24 dezembro 2014

As janeiras da Madalena, 2014-2015


As janeiras da Madalena, 2014-2015

1
Obrigado aos da casa
Por esta ceia de Natal,
Mesmo c’um grãozinho na asa
De nada vou dizer mal.

2
Bacalhau de cinco estrelas,
Que de sal estava q.b.,
Já as pencas, amarelas,
Foi do tempo, já se vê…

3
O azeite, o melhor do mundo,
Coisa fina de gourmet,
E o vinho que cala fundo,
E trepa qual TGV ?

4
E p’ra alegrar a malta,
Venham os queijos, como abertura!,
Nem o de chèvre aqui falta,
Nesta tábua de fartura,

5
É uma noite de grande festa,
Juntando Soares e Carneiros,
E eu até trouxe uma cesta
P’ra os restos dos lambareiros.


6
Quem está de parabéns,
É o nosso inspetor,
Que dantes não gostava de cães
E agora tem Labrador!

7
Na arte imobiliária
Marca pontos, a Susana,
A nossa biproprietária,
Qu’não basta… amor e uma cabana.

8
E que tem moura encantada,
Dizem, é o nosso Tiago,
Anda muito bem guardada,
Que o diabo é do carago!

9
Quais duquesas e quais duques,
A não ser que fosse uma louraça,
Só tem olhos para os books
O doutor João da Graça.

10
Sofia sabe de tudo,
De dieta à gestão de eventos,
O Miguel é um sortudo,
Vive em casa de talentos.

11
São já velha tradição,
Na Madalena, as janeiras,
Nem a Joana suja o chão,
Nem o Pedro faz asneiras.

12
O Novo Ano é sempre assim,
Diz o Gusto, sem inquietações,
Em português ou em mandarim,
Seguiremos as instruções.

13
Sabe tudo sobre a colite,
Médico otrata por colega,
Que se lixe a tendinite,
Seu saber p'ra ela chega.


14
Passa a ser cronometrado
O trabalho da enfermeira:
- Ó Sandra, já estou tramado -,
Diz o Rui com ciumeira.

15
Ó mamãs Sandra e Sofia,
E a canalha ? É só crescer
João Pedro, Nonô, Maria,
Inda agora os vi nascer.

16
 E tu, Patrícia, que dizes
Do teu Diogo e da tua Tata ?
- Cá os meus dois petizes
Já têm cara de lata!

17
Quem já tem lugar marcado
Nesta santa manjedoura
É o Zé, avô babado,
E dona Berta, senhora.

18
Há mais dois comensais
Que são fregueses deste hotel,
Nunca se sentem a mais,
A Alice e o Lis Manel…

19
Se tudo foi bem contado,
Só me resta terminar,
Nitas, Gusto, muito obrigado,
Vou-me embora, encantado. 


20
Ninguém leva o humor a mal
Nesta casa de boa gente,
A todos feliz Natal,
E que ninguém fique…doente!


Madalena, 24-25 de dezembro de 2014


Luís Graça

27 agosto 2014

As nossas comidinhas (8): arroz de tomate com petingas e fanecas fritas + bacalhau à dona Olinda






Fotos de LG

Festa em honra de Nossa Senhora do Socorro, 2014: o grupo de bombos de Santa Eulália, Ariz, na Quinta de Candoz...





Vídeo 5' 44''



Vídeo 1' 47''








Marco de Canaveses > Paredes de Viadores e Manhuncelos >  Candoz > Tabanca de Candoz >  26/7/2014.> Grupo de Bombos de Santa Eulália, Ariz, no peditório para a festa em hona de Nossa Senhora do Socorro (que é semopre no último fim de semana de julho)

Fotos e vídeos: © Luís Graça  (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: LG)


1. Tinha prometido ao Agostinho que publicava estes vídeos no nosso blogue. Ele é o cantador do Grupo de  Bombos de Santa Eulália, Ariz, Marco de Canaveses. Toca também concertina e caixa. Ele herdou o talento do seu avô que cantava à desgarrada. É uma geração, a do jovem Agostinho,  que, felizmente. já não irá à guerra (esperamo-lo bem!), e que é guardiã e continuadora de tradições desta nobre e valente gente do Douro Litoral.  Estas tradições fazem parte dos "nossos seres, saberes e lazeres" e são acarinhadas pelo família e anigos da Quinta de Candoz...

Quando chega o verão, há foguetes e alegria no ar. Estes jovens ganham uns cobres acompanhando os mordomos das festas no peditório , casa a casa. Neste caso, o peditória era para a festa da padroeira da freguesia de Paredes de Viadores (e que agora passou taambém a incluir a antuga freguesia de Manhuncelos), a  Nossa Senhora do Socorro, que tem uma  capela que remonta ao séc. XIX, num dos pontos altos do território da freguesia...

O Grupo de Bombos de Santa Eulália de Ariz tem página no Facebook.

2. Diga-se, de passagem, que Ariz, que é sede de freguesia, é hoje conhecida pelo seu carnaval, os seus foliões e cabecudos,  mas também, no seu passado histórico, pela famigerada "forca de Ariz" onde terão sido foram exsecutados (, ficando  dependurados os seus cadáveres, como forma de terror) muitos dos condenados à morte até à extinção da pena capital no nosso país...  mas também alguns dos portugueses, vítimas da guerra civil, fratricida, entre liberais e absolutistas (1828-1834).

Ariz fazia parte, até 1852, do extinto concelho de Bem-Vuver (que ocupava a parte do sul do atual concelho de Marco de Canaveses)... Por estas terras também o lendário herói do "banditismo social", Zé do Telhado ( Castelões de Recesinhos, Penafiel, 1818  / Mucari, Malanje, Angola, 1875). e o seu bando, cujas façanhas ficaram na memória das gentes dos vales do Sousa e Tâmega (onde nasceu Portugal).  Desterrado, Zé do Telhado morreu em Angola (onde a sua memória ainda é, ao que parece, venerada). (LG)



07 agosto 2014

Não sei se as "aves do paraíso" são felizes,,, mas em Candoz poderiam sê-lo (Luís Graça)


Não sei se as aves do paraíso são felizes…

por Luís Graça

Não sei se as aves do paraíso
são felizes.
Mas em Candoz poderiam sê-lo.
Não há aves do paraíso em Candoz
porque Candoz fica no hemisfério norte,
longe dos trópicos e longe do paraíso
(se é que ele existe).
Dizem que as aves do paraíso
são as criaturas mais lindas do mundo.
Em Candoz, há outras aves, outros pássaros,
daqueles que rasgam os céus
e nidificam na terra:
há perdizes,
poucas e loucas;
há pombos bravos dos pinhais,
e rolas, de outras paragens,
alegres pintassilgos,
ruidosos pardais do telhado,
andorinhas, cada vez mais,
no vaivém das suas viagens,
mas também  boieiras, popas, verdilhões.
Há coros de rouxinóis,
outras aves canoras e canastrões,
melros de bico amarelo
que fazem seus ninhos nas videiras do vinho verde.
Não há guarda-rios, azuis e vermelhos,
à cota trezentos,
com o rio Douro ao fundo do vale,
a serra de Montemuro em frente.
Eça de Queiroz.
meu vizinho,  da Quinta de Tormes,
deveria gostar de Candoz
onde os pássaros são livres,
e, se são livres, logo serão felizes.
Pelo menos têm grandes espaços para voar,
os pássaros de Candoz.
Claro que há os predadores,
o gaio, o corvo, o búteo, o mocho, o milhafre…
A liberdade é a primeira condição da felicidade.
Triste é o melro na gaiola,
mesmo que esta seja forrada a ouro.
A outra condição é a equidade.
E eu aqui presumo 
que haja igualdade de oportunidades
na busca de alimentos,
de sítios para nidificar
e de parceiros para acasalar.
As andorinhas que por cá ficaram,
há mais de uma década,
parecem ser felizes.
São inteligentes, as andorinhas,
e fazem análises de custo-benefício,
como qualquer economista.
Passam todo o santo dia a caçar insetos
num raio de 500 metros à volta do ninho
que fizeram no alpendre de uma das casas
em redor do fio da lâmpada exterior.
É uma insólita construção,
herdada de geração em geração
e todos os anos retocada ou reconstruída.
Já não voltam para o norte de África,
ticam por cá,
as andorinhas de Candoz.
Se calhar fogem de Alá,
do alvoroço do povo
e dos tiros das Kalash.
Afinal, a felicidade está onde nós a pomos,
mas nós nunca a pomos onde nós estamos.

Lourinhã, 7/8/2014.

Há 38 anos casei-me em Candoz
com a Chita,
a minha “ave do paraíso”.
Foi o primeiro casamento civil do ano,
no Marco de Canaveses.

26 julho 2014

Parabéns ao nosso Quin pelas suas 80 primaveras!... E à nosss Zezinha, pelo seu meio século + 1...

Tem uma ponta de vaidade,
Deus o fez e quis assim, 
Foi do campo p'ra cidade...
Quem é, quem é?... É o Quim!...

Nascido lá nas Regadas,
Lugar de Paços Gaiolo,
Tinha lábia p'rás casadas,
E com as solteiras era tolo.

Com o seu olho azul marinho,
Deixou menina chorosa,
Quem por ele tinha um fraquinho
Era a nossa mana Rosa.

Dura vida, a de Ambrões,
Por causa de um tal major,
Mas há mais recordações,
Lisboa foi a melhor.

São oitenta bem vividos,
Os anos do homenageado,
Parabéns lhe são devidos,
Ao Joaquim, nosso cunhado.

Mas também à Zezinha,
Que já está uma... cinquentona,
Nossa primeira sobrinha
E a mais... brincalhona.

Candoz, 26/7/2014,
Luís e Alice, Gusto e Nitas, Manel e Mi, Zé e Teresa...
Mais as Donas, Olinda, Helena... e Nina.

13 fevereiro 2014

In Memoriam: Maria da Graça (1922-2014)



Lourinhã, jardim da Senhora dos Anjos, 1947: eu, aos 8 meses,
ao colo da minha mãe, Maria da Graça (1922-204) e ao lado do
meu pai, Luis Henriques (1920-2012). Foto: LG


In Memoriam, Maria da Graça (1922-2014)


Oração dos filhos, nora e genros, netos e bisnetos,
demais parentes bem como amigos
que vieram de mais longe ou de mais perto
(Porto, Fundão, Lisboa, Torres Vedras, Nadrupe, Atalaia, Lourinhã...),
para acompanhar a Maria da Graça,
"até à sua última morada",
e a quem eu estou muito grato e reconhecido.

Um xicocoração apertado para a Nitas, o Gusto, o Zé e o Quim
que, num dia triste de chuva e vento, fizeram mais de 500 km
para nos apoiar e consolar.
Obrigado ao resto da grande família de Candoz
que nos telefonou,
dando uma palavrinha de consolo.
Luís/Alice e restante família da Lourinhã


Minha querida mãe,
em nome de todos nós,
tua família e amigos,
e por ser o filho mais velho
deixa-me dizer-te
algumas palavras, breves, de despedida,
mas também de agradecimento e esperança.

Chegaste ao fim da autoestrada da vida,
ao km 91,
serenamente, sem dor, em paz.
E preparas-te para fazer outra viagem,
a travessia do rio Caronte,
como diziam os gregos antigos:
uma viagem de que nenhum mortal alguma vez regressou.

Estamos aqui,
na igreja onde tu me trouxeste para me batizares,
num dia frio como este, em 1947,
estamos hoje aqui
para te dizer
quanto te amamos.
Não ficarás na história com H grande,
mas ficas na nossa história,
nos nossos corações,
nas nossas memórias,
nas fotos e vídeos que fizemos,
nas palavras que sentimos,
nas palavras que te dissemos ou escrevemos,
nos gestos de amor, afeto e carinho
que trocámos…

Despedes-te da terra da alegria,
como diz o poeta Ruy Belo,
despedes-te da grande família
que, como uma verdadeira matriarca,
criaste, alimentaste, cuidaste…

Não vou dizer que foste a melhor mãe do mundo
porque estaria a fazer comparações sem sentido.
Para nós,
teus filhos, netos e bisnetos,
foste muito simplesmente
a mãe querida,
a sogra amada,
a avó babada,
a bisavó velhinha,
a boa amiga…

Não há palavras
para explicar o mistério da vida e da morte,
mas aqui, nesta oração, cabe uma palavra,
de reconhecimento,
de agradecimento
pelo amor incondicional que sempre tiveste por nós,
e pelo nosso saudoso e querido pai.
Por nós, teus filhos, nunca esqueceremos
os teus pequenos grandes gestos de amor,
desde a preciosa vida que nos deste
até ao desvelo e carinho
com que ajudaste a nascer e a a criar
e viste crescer os teus netos e bisnetos.

Foste uma boa mãe,
como todas as mães do mundo...
e eu, da minha parte, nunca esquecerei
que, com as minhas irmãs e o meu pai,
rezavas por mim, todos os dias,
nos quase 700 dias
em que estive lá longe,
na guerra, na Guiné.

Como rezavas por todos nós,
pelos teus demais filhos e netos
nas horas difíceis,
na véspera de um exame
ou na incerta hora de um parto.

Tal como pai, que tratava carinhosamente
por “Maria, minha cachopa”,
partes em paz contigo,
com o mundo,
e com Deus.
A tua vida foi um livro aberto,
a de um mulher simples e generosa
que nada ou muito pouco pedia em troca
e que tanto deu,
em serviço aos outros.

A tua vida,
a tua morte
são também um exemplo,
para todos nós,
de esperança, de tenacidade, de verdade e de bondade.
O teu exemplo e a tua doce memória
vão-nos acampanhar pelo resto das nossas das vidas.

Deixa-me, por mim, mandar-te um recado
dos teus netos e bisnetos,
estão aqui todos,
exceto o Filipe
que não pôde vir a tempo, de Inglaterra,
mas que está connosco em pensamento.

Avó linda, avó velhinha,
estamos-te gratos
por tudo o que nos deste em vida.
Falaremos de ti com saudade e ternura.
Vela por nós,
lá do alto,
onde já tens uma estrelinha com o teu nome,
Maria da Graça.

Igreja de Santa Maria do Castelo, Lourinhã, 13/2/2014