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21 abril 2025

Os nossos "versinhos" ao compasso pascal...



O compasso pascal em Candoz, s/d (c. 1980). 
A Nita (1947-2023)  vinha à frente, do lado direito. 
Foto: LG



Madalena, Vila Nova de Gaia, 5 de abril de 2015.

A "Nita",  Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (1947-2023) 
faz as honras à casa....



... e lê os "versinhos ao compasso da Madalena"... É duro ver que,  neste vídeo de há 10 anos, há 3 dos nossos entes queridos que já não estão entre nós...

Vídeos: L.G. (2015). Alojados em You Tube > Luís Graça


 
1. Uma seleção dos meus versos dedicados ao "compasso pascal": há 50 anos que venho ao Norte, nesta data, ao Porto, à Madalena (V. N. Gaia), a Candoz (Paredes de Viadores, Marco de Canaveses). Nesta e noutras datas festivas, como o Natal, o Carnaval, etc., ou trabalhos coletivos da quinta, como a vindima... 

De há 20 anos a esta parte, deu-me para escrever um versos ou umas prosas poéticas por ocasião do Natal e da Páscoa... São versos singelos, ao gosto popular, para serem lidos na ocasião (neste caso, aquando da visita pascal).  

Na pandemia de Covid-19, a família falhou a vinda ao Norte pela Páscoa por razões óbvias: daí não ter havido nem versos nem compasso em 2020 e 2021...

Em 2023 morreu a nossa querida "Nita" (1947-2023), e a partir daí não mais abrimos a casa de Candoz ao compasso... É um sinal de luto na cultura das gentes de Entre Douro e Minho. Daí também não haver versos em 2024 e 2025... 

Em Paredes de Viadores, devido â dispersão geográfica das habitações os, a visita pascal (compasso)  reparte-se por dois dias: domingo de Páscoa, no dia seguinte,  segundas. Em Candoz, é sempre à segunda...

Hoje o pároco já não preside, como antigamente, à visita pascal. Essa função é agora exercida por um leigo, que transporta a cruz, sendo acompanhado por outros membros da comunidade paroquial. Geralmente, um dos mais novos, vem munido de um sineta cujo toque faz anunciar a chegada do compasso. 

O compasso é isso mesmo: a visita, ao redor da freguesia, em cortejo, a todas as casas das famílias cristãs, que sinalizam com urzes e pétalas de flores, o caminho que leva à casa, nas zonas rurais, ou com colchas (brancas) o andar da família que quer receber o compasso, nas vilas e cidades.

Em termos religiosos e sociais, a função principal do compasso é: (i) anunciar a ressurreição de Cristo; (ii) partilhar a alegria da Páscoa entre família, amigos e outros convidados; e (iii) benzer a casa e os presentes (que em geral representam duas ou mais gerações).

O cortejo vai andando de casa em casa. O mordomo que transporta o crucifixo, entrega-o em geral  ao "homem (ou mulher) da casa" que faz uma ronda, dando a beijar  a imagem de Cristo... (por razões de higiene pública, depois da pandemia, o beijo tende a tornar-se simulado).

Depois de uma breve oração, segue-se a oferta de alguns doces e bebidas ao compasso e aos demais presentes. No Norte, as famílias fazem também ofertas em dinheiro (que reverte para o padre e para o foguetório). Os do compasso têm se de polidos, comedidos e frugais: se bebessem em todas as casas, estavam "feitos"!... (mas antigamente era assim: o compasso recolhia à igreja, já bêbado que  nem um cacho!).

À saída do compasso, a caminho da próxima casa, é frequente deitar-se um ou mais foguetes, pagos pelo dono da casa que acabou de ser visitada.  No final do dia, "juntam-se as cruzes" (no caso das freguesias grandes) e, em muitas partes, há fogo de artifício (em geral muito vistoso, aqui no Marco de Canaveses e em Baião).

 Parte do dinheiro recolhido é para gastar em fogo. Por razões de segurança, o uso de  fogo de artifício tradicional (com foguetes de cana), não estando proibido,  está sujeito a uma estrita  regulamentação.

Resta-me fazer aqui uma recolha dos versos que publiquei no blogue da família, "A Nossa Quinta de Candoz". Aqui vão, com votos, para todos os  nossos amigos e camaradas da Guiné, de uma feliz e santa Páscoa de 2025. LG

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Viva o compasso pascal
Desta linda freguesia,
Fizeram-nos muito mal
Estes dois anos de pandemia.


Faltam beijos e abraços,
Mas lá iremos ao normal,
Hoje damos mais uns passos,
Viva o compasso pascal!

É uma antiga tradição
Que nos enche de alegria,
E reforça a união
Desta linda freguesia.

Andámos todos com medo
E com máscara facial,
Duas Páscoas sem folguedo
Fizeram-nos muito mal.

Sem compasso nem foguetório,
Sem convívio nem folia,
Nem sequer houve peditório
Nestes dois anos de pandemia. 

 (...) Quinta de Candoz, 18 de abril de 2022
____________________

Mais um ano, mais uma visita
Deste compasso pascal,
É uma festa bem bonita,
E que nunca é igual.

E que nunca é igual,
Logo vem outro, se falta algum,
Renova-se o pessoal,
Que aqui somos todos por um.

Que aqui somos todos por um,
Na alegria ou na tristeza,
Na fartura ou no jejum,
Cabendo todos à mesa.

Cabendo todos à mesa,
Onde não falta o anho assado,
Nesta casa portuguesa,
Onde honramos o passado.

Onde honramos o passado,
O presente e o futuro,
Se alguém está adoentado,
Tem aqui um porto seguro.

Tem aqui um porto seguro,
Damos valor à amizade,
Às vezes o rosto é duro,
Mas o resto é humildade.

Mas o resto é humildade,
Viva o compasso pascal,
E a nossa fraternidade!...
Boa Páscoa, pessoal!

Boa Páscoa, pessoal,
Boa saúde e longa vida,
À Ti Nitas, em especial,
Que nos é muito querida!

Quinta de Candoz,
segunda feira de Páscoa,

22 de abril de 2019


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Já lá vem, em festa, p’la estrada fora,
O compasso pascal da freguesia,
Chega à nossa casa mesmo na hora,
E a todos saúda com alegria.

Mais do que a tradição, 
é a certeza
De que a Páscoa é também renascimento,
E há sempre mais um lugar à mesa,
Para nosso geral contentamento.

Se não for preenchido, é o dos ausentes,
E, em especial, dos nossos mortos queridos;
Aos que vieram e estão aqui presentes,

Saibam que nós ficamos muito honrados.
E, aos do compasso, diremos, reconhecidos:
Tenham um dia feliz, mesmo… estoirados!


Quinta de Candoz, 2 de abril de 2018

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Aleluia, Cristo ressuscitou!,
Apregoa o compasso pascal,
Que hoje nesta casa nos visitou,
E a todos nos juntou neste local.

É uma das ruas da Madalena,
Que tem nome do nosso primeiro rei,
E eu, quando não posso vir, tenho pena,
Porque a Páscoa é aqui, isso eu sei.

Lá vai o compasso pela rua fora,
Sem freima, com prazer e devoção,
Com ordem, em festiva procissão.

À frente vai a cruz e uma senhora,
E outra porta se abre, ali na hora…
Até p’ró ano… e viva a tradição!

Madalena, V. N. Gaia,
domingo de Páscoa,

16 de abril de 2017

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Olha o compasso pascal,
Visitando a freguesia,
Nesta casa, é bom sinal,
Traz-nos a fé e a alegria.

Traz-nos a fé e a alegria,
Que todos bem precisamos,
É a Santa Páscoa o dia
Em que as forças renovamos.

Em que as forças renovamos,
Como seres humanos e cristãos,
Boas festas desejamos,
Pais, filhos, amigos, irmãos.


Pais, filhos, amigos, irmãos,
Vizinhos da Madalena,
Mais os de longe que aqui estão,
E quem não veio vai ter pena.

E quem não veio vai ter pena,
De neste ano faltar,
Mas fez esta cantilena,
Para com vós partilhar.

Para com vós partilhar
As coisas boas do Norte,
E a amizade reforçar
Com um abraço bem forte.


Lisboa e Madalena, V. N. Gaia, domingo de Páscoa,
27 de março de 2016, 10h30
__________________


Vem em abril este ano
O nosso pascal compasso,
Vem o sicrano e o beltrano,
A todos damos um abraço.

É já forte a tradição,
Desta gente aqui do Norte,
Abre a porta, pede a bênção,
A todos deseja sorte.

É um povo hospitaleiro,
Que sabe receber e dar,
Se na fé é o primeiro,
Não fica atrás no folgar.

Obrigados, nossos vizinhos,
Pela visita pascal,
E aceitem com carinhos
… As amêndoas deste casal.

(...) Madalena, 5 de abril de 2015
 
____________________

Páscoa em março, fome ou mortaço,
Diz o povo… Mas em Candoz,
Não há Páscoa sem compasso,
E não há gente como… nós!

Viva o compasso pascal
Que nos vem visitar,
Franqueando nosso portal,
Santas bênçãos nos quer dar.

Páscoa é festa com mensagem:
Triunfa a vida sobre a morte;
Segue o compasso a viagem
E a todos deseja…sorte.

Viva o compasso pascal
Que nos faz esta visita,
Vem por bem, não vem por mal,
Mas traz um saco prá… guita!

Sem guita não há foguetes,
Que é coisa que o povo adora,
Sem ovos não há omeletes,
Sem folar não me vou… embora!

Páscoa é festa da nossa vida,
É tradição cá do Norte,
Não há gente tão querida,
Alegre e de altivo… porte.

É casa de boa gente,
É povo abençoado,
Que gosta de dar ao dente
E se pela por anho… assado!

Parabéns às cozinheiras
Desta bíblica iguaria,
Elas são também obreiras
Desta nossa… alegria.

A todos, muito obrigados:
Sem uma farta e grande mesa,
Sem amigos e convidados,
Páscoa seria… tristeza!

(...) Quinta de Candoz, 1/4/2013

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10 julho 2019

Parabéns, Tiago, pelo teu 37º aniversáriio: sê feliz, ama e sê amado, pelo menos até ao fim dos entas...



Para o nosso Tiago querido,
Agora bem casado e trintão!



Parabéns pelas tuas 37 primaveras!


Voltas ao Porto seguro,
Deixas na ilha o vulcão,
Pode ser um bocado duro,
Mas não se extingue a paixão.

Não se extingue a paixão,
Por estar longe a tua amada,
E agora que és trintão,
E a Sofia bem casada.

E a Sofia bem casada,
Longe da sua cidade,
Em Barcelona exilada,
A suspirar de saudade.

A suspirar de saudade,
Mas sempre ao alcance da vista,
É uma parede de tabique
A distância que dela dista.

A distância que dela dista,
Não é coisa de tormenta
De avião ou por autopista,
O coração bem aguenta.

O coração bem aguenta,
É jovem e muito forte,
P’lo menos até aos noventa,
Sê feliz e boa sorte.

Teus tios e amigos, Luís e Alice
(O João e a Joana também assinam por baixo)


Alfragide, 10 de julho de 2019

15 janeiro 2017

Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida



Setenta rosas para setenta anos... A oferta dos manos... O cartão diz: "Parabéns!" e traz uns versinhos onde se lê: "Querida Nitas, por mor dos teus setenta anos, / Aceita este ramalhete com setenta rosas, / Que outras tantas vidas venturosas / Te desejamos, os teis qu'ridos manos". data e local: 15 de janeiro de 2017, Porto, Hotel Ipanema Park. Assinado: Zé + Teresa, Rosa + Quim,  Tó + Graça,  Alice + Luís, Manel + Mi.




A aniversariante (Nitas),. os manos (Tó e Zé) e as manas (Alice e Rosa) na festa de aniversário, Porto, Hotel Ipanema Park, 15/1/2017

Fotos: Luís Graça (2017)


Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida


por Luís Graça

1
Sou a mais novinha de três irmãs,
Rosa, Alice e eu, Ana… Belos frutos
Dos senhores de Candoz que, astutos,
Nos tratavam como  belas… romãs.

2
Tive uma infância alegre e feliz
E até dizem que fui muito mimada,
Eu, das coisas más, não me lembro nada,
Aceitei o destino como Deus o quis.

3
Sortuda, tenho mais três manos, rapazes,
Tó, Manel e Zé: nunca me deixaram mal,
Têm orgulho da terra natal,
São bons pais e avós, homens capazes.
  

4
No Porto estudei  para mais aprender,
E aos meus pais e manos estou obrigada,
Pelo Instituto fui diplomada,
E senhora engenheira passei a ser.

5
E as belas tranças que cortei, um dia ?
Não mais era rapariga de aldeia.
—Pst!, pst! — diz o Gusto — E aí a chamei,
E tirei-lhe uma foto, que alegria!

6
Então, a seta o Cupido lançou,
Certeira, ao meu pobre coração,
Foi numa tarde de fim de verão,
Que o amor da minha vida começou.


7
Mas sete anos o meu sogro servi,
Na mira de contigo, amor, casar
Diz o Gusto: — Fazíamos belo par,
E só passei a ter olhos p’ra ti!

8
Foi de arromba e de amor o meu casório,
Felicíssimos os meus pais, Zé e Maria,
Mais do que química, foi alquimia,
Com o meu Gusto montei um… laboratório!

9
O coração das mães é como o mar,
Tão grande que apaga sulcos e trilhos,
Sempre de abraços abertos pr’ os filhos,
E pr’as queridas noras que lhes calhar.


10
Pois, dou graças a todos e a Deus,
P’ las mercês do amor e da amizade,
Quero chegar a proveta idade
Para ainda ver crescer os netos meus.

11
Meu cabelo branco não tem mistério,
Gosto de assumir o que é natural,
Pintá-lo, sim, é artificial,
E para quê ? Não há cores no… cemitério!

12
Não me vejo nem me sinto reformada,
Tenho o coro, a casa da Madalena,
E Candoz, a lida não é pequena,
Tomara gente estar tão bem empregada!


13
Não é tarde p´ra cavaquinho tocar,
Cantar ou outro instrumento aprender,
A música alegra o nosso viver,
Que eu sozinha que é não quero estar.

14
E sou também uma avó babadíssima,
Tudo por causa da minha Carolina,
Eu a pensar ser minha triste sina
Ter qu’ viver uma velhice… chatíssima.

15
Espero, meus amigos, que desta festa
Tenham gostado… Por mim, adorei,
No centenário…,  vos convidarei,
De novo, pois não há amiga... como esta!


16
A vós todos, o meu muito obrigada,
Saio do hotel como uma princesa,
Tive muito amor, muitos mimos à mesa,
Sou uma menina… privilegiada!

Porto, Hotel Ipanema Park,

15 de janeiro de 2017

21 janeiro 2009

Adivinhem quem faz anos hoje ? O João, outro dos nossos médicos...


Caricatura de João, no livro do Curso de Medicina de 2002/2008, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM / UNL). (Cartoonista: Rui Duarte) (Com a devida vénia...).

O João faz hoje 25 anos... Filho da Maria Alice e do Luís Graça. Vive em Alfragide. Está a fazer o ano comum do internato médico no Hospital de São Francisco Xavier / Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, EPE.


À minha mãe, ao meu pai, à minha mana, aos meus avós,
e aos meus amigos, mais que mil,
tantos que não cabem aqui todos,
mas que eu gostaria de rever
no dia em que faço um quarto de século!



Às vinte e três, trinta e três,
De mil nove e oitenta quatro,
Nascia eu, bela rês,
De normalíssimo parto.

Quatro quilos mal pesados,
Cinquenta e um de comprido,
Meia dúzia de criados,
E eis um rapaz bem parido.

Bem parido e melhor tratado
P’la mão de futura ministra;
P’ra me mostrar obrigado,
Fiz-lhe uma coisa sinistra.

Sinistra, é um exagero,
Com a bexiga apertadinha,
Logo disse: “Eu cá, não espero”,
Aí vai uma mijinha…

Coitada da minha mãe,
Ali deitada, indefesa,
Que foi vítima também
Desta minha safadeza.

Privado é o hospital,
Aquário meu signo é,
E meu país Portugal,
Só mais tarde CEE.

Não me faltou o carinho,
De amigos, mais de mil,
Nem o meu o pai, queridinho,
Tudo gente de Abril.

Em casa fui recebido
Como um peludo ursinho,
Mimado, mais que lambido,
P’rá Joana, era o fofinho.

Ao apelido Carneiro,
Não achei grande graça,
Na escolinha era o primeiro,
Mas, lá fora, de má raça.

Chamavam-me João Mé-mé,
Por troça ou brincadeira,
À dentada e a pontapé,
Geri o conflito à maneira.

Vesti o bibe da creche,
No INSA era um senhor,
Até mordi, ao que parece,
O neto do director!

Lembro a Helena Munhoz
Que foi minha educadora,
Mas um dia ela e nós,
Foi-se tudo dali embora.

No Bairro de São Miguel,
Estudei com a Rosa Ralo,
O primeiro dia foi fel,
Custou muito a amargá-lo.

Da escola C mais S
Tenho muita saudade,
Ou o Garret não fosse
O meu prof da liberdade.

Em Alfragide, onde moro,
Tenho amigos do coração,
Tenho a Rita, que namoro,
E mais alguns que aqui estão.

Dou um salto até ao Camões,
Já a tocar violino,
Lá fiz mais amigalhões,
E decidi meu destino.

O resto da minha história
Não vou pô-la na praça,
É futura memória
Do senhor doutor João… Graça.

Vai a última quadrinha,
Para alguém muito especial,
A minha querida mãezinha,
A quem devo este Natal.

A ela faço homenagem,
Ao quilómetro vinte e cinco
Desta terrena viagem:
Às vezes choro, e outras… brinco.

Obrigado, Dona Alice,
Do coração, cá do fundo,
Acho que nunca te disse:
És a melhor... mãe do mundo!

(Versos de L.G., lidos na festa de anos do João,
Alfragide, 21 de Janeiro de 2009)