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19 junho 2019

50 manjericos, 50 quadras juninas... "Hoje, na Quinta do Jordão, / Há festa e cantoria, / Com a benção do São João, / Casam-se o Tiago e a Sofia!"



Quadras populares juninas
para os noivos, Tiago e Sofia,
em dia de casamento 
(V. N. Gaia, Quinta do Jordão,
19 de junho de 2019)


Refrão


Hoje, na Quinta do Jordão,
Há festa e cantoria,
Com a benção do São João,
Casam-se o Tiago e a Sofia!


1

Hoje é dia de alegria,
Com direito a foguetório,
É a festa do casório
Do Tiago e da Sofia.

2

Este amor não é uma treta,
O do Tiago & Sofia,
Vai custar uma nota preta,
Só a boda, diz a tia.

3

Ó Sofia, cum carago,
Está na hora de casarmos,
Diz, impaciente, o Tiago,
Temos já casa p’ra morarmos.

4

São do Porto que é uma nação,
Este jovem casalinho,
Unidos p’lo coração,
A Sofia e o Tiaguinho.

5

São João, milagreiro,
Dá sorte aos casadouros,
Junta o Tiago, tripeiro,
Com a Sofia dos mouros.

6

O Tiago, de Riba-Douro,
Construiu uma bela ponte,
P’ra ir co’ a Sofia à fonte
D’Além-Douro, terra de mouros.

7

Não há Norte nem há Sul,
Nem fronteiras no amor,
Tiago rima com azul, 

Sofia com qualquer cor.


8

Princesa, moura encantada,
De Vila Nova de Gaia, [já terra... de mouros!]
Sofia, a mais desejada,
Quando o Tiago vai à praia.

9

Na Pérola do Atlântico [, a ilha da Madeira,] 
E no seu devido tempo, 
Tiago, o último romântico,
Pede Sofia em casamento.

10

Com raízes em Resende [, lado materno,]
E Oliveira d’Hospital, [,lado paterno,]
Ela a ele não surpreende
Com o seu sim conjugal.

11

Vivam os santos populares,
Viva o nosso São João,
Que é do doutor Soares
O de maior estimação.

12

Há manjericos e balões
E no ar muita alegria,
Uniram os seus corações
O Tiago e a Sofia.

13

Viv’ ós noivos, viv’ós pais,
E o resto da confraria,
Vivam todos os demais,
Que vieram à... romaria.

14

Bem casado e mal pago,
Diz do noivo a Sofia,
Muito trabalha o Tiago,
P’ra ter uma moradia.

15

É cheia de predicados,
A Sofia, neurologista,
Um dos seus poucos pecados…
Ser, no Porto,...benfiquista.

16

Não se discute clubismo,
No Palácio da Sovela,[,nome antigo da Rua dos Mártires da Liberdade, onde os noivos moram] 
Nem machismo e feminismo
São bandeiras dele ou dela.

17

Lá vai, feliz e pimpão,
O São João que é o guia,
E atrás, de arco e balão, 

O Tiago e a Sofia.

18

Sofia, querida,
Casamento não é prisão,
Se for para toda a vida,

É o amor a mor razão.

19

Querido Tiago, morcão,
Não sejas bebé-chorão,
Se for uns meses p’ra Barcelona
A tua querida morcona.

20

Se a Sofia é carinhosa,
O Tiago é ternurento,
Ela é um botão de rosa,

Ele, um fruto sumarento.

21

Diz Sofia p’ró Tiago:
“O amor não paga imposto,
Mas, se sim, sou eu que pago, 

E pago-o com todo o gosto”.

22

Adivinhe, quem for capaz,
Quem este noivo será,
Ainda jovem e bom rapaz,
Feliz a noiva fará.

23

No tempo em que andou na escola,
Só andava atrás da bola,
O Tiago… e não sabia
Que havia uma Sofia!

24

É de maio, o mês das flores,
A nossa sábia Sofia,
Vai brilhar mais do que os doutores 

No exame de neurologia.

25

O noivo (em bebé):

Nasceu cedo, logo às sete,
É de oiro, este menino,
… Ou vai ser um diabrete,
Sempre a correr, sem destino.

26

O noivo (em bebé):

É um lindo bebé-chorão,
Que a mãe embala, sem medo;
É p’ró Luís, o irmão,
Um verdadeiro brinquedo. [Chamava-lhe Inkas!]

27

O noivo (em criança):

Teve uma infância feliz,
Numa família normal,
Foi saudável o petiz
Lá no seu Porto natal.

28

O noivo (em criança)

Lourinho, tinha melena,
Parecia um querubim,
Cortá-la, foi uma pena,
Mas tudo tem o seu fim.

29

O noivo (em criança)

No tempo em que andou na escola,
Dizem que muito se ria,
Mas gostava mais da bola
E de ser o Vitor Baía.

30

O noivo (na adolescência)

O Ayrton, campeão,
Marcou-lhe a puberdade,
Ficará no coração,
Como exemplo de heroicidade.

31

O noivo (na adolescência):

Outro sonho foi correr mundo,
Ser o Senna do kartódromo: 

É com desgosto profundo
Que o vê morrer no autódromo.

32

O noivo (quando jovem)

“Sou Soares e Carneiro,
Gente de carácter forte,
C’o meu espírito aventureiro,
Irei sempre tentar a sorte.”

33

O noivo (quando jovem)

Por cada porta fechada
Há mais duas por abrir:
“Pai, não quero a tua mesada,
Pró Brasil vou partir.”



34

O noivo (quando jovem)

Não chores, minha mãe Ana,
Qu’ eu vou ser um grande surfista,
Mestre por Copacabana,
Do amor, especialista.

35

O noivo (quando jovem)

“Estão à espera cá do doutor,
As garotas de Ipanema;
Que vida bela, Senhor,
Mais bela que no cinema!”

36

O noivo (quando jovem)

“E em Palermo, outra sabática,
Onde muito aprendi,
Foi lição teórico-prática,
Ao Erasmus agradeci.”

37

O noivo (quando jovem)

Vocação p’ra medicina ?
Isso são cantigas e lérias,
Bons hotéis com piscina,
É o que ele só queria nas férias.


38

O noivo (quando jovem)

“Mas o Porto tem outra magia
P’ra viver e p’ra estudar,
Em passando a anatomia,
O curso vou acabar.”

39

O noivo (quando jovem)

“Na Tuna do Orfeão,
Cantei, toquei, encantei,
Foi outra grande paixão,
Viajei e namorei.”

40

O noivo (quando jovem)

Muitas noites mal dormidas,
Olheiras fundas, cansaço,
Exames, horas sofridas,
Uma só vontade d’aço.

41

O noivo (quando jovem)

“Mas cheguei à minha meta,
E acho que valeu a pena,
Como diz meu tio, poeta,
Nunca fui de alma pequena.”


42

O noivo (quando jovem médico)

Não acabou a fisiatria,
E ainda bem que trocou, [por imagiologia,]
Tirou o raio X à Sofia,
E com ela se casou.


43

O noivo (quando jovem médico)

P´rós amigos, é divertido,
O nosso Tiago, doutor,
P’ra Sofia, é mais que querido,
Da sua vida, o grande amor.

44

O noivo (quando jovem médico muito antes de tirar o raio X à Sofia)

O Tiago bem namora
Para logo se descasar,
Mas há de chegar a hora
De também o nó qu’rer dar.

45

O noivo (quando jovem médico, em 2007)

Pois, o grande herói, carago,
Deste ano, longo e épico,
Foi o nosso Doutor Tiago,
Da Família o novo médico.

46

O noivo (quando jovem médico, em 2012)

Vamos a ver se o Tiago gosta:
Bons augúrios pelo Natal,
Haverá moura pela costa,
Diz a bola de cristal!

47

O noivo (quando jovem médico, em 2013, já rico, santo e famoso e dono do palácio da rua da Sovela…)

O apóstolo Tiago,
Que há-de ser santo nas Compostelas,
Está agora cheio de bago,
A ver barrigas e costelas.

Rapaz solteiro e portista,
Tem casa nova na Baixa, [, na rua da Sovela,]
O nosso imagiologista,
Que pagou com dinheiro em caixa.


48 


O noivo (quando jovem médico, em 2014, apaixonado, segundo a bola de cristal…)

Quem tem moura encantada,
Dizem, é o nosso Tiago,
Anda muito bem guardada,
Que o diabo... é do carago!



49

O noivo (quando jovem médico, em 2016, sortudo…)

Quem não falta é o nosso vidente,
Com a sua mais que tudo,
Tiago, lês o corpo da gente,
Estás feliz e és um sortudo.

50

A última, p’rós dois, Sofia e Tiago, "just married":

Sempre (e)ternos namorados,
Mas agora já bem casados,
Sob os eflúvios juninos,
Venham de lá esses meninos.



Vila Nova de Gaia, Quinta do Jordão, 

19 de junho de 2019

O tio poeta, Luís Graça 

( que veio da Lourinhã)

22 abril 2019

Viva o compasso pascal!

Viva o compasso pascal!


Mais um ano, mais uma visita
Deste compasso pascal,
É uma festa bem bonita,
E que nunca é igual.

E que nunca é igual
Logo vem outro, se falta algum,
Renova-se o pessoal,
Que aqui somos todos por um.

Que aqui somos todos por um,
Na alegria ou na tristeza,
Na fartura ou no jejum,
Cabendo todos à mesa.

Cabendo todos à mesa,
Onde não falta o anho assado,
Nesta casa portuguesa,
Onde honramos o passado.

Onde honramos o passado,
O presente e o futuro,
Se alguém está adoentado,
Tem aqui um porto seguro.

Tem aqui um porto seguro,
Damos valor à amizade,
Às vezes o rosto é duro,
Mas o resto é humildade.

Mas o resto é humildade,
Viva o compasso pascal,
E a nossa fraternidade!...
Boa Páscoa, pessoal!

Boa Páscoa, pessoal,
Boa saúde e longa vida,
À Ti Nitas, em especial,
Que nos é muito querida!

Quinta de Candoz,
segunda feira de Páscoa,

22 de abril de 2019

01 janeiro 2017

As janeiras da Madalena, com viagem no tempo 2006-2016







Vila Nova de Gaia > Madalena >  24 de dezembro de 2016 > Algumas das coisas boas do Natal português nortenho... Os arranjos de azevinho (de Candoz), as rabanadas, os bolinhos de chila, o arroz doce (prós "mouros", que a aletria é que é prós "morcões"...), a lareira, e sobretudo o calor humano, a amizade, a arte de bem receber... coisas que não têm preço e nem se vendem nas grandes superfícies!

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2016). Todos os direitos reservados



As janeiras da Madalena,
com viagem no tempo 2006-2016


Aos donos da casa, Gusto e Nitas


É  tradição natalícia
Aqui as janeiras cantar,
E,  se um dia isso acabar,
Meus meninos, chamem a polícia!

No novo ano que aí vem
Há mais três septuagenários,
Não faz mal, e ainda bem,
Colecionamos aniversários.

Luís, Ana e Augusto,
Cada um de seu signo astral,
Um jubila-se, mas a custo,
E não gosta do Pai Natal.

P’ra Ti Nitas, a melhor prenda  
É o seu homem, que não tem preço,
Visto de frente ou de avesso,
Comprava-o, se d’novo à venda.

Sou  festiva e gaiteira,
Tenho horóscopo benigno,
 Sou mulher trabalhadeira,
Capricórnio é meu signo.

Esfalfei-me a trabalhar
Para vos dar a consoada,
C’o licença, vou-me sentar,
Que estou dorida e cansada.
  

…2007

Nesta noite de magia,
Reinas como uma rainha
Por isso não estás sozinha,
Querida Nitas, nossa tia.


2016

Ninguém sabe o segredo
P’ra um tão rápido crescer,
Se inda agora os vimos nascer,
À Nonô e  ao João Pedro.

Têm varinha de condão
Mamã Sandra e papá Rui,
Dá-se corda ao coração,
E o tempo com amor flui.

…2006

Nada há mais belo no mundo,
Que as nossas criancinhas,
Seus sorrisos calam fundo,
São as nossas melhores prendinhas.

Filhos do Rui e da Sandra,
O João Pedro e a Leonor,
Sendo esta a mais malandra,
Mas também com mais humor.
  

2016

E senhorinha Maria,
Qualquer dia, com namorado ?
Só poderá ser, mamã Sofia,
Um princípe encantado.

E para grande surpresa
Do Miguel, que fica acordado,
Sai à noite a princesa
Num coche todo dourado.

….2006

Já lá vai o dois mil e seis
Que não nos deixa saudade,
Com os dedos sem anéis,
Salvou-se a maternidade.

Nasceu a bela Maria,
Um prenda para todos nós,
Alegria dos avós,
Do Miguel e da Sofia.

A ajudante de cozinha
É a nossa q’rida Berta,
É uma babada avozinha,
Com mais uma linda neta.


2016

Hoje falta ao nosso Natal
O Joãozinho de Lisboa
Trocou-nos lá p’lo Funchal
Onde diz que tem coisa boa.

O seu nome é Catarina
Pró João é um florentina,
Tem a elegância da estrelícia
E a calma natalícia.

Quem não falta é o nosso vidente,
 Com a sua mais que tudo,
Tiago, ês o corpo  gente,
Estás feliz e és um sortudo.

E pra veres mais e melhor
Tens a tua neurologista,
A Sofia, que é um amor,
Só é pena ser benfiquista.
  

… 2006

Já receitam aspirina,
Só não partem corações,
Estão a acabar medicina
Os nossos dois valentões.

Os doutores que à mesa ‘stão,
São dois tipos do carago,
De Lisboa, o João,
E o do Porto, o Tiago.

… 2007

Adeus Sicília, Palermo,
Onde deixei os meus amores,
O Porto agora é um ermo,
Vou p’ra Madeira ou Açores.
  

… 2012

Bons augúrios de Natal
Diz a bola de cristal
 Que haverá moura pela costa, 
Vamos a ver se o Tiago gosta.

2016

O pai queria-o a comandar,
A nossa marinha de guerra,
Afinal ficou em terra,
Mas p’lo fisco a zelar.

E c’o Filipe fazem tandem
P’la estrada da vida fora,
A Suzana, bela mãe,
E a Carol, que já não chora.

O Gaudi, esse, é o rei,
É um Labrador refinado,  
Só que em nome da lei,
É da Maria apartado.


…2007

Em azul que é a melhor cor,
Nesta bola de cristal,
Vejo o Filipe inspetor
Da Segurança Social.


... 2012

Quem está de parabéns,
É o nosso inspetor,
Que dantes não gostava de cães
E agora tem Labrador!

2016

Dos convidados é o primeiro,
Mas às vezes fica amuado,
O nosso vizinho do lado,
De seu nome Pedro Carneiro.

São menos quatro à mesa,
Ele e o resto da família,
O Diogo, a Tata, a Patrícia,
Temos pena, e não é p’la despesa.

2016

De estórias é contadora,
E traz a todos alegria,
Na Madalena é senhora,
Tem os miminhos do tio e tia.

…2007

É como o cão  e o gato,
A Joana e  sua mãe,
Hoje fizeram um pacto,
Paz, amor, tudo bem!

… 2012

A Joana veio ao norte,
Solteirinha, por casar,
Com mais um pouco de sorte,
Voltará de novo a amar. 


 … 2012

A Alice caiu num cato
E ficou que nem porco-espinho,
O Ti Gusto  com o seu tato
Tirou-o vaso do caminho,


2016

Este ano não se fez rogada
Cabelo branco é ternura,
Para quê pôr-se pintada
 Se é tudo contra-natura ?!

 Para quem quer ser avó,
E tem medo de ficar só,
O branco muito bem condiz,
Bem lhe assevera o Luís.


… 2006

Do nosso amigo José,
Pai da Sandra e do Miguel,
Dizem os netos que é
Um torrãozinho de mel.

2016

Ó Zé, tu, nosso decano,
Que a idade é sempre um posto,
Convidado ficas pró ano,
E eu também virei com gosto.

Está na hora de me ir embora
E p’ras janeiras acabar,
Resta-me apenas saudar
Os da casa e os de fora.

Há Natais de todo o cariz,
E tem sempre consumição,
Nesta casa a gente diz
Que faz bem ao coração.


Madalena, 24/25  de dezembro de 2016