolongou a vida… Ele e o teu Gustito,  o teu cuidador extremoso, inexcedível, incansável… Mais a tua força de vontade, a tua fé, a tua coragem… 

Ah!, Nitas, ainda podias cá estar, se não fora aquela maldita queda e o hematoma na cabeça… Eu sei que sempre me dizias, “Chita, todos temos a nossa hora”… A tua chegou, infelizmente,  bem mais cedo do que tu e nós queríamos.

E se tu amavas a vida, o teu Gustito, os teus filhos, os teus netos, a tua família!... Fazes-me chorar, minha mana querida!... Ainda choro pelos cantos… Sinto tanto a tua falta… E sinto raiva por te perder, ainda mais por a morte, injusta, te ter levado primeiro que a todos nós, irmãos, mais velhos do que tu…

Eu sei que tu,  lá do alto, bem intercedes e velas por todos nós… Mas eu queria poder tocar-te, ver-te, beijar-te, dar-te muitos abracinhos…Adormecer a falar ao telemóvel contigo…

Foi tudo junto, a pandemia, a tua doença, mais a distância, a separar-nos… A vida nunca sai como a gente a quer… Prega-nos partidas, troca-nos as voltas… Vê a minha sina: queria, agora poder viajar, como fazíamos antigamente, contigo, o teu homem, o meu… Mas, olha, estou aqui presa por causa dele, que tem de fazer fisioterapia todos os dias…

E o teu Gustito, coitado, esse também não está nada bem… Já não estava bem, quando o deixaste… Sei que ele continua em grande sofrimento, inconsolável e quase incomunicável… Temos trocado mensagens ao telemóvel e, mais raramente, falado.

Ah!, mana, não há palavras que nos consolem!...Mas não eu não quero desistir de poder falar contigo… Preciso de falar contigo… Dava um ano de vida para poder estar contigo um dia, algures no firmamento… 

Como diz o avô para a neta, explicando a morte em termos poéticos, “foste para a estrelinha”… E eu faço um esforço mental para te imaginar que estás algures numa estrelinha… Aponto o dedo ao céu, à noite, e sou capaz de te “ver”… Mas em milhões de milhões de estrelas, eu ainda não descobri qual é a tua…

Sei que não importa, é a estrelinha que a gente quiser… Posso imaginar que vives numa delas, ou mesmo em todas… Prometo ir mais vezes â varanda, à noite, para “falar contigo”. Acredito agora que me podes ouvir… mesmo que eu não te veja nem oiça… Vamos combinar, mana, fazer mais vezes este diálogo imaginado… 

Passaram dois meses, mana querida, e eu ainda não fiz (nme consigo fazer) o luto da tua perda!...

Lourinhã, 24 de maio de 2023, 

Com mil beijpos e chicorações da tua mana  Chita (e do Luís).

03 abril 2023

Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte VI (O Jardim da Madalena)










Madalena, Vila Nova se Gaia.. O Jardim da Nitas... 3/4/2023

Fotos: LG (2023)

Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte V (Gratidão ao CHUSJ - Centro Hospitalar Universitário de São João)

 À administração e à direção clínica do

Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ)

Data – 30 de março de 2023

Assunto - Agradecimento

A família de Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (1947-2023), proc. nº 19006217, na pessoa do seu marido, filhos, noras e netos, faz questão de vir agradecer, por este meio, os quatro anos de cuidados de saúde que lhe foram prestados, ao longo do processo de tratamento da sua doença, que teve agora o seu desfecho trágico, em 24 de março último.

Queremos a agradecer a todos os profissionais da UAG de Medicina, quer do Hospital de Dia  quer do Serviço de Hematologia Clínica e ainda do Serviço dos Cuidados Paliativos, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos auxiliares de ação médica, técnicos administrativos e outros, onde  a nossa Ana beneficiou de elevados padrões de qualidade assistencial, não só ao nível técnico como no plano do conforto e dignidade como pessoa.

Foi utente do Hospital de Dia desde março de 2019: todas as semanas e por vezes mais do que duas vezes por semana, a nossa Ana recebeu transfusões de sangue (hemoglobina e plaquetas), e fez também quimioterapia.

Esteve igualmente internada, na parte final da sua doença, no Serviço de Hematologia Clínica, em dois períodos: de 2 a 10 de janeiro último, e depois, desde 8 de fevereiro até à data da sua morte, em 24 de março. Recebeu ainda cuidados paliativos na fase terminal, continuando no entanto internada no Serviço de Hematologia Clínica.

A todos os profissionais de saúde que direta ou indiretamente lidaram com a Ana e a ajudaram a manter-se viva e com a qualidade de vida que foi possível, estamos muito reconhecidos e gratos. Sem a sua competência, dedicação e empatia, a Ana teria sofrido muito mais, ela e toda a família mais próxima. Particular destaque tem de ser dado ao hematologista dr. Ricardo Pinto a quem ela chamava o seu “anjo da guarda”. Sabemos que, sem o seu saber, carinho e entrega (quiçá com prejuízo até da sua vida pessoal e familiar), a Ana já teria partido há muito.

Bem hajam, todos/as.

Boa saúde, bom trabalho. Queiram receber as minhas melhores saudações

Augusto Teixeira Pinto Soares, Porto

 

29 março 2023

Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte IV (Laura Fonseca, amiga)



Quinta de Candoz  > 28 de julho de 2007 > A Nitas "apanhando um banho de sol". Foto: LG (2007)


Lisboa > Graça > Miradouro de Nossa Senhora do Monte > 21 de janeiro de 2019 > Da esquerda para a direita, Nitas, Alice e Laura. Foto: LG (2019)



Alfragide > Casa dos "man0s" Alice & Luís > 20 de janeiro de 2019 > A Nitas e a Laura. Foto LG (2019)


Quinta de Candoz  > Vindimas > 18 de setembro de 2020 >Da esquerda para a direita, Nitas, Alice e Mi. Foto LG (20020).


Vila Nova de Gaia > 20 de junho de 2019 > Na festa do casamento do Tiago e da Sofia > "Cantarolando o fado"... Da esquerda para a direita: Nitas, Alice e Mi. Foto do álbum de família (com a devida vénioa)


Porto > 18 de abril de 2018 > A Nitas com a neta, Carolina. Foto do álbum de família (com a devida vénia)...


1. Homenagem da amiga pessoal e da família, Laura Fonseca (professora universitária, reformada, Porto) (aqui reproduzida com a devida vénia) (*):

O que sempre vi e retenho da querida Nitas:

Em primeiro lugar, a Nitas era uma mulher intensa e que apreciava a vida vivida com
intensidade:
  • mulher que “da vida não queria só metade”
  • intensa no amor ao seu marido Gusto; aos seus filhos Filipe e Tiago; a sua menina/neta e seu menino/neto; aos seus irmãos e irmãs e sobrinhos; aos seus amigos e colegas;
  • intensa em viver a vida que poderia estar ao seu alcance;
  • intensa na generosidade;
  • intensa no cuidado de si e das suas coisas;
  • intensa no trabalho e no seu lugar profissional;
  • intensa nas relações de amizade;
  • intensa a congregar todos os que viviam à sua volta;
  • intensa na dedicação e no acolhimento;
  • intensa na alegria de viver;
  • intensa nas suas convicções;
  • intensa nos seus afectos

Em segundo lugar, a Nitas:
  • era uma mulher poderosa, concentrada e fazedora;
  • mulher que se mobilizava e sabia bem o que queria para si (e para os seus); 
  • sabia bem onde colocar as suas energias e forças;
  • mulher que tinha a sabedoria de determinar e prosseguir a sua vida;
  • a arte de saber criar o seu bem viver;
  • sabia alimentar as suas forças e convicções;
  • apreciava a festa e sobretudo apreciava fazer a festa;
  • apreciava a música, o canto, as festividades, as viagens…

Em terceiro lugar, a Nitas;
  •  era uma mulher de bem consigo e contaminada pela sua vida;
  • vivia satisfeita, apaziguada e de bem com a sua vida;
  • era uma mulher esmerada e que sabia bem o que valia, o que queria e gostava muito de si assim;
  • apreciava a sua estética, o seu fazer, a sua forma de vida;
  • sabia o que podia exigir de si e por isso desenvolvia e valorizava esse seu potencial.

Em quarto lugar, e por tudo isto, a Nitas era uma mulher inteligente e tinha a SABEDORIA para fazer bem e intensamente tudo o que apreciava. Sentia que tinha consigo e em si o melhor do mundo.

Contigo, Nitas, vivi bons momentos nestes últimos anos de saúde… senti o teu carinho, a partilha do que achavas belo e oportuno.

Tive o aconchego e um lugar à tua mesa e nas tuas casas, apreciava o prazer de te mobilizares para partilhar o que tinhas de melhor.

Pude apreciar os sabores dos teus petiscos e as tuas coisas boa e que fazias menção de partilhar,  senti bem a tua solidariedade e disponibilidade… em momentos difíceis.

Obrigada, sempre… sempre muito obrigada.

Laura Fonseca, Porto, 26 de março de 2023, 15h00

______________

Nota do editor:

(*) Vd. postes anteriores:

26 de março de 2023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte I (Luís Graça)

26 de março de 2023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte II (Maria José Barbosa, "Zezinha")

27 de maço de 023 > Na hora da despedida da Terra da Alegria: homenagem à nossa querida Nitas, Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (Candoz, 15 jan 1947 - Porto, 24 mar 2023) - Parte III (Tiago e Filipe, filhos)