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26 junho 2017

In memoriam: Jorge Dinis (1962 2017)




Marco de Canveses > Paredes de Viadores > Festa da família Ferreira > 10 de julho de 2011 > Da esquerda para a direita: o Tiago (que fazia 29 anos), o Jorge Dinis, a Paul e, de costas, a filha mais velha da Paula e do Jorge, a Carolina ("Kika")






Marco de Canveses > Paredes de Viadores > Festa da família Ferreira > 10 de julho de 2011 > O Jorge e a Paula (Ana Paula, para os amigos)



Marco de Canveses > Paredes de Viadores > Festa da família Ferreira > 10 de julho de 2011 > Alguns dos muitos músicos que animaram a festa: a Carolina e o João (violino), o Mariano (guitarra portuguesa) e o Luís Filipe (viola)

Fotos do álbum das famílias Carneiro e Soares (2011)






Tanatório de Matosinhos > 27 de junho de 2017 > A despedida

Foto de Luís Graça (2017)


Oração fúnebre  ao nosso querido 
Jorge Dinis (1962-2017)



Querido Jorge:


Já não estás entre nós
neste princípio do verão do nosso descontentamento,
o barqueiro de Caronte
levou-te para a outra margem.
Há agora um rio a separar-nos
definitivamente,
a separar os deuses e os heróis
dos simples seres humanos, mortais.
Só os primeiros têm o privilégio
de fazer a viagem de ida e volta.

Mas estamos todos aqui a despedirmo-nos de ti,
para que esse rio não seja
o do esquecimento e da ingratidão.
Em termos poéticos,
é uma imagem poderosa,
que nos vem da antiguidade clássica,
essa do rio Caronte
e do seu barqueiro
a quem os mortos têm que dar uma moeda
para que os leve, em paz, para a outra margem.

Jorge:
a vida, a história, a geografia
aproximaram-nos e separaram-nos.
Os dois, tu e eu,  nunca fomos íntimos
mas tínhamos o privilégio de pertencer
a uma grande família,
pelo casamento.
E é em meu nome e de todos eles,
e, por extensão, em nome dos teus demais amigos
que eu te faço esta singela oração fúnebre
(ou elegia ou, talvez até com mais propriedade, elogio).

A última vez que te vi foi há seis anos,
na festa da família,
em 10 de julho de 2011,
acompanhado das mulheres da tua vida,
as tuas "princesas".
Guardo de ti e das poucas fotografias que temos de ti,
a serenidade do  teu olhar,
o teu trato afável,
o teu fino sentido de humor,
o grande amor que tinhas pela tua família,
a paixão pela vida 
e o prazer das coisas boas da vida.
Lembro-me de ter estado contigo
também nalgumas datas especiais,
como as festas de Natal,
sem esquecer o dia o teu casamento com a Paula:
levavam já vocês a Carolina, ao colo!...
Dupla festa de casamento e batizado,
e que bonita que foi!

Deixa-me recordar aqui os versinhos que te fiz,
em nome dos tios e  tias da família Carneiro,
que estavam na mesa  seis,
com os respetivos consortes,
Deixa-me transcrever as três últimas quadras
que rezavam assim:


(…) Uma querida menina,
Diz o pai, Jorge Dinis,
O amor é uma mina
P'ró economista f'liz!

P'ró economista f'liz
Amor vem sempre primeiro
A Paula assim o quis,
Com a benção do Carneiro

Com a benção do Carneiro,
No vale dos Raposinhos
Não falte paz e dinheiro
A este par d'amorzinhos. (…)

Depois veio a Maria
para completar a vossa felicidade.
Tiveste tudo na vida ou quase tudo.
A tua morte deixa-nos agora devastados,
a todos nós, teus familiares,
e aos teus amigos, 
os teus "caros", como lhes chamavas,
aqui presentes
para te render a última homenagem 
e despedir-se de ti.

É sempre triste a despedida,
a separação,
e, pior ainda, quando não anunciada.
Um dia destes,
num qualquer dia de uma das Quatro Estações do Ano,
também nós tomaremos lugar
nesse barco do barqueiro de Caronte.
Mas até lá, vamos teimar
em continuar a ver-te
com o teu ar sedutor,
com a tua presença luminosa,
com a tua facilidade em estabelecer 
relações e amizades.
Falo daqueles que te conheceram,
e tiveram o privilégio de lidar contigo,
a começar pelas tuas mulheres,
que muito te amaram e te amam.

E aqui deixa-me
destacar a nossa Paula
a tua Paula
por quem rezamos,
para que não lhe falte a fortaleza dos rochedos 
das praias de Gaia,
nesta hora de grande provação,
bem como as tuas filhas Carolina e Maria
cujo amor e coragem
passarão a ser uma referência
para todos nós.

A última consolação que nos resta
é a de saber que, se há um lugar
para os humanos
no condomínio de luxo dos deuses,
lá no Olimpo,
tu já ganhaste esse lugar, 
por decisão nossa e mérito teu em vida.
Quando também chegar a hora
da  nossa partida
no barco de Caronte,
haveremos então, todos juntos,
de reatar as conversas
que a tua morte estupidamente  interrompeu.

Foste à frente de todos nós,
mas a tua vida iluminou-nos
e a tua nobreza na adversidade
engrandeceu-nos,
a todos nós,
teus familiares e amigos.

Jorge, temos muito orgulho em ti!

E, no entanto,
quantos projetos não ficaram ainda 
por concretizar,
meu amigo!
E se tu tinhas ganas
de viver,
de vivê-los,
com a tua Paula
com as tuas filhas Carolina e Maria
com os teus amigos!...
Com a tua Carolina, a tua Kika, 
que quer ser médica 
e há-de ser um grande médica,
para orgulho teu 
e de todos nós!

Guardaremos connosco
as melhores recordações
do melhor de ti,
tu que foste um homem inteligente
e bom
e generoso

e amigo do seu amigo!

Quem fica do lado de cá,
separado por esse rio intransponível,
fica sempre desolado e inconsolável
pela perda irreparável
que é a morte,
a tua morte,
a qual é também a nossa futura morte.

Quem fica do lado de cá,
como nós,
fica a dizer-te adeus,
numa despedida
que é sempre breve,
porém dolorosa,
tingida já da agridoce saudade,
que dizem ser tão típica dos portugueses.
Os teus amigos de Gaia e do Porto
e de todos os lugares do mundo
onde foste feliz,
ficam no cais do rio Douro a dizer-te a adeus,
convencidos que partiste apenas
para outra cidade noutro continente,
ou noutra outra galáxia.
Como disse um amigo teu, 
com dolorosa ternura, no Facebook,
vamos supor que mudaste apenas
para o andar de cima
da casa dos teus sonhos no vale dos Raposinhos.

Leva contigo estas últimas palavras
dos teus amigos e familiares,
que elas te ajudem a atravessar o Caronte,
e a fazer boa viagem.

De regresso a casa,
vamos ajudar as tuas "princesas",
a  suportar um pouco melhor,
a tua trágica partida.
a dulcificar as lágrimas de sal,
a fazer o luto,
a construir a ponte sobre o Rio de Caronte.
É por isso que aqui estamos,
é para isso que servem a família
e os muitos e bons amigo que tu tinhas 
(e continuarás a ter) .

Até sempre, Jorge!... Ou até logo!

Tanatório de  Matosinhos, 27 de junho de 2017, 11h


a) Luís Graça, em nome da família Carneiro 
e demais amigos

07 setembro 2013

Festa da Família Ferreira 2013 (9): Os primos do Ribeirinho, ramo da família Carneiro


Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Festa da Família Ferreira 2013 > 7 de setembro de 2013 > O reencontro dos primos Carneiros, de Candoz (Nitas, Alice, Zé, Rosa) com os primeiros Carneiro, do Ribeirinho (Dolores, Alice, Carmesinda).


O reencontro: as duas Alice, a de Candoz, e a do Ribeirinho


As primas Carmesinda (mais o marido) e a Alice  de Candoz


Da esquerda para a direita: Carmesinda, o marido, o marido da Dolores e a Rosa


Alice (do Ribeirinho), Rosa e Carmesinda


O marido da Dolores e o Zé Carneiro


A Dolores e o Manel 


A Dolores, que tem uma belísisma voz, junto à Nitas, à Mi e à São, no grupo dos cantaréus.


Para elas (e para eles), aqui vão uns versinhos de improviso, a pedido da Chita, que o poeta não as tinha na sua lista:

Os primos do Ribeirinho
Fizeram-nos a surpresa,
Apareceram de mansinho,
Sentaram-se à nossa mesa.

Se o pai Carneiro fosse vivo,
Logo um anho mataria
E à mesa um lugar cativo
Para eles reservaria.

Dolores, Alice, Carmesinda,
Sois primas muito queridas,
Não se vão embora ainda,
Com as memórias sofridas.

Texto e fotos; Luís Graça (2013)

29 agosto 2012

José Carneiro (1911-1996), construtor civil de ramadas


Foto nº 1 - Duplicado de recibo de 30 de dezembro de 1953

José Carneiro (1911-1996) exerceu, durante décadas, a atividade de “construtor civil de ramadas”, vulgo ramadeiro. Era uma atividade sazonal, que conciliava com a de agricultor e também, mais tarde, de negociante de uvas. Tinha fama de ser exigente para com os seus trabalhadores, e oferecer aos seus clientes garantias de obra acabada, bem feita e duradoura.

Tanto quanto sei, foi ofício que herdou do pai, e que foi continuado pelo irmão mais velho, António Carneiro, nascido em 1909 e já falecido (em data que não posso precisar; 1974 ou 1975, diz a Alice). José era o irmão mais novo da família Carneiro, de Ribeirinho. O pai deve ter morrido em 1929, quando ele tinha 17 ou 18 anos. O pai terá começado a trabalhar em ramadas na Casa da Igreja (ou de Paredes). O José trabalhou com o seu mano António como ramadeiro, até casar, em 1938. Depois estabeleceu-se por conta própria.

Devia estar inscrito como “construtor civil de ramadas” na repartição de finanças do Marco de Caneveses, e como tal sujeito a contribuição industrial, embora possivelmente isento. Não há documentos, no seu espólio, comprovativos da contribuição industrial. Pagava, entretanto, o imposto municipal de "prestação de trabalho", que existiu até ao 25 de abril

 Passava recibos dos serviços prestados, quando lhe eram pedidos. Um dos livros de recibos que nos chegou às mãos abarca uma década de atividade (1952-1962). O livro deveria ter 100 recebidos (original e duplicado). O nº de duplicados que contámos é de 90. Faltam portanto 10. (Segundo o Zé, seu filho mais novo, e que trabalhou com ele na década de 1960, alguém, um amigo,ter-lhe-á sugerido que mandasse fazer, numa tipografia do Marco, duas cadernetas de recibos; uma delas  ficou por estrear).

Os recibos eram passados pelo próprio, escritos a tinta azul, numa letra certinha de mais para quem só tinha a 3ª classe. Temos, no seu espólio, duas canetas fininhas, de aparo, que ele utiliazava em casa. Raramente usava papel químico, pelo que os duplicados eram também escritos a tinta. Os duplicados estão numerados até ao nº 19. Depois disso, deixa de haver numeração. Faltam os duplicados nº 1 a 4, 7, 14, 17 e 18.

O primeiro (recibo nº 5) data de 4 de fevereiro de 1952 e o último, de 28 (ou 22?) de fevereiro de 1962.

A equipa de ramadeiros era flexível, variando entre 3 a 7, incluindo o próprio construtor e pelo menos um dos seus filhos (primeiro o mais velho, o António, e depois o Manuel Ferreira Carneiro e, mais tarde, nos anos de 1963 a 1967, o José Ferreira Carneiro, o benjamim da família). 

Em geral, o construtor ganhava o dobro dos seus oficiais. Os honorários do construtor vão, nesta época (em que praticamente não havia inflação) , entre os 30 e os 50 escudos, dependendo do cliente e da distância da obra em relação ao local do estabelecimento principal (que era Candoz, Paredes de Viadores, Marco de Canaveses). As ferramentas eram dele. O material (esteios, em pedra, e mais tarde em cimento, bem como o fio de arame) eram fornecidos pelo cliente (, o proprietário).

Durante toda esta década a equipa de ramadeiros era variável, de acordo com a dimensão da obra e a disponibilidade do pessoal. Mas há elementos que são mais ou menos constantes:

(i) José Carneiro;

(ii) José de Sousa ou “Zé de Celeiro” (residia em Ambrões; ganhava mais do que os outros, presumindo-se que fosse o mais experiente e desembaraçado: em geral, em termos de grelha salarial, havia uma diferença de 5 a 7,5 escudos entre ele e os restantes oficiais; acabaria de estabelecer-se por conta própria, no início dos anos 60; nessa altura, por volta de 1961, ganhava quase tanto como o patrão: por ex., 45$00, cinco escudos menos que o patrão, e dez escudos mais do que os restantes companheiros);

(iii) António Vieira (um nome constante ao longo deste período, começou por ganhar 20$00 em 1952 e 30$00 e 32$00 em 1962; era muito amigo do José Carneiro, e pessoa da sua confiança);

(iv) Manuel de Sousa:

(v) Francisco de Sousa;

(vi) Armando Cardoso (desde 1954);

(vii) António Vieira Couto (, de Viadores)

(viii) Francisco Vieira Leitão

(ix) José Ferreira Carneiro (às vezes, coadjuvado pelo irmão; era sobrinho do patrão)…

Outros nomes (por ordem alfabética), que trabalharam com José Carneiro ao longo destes anos (1952/62): Adriano Carneiro, Agostinho Ribeiro, Américo Ferreira Carneiro (sobrinho do empresário), António Almeida, António Fernandes, António Monteiro, António Peixoto, Ernesto M. Marques, João Magalhães, Joaquim Barbosa, Joaquim Madureira, Joaquim M. Mendes, Joaquim P. Lucas, José Soares (Nogueira), Manuel Barbosa, Manuel Couto, etc.

Em 1954, o filho mais velho do construtor, o António Ferreira Carneiro, ganhava 15$00, menos de metade que o pai (40$00), enquanto os restantes oficiais ganhavam 20$00, numa empreitada na Casa de Manhuncelos (Data: 19/12/1954. Valor total do recibo: 595$00). 

O António deve ter deixado de trabalhar com o pai por volta dos finais de 1957, altura em que emigrou para o Brasil (já em 1958), sendo substituído por outro filho, o Manuel Ferreira Carneiro, que nos anos de 1958/59 ganhava 18$00, passando a 20$00 em 1960 , e depois 23$00, em 1961, e 25$00/26$00, em 1962… (O Manel irá depois para o Porto, onde trabalhou numa fábrica e se casou, antes de emigrar para França).

Poucos recibos, desta época, ultrapassam o valor de 1 conto de réis. Um deles diz respeito a uma obra em Vila Boa de Quires, no concelho do Marco de Canaveses, tem data de 29/11/1953 e está assim discriminado:

Nome
Dias
Salário
Total
José Carneiro
18
50$00
1900$00
José de Sousa
18
27$50
495$00
António Vieira
18
20$00
360$00
António Couto
18
20$00
360$00
António S. Almeida
18
20$00
360$00
Francisco V. Leitão
18
20$00
360$00
José F. Carneiro e Luís (?)
14
20$00  (?)
266$00


Soma
4011$00

 Nesta data os honorários do construtor atingiam o máximo (50$00) deste período, o mesmo que cobrava no final, em 1962… A estes honorários a que acrescentar os dos filhos, que trabalham gratuitamente para a casa... Ele teria tabelas diferentes… para os “ricos” e os “pobres” (amigos, vizinhos…).

Num recibo sem data (mas do ano de 1956), referente a uma obra numa ramada do sr. Leite de Viadores, no valor de 215$00, o construtor  contabilizou apenas os dias (3) do seu pessoal (3), a 20$00 por dia (António Vieira, António Cardoso, e António Almeida), mais 1 do António Couto (20$00) e outro dia do Manuel Couto (15$00). Na parte que lhe tocava, escreveu o seguinte: José Carneiro, 1 dia, grátis.

O sr. Leite de Viadores – diz a Alice, sua filha  – era “fidalgo”, tinha rendeiros, várias quintas, era casado com uma professora, e tinha duas filhas, que iam à missa “todas pintadas”, e com lugar especial na igreja, apartadas do resto do provo cristão… Era amigo do José Carneiro. Segundo o Zé, este sr. Leite será o mesmo que lhe vendeu a propriedade da Carreira Chã, por volta de 1959, salvo erro, por 110 contos.

O José Carneiro também tinha “deferências” para com a Casa de Paredes (ou da Igreja), que era de gente “fidalga”, os maiores proprietários da freguesia, que faziam o favor de ser “seus amigos” (muito em especial a Dona Maria do Carmo, que morreu já depois do 25 de abril).

Na altura das vindimas, geralmente em outubro, o José Carneiro era contratado como “feitor do vinho”, supervisionando a descarga das uvas e a feitura e a medição (“feitoria”) do vinho nos lagares das diversas quintas da Casa da Igreja, arrendadas em regime de parceria agrícola (e anualmente renováveis pelo São Miguel).
- Formavam-se grandes comboios de carros de bois carregados com pipas de vinho, em direção à Casa da Igreja, na época das vindimas. - lembra o filho mais novo, o Zé.

A Casa de Paredes tinha dezenas de quintas. Havia um feitor geral que escolhia depois, geralmente por freguesia, um homem da sua confiança para zelar pelos interesses da Casa (o pagamento das rendas eram em géneros, sendo o vinho e o milho os produtos mais importantes na época).

Aqui ficam 5 registos de recibos que o José Carneiro passava anualmente, relacionados com esta atividade “liberal” de “feitor do vinho” (1953- 1957):

(i)                  16 de outubro de 1953: Casa de Paredes – Vinho, 28 dias, a 25$00 por dia, 700$00. Sobrinhos da Casa, 12 dias, a 20$00 por dia, 300$00. Total: 1000$00;
(ii)                31 de outubro de 1954 Casa de Paredes – Vinho,   15 dias, a 25$00  por dia, 375$00. Sobrinhos da Casa,   5  dias, a 25$00 por dia, 125$00. Total: 500$00;
(iii)               11  de outubro de 1955: Casa de Paredes – Vinho, 20 1/5 dias, a 25$00 por dia. Total: 572$50;
(iv)              18  de novembro de 1956: Casa de Paredes – “Sobas e feitorias do vinho”, 16 dias, a 25$00 por dia. Total: 400$00;
(v)                26  de outubro de 1957:  Casa de Paredes – “Sobas e feitorias do vinho”, 10 dias, a 25$00 por dia. Total: 250$00.

 José Carneiro tinha “olho para o negócio”. A compra dos materiais (fio, esteios...)  era, em geral, por conta do dono da obra, como já se disse acima. Nos seus honorários como ramadeiro, incluía também “o desgaste das ferramentas”. Numa obra, em Amarante, para o sr(a). “D. Costa Santos”  (?), ele faturou um valor de 742$30, incluindo despesas de pessoal (ele, o filho António, o sobrinho Américo e mais oficiais, Armando Cardoso e António Vieira) e de comboio (106$30). Em “nota de rodapé” escreve no duplicado, a tinta azul: “Obra [con]tratada por 2000$00. Gainho (sic) por fora,  1250$00)"... Não se sabe se os materiais eram foram fornecidos pelo proprietário, embora nos pareça que sim.

Num outro trabalho para o Dr. Leal Olibeira (sic) (, ao que parece, no Marco de Canaveses, segundo informação do Zé),   o José Carneiro faturou, só por sua conta, 16 dias a 50$00 (vd. fotocópia do recibo, foto nº 1). Todo o restante pessoal (António Vieira, António Couto, João Magalhães,  Francisco Leitão, José de Sousa ) ganhava 20$00 por dia, com exceção do José de Sousa que auferia sempre mais (25$00). Há também dois meios dias   por conta do “carreto do material” (sic), no valor de 90$00. O total da obra foi de 2185400, mais ou menos equivalente a duas semana de trabalho. Os recibos (dois) são de 30 de dezembro de 1953 e 16 de janeiro de 1954. 

É preciso esperar pelo ano de 1961 (20 de janeiro) para encontrar outro recibo (passado a José Diogo Sampaio, que também não sabemos quem é) com os honorários de 50$00 por dia, o máximo da tabela...

Nesta época (início dos anos 60), José Carneiro fez vários trabalhos para a Casa de Paredes, como ramadeiro, faturando o seu trabalho  a 45$00 por dia. Provavelmente ele fazia uma atenção para os seus amigos da Casa da Igreja, gente que de resto tinha muita confiança e consideração por ele, muito em particular a sra. D. Emília, herdeira da D. Maria do Carmo. Nessa época o seu oficial mais bem pago era o António Vieira: 28$00 por dia.

 Alguns dos trabalhos para a Casa de Paredes que consegui apurar, através da caderneta de recibos:

(i) 7 de fevereiro de 1959 (dois recibos): total: 4412$50 (José Carneiro tem 32 ½ dias a 35$00 por dia, e o António Vieira 37, a 26$00, fora o restante pessoal, incluindo o Manuel F Carneiro, 36 ½ dias, a 18$00 por dia);

(ii) 18 de abril de 1960: total: 1235$00 (José Carneiro, 8 dias, a 35$00 por dia; o António Vieira, 13 ½ a 26$00, e o Manuel F. Carneiro, filho do patrão, a 22$00, o mesmo que os restantes ajudantes: Adriano Carneiro, Alfredo Pereira, Agostinho B (‘);

(iii) 18 de fevereiro de 1961: total: 3885$50 (José Carneiro, 22 1/5, a 45$00 por dia);

(iv) 22 de fevereiro de 1961: total; 1399$00 (José Carneiro, 11 dias, a 45$00 por dia) de abril de 1961: total: 279$50 (José Carneiro, 1 1/5 a 45$00 por dia, o António Vieira 2 dias a a 28$00 por dia, o Manuel Couto 2 dias a 25$00 por dia, e o Manuel F. Carneiro, também dias a 23$00 por dia);

(v) 2 de janeiro de 1962: total: 2921$50 (José Carneiro, 19 1/5 dias a 45$00 por dia, com o António Vieira a 30$00 e o restante pessoal, incluindo o filho a 26$00…

Estranha-se que neste período não apareçam referências a obras longe de casa... Havia temporadas (não sei se neste período) em que o José Carneiro, com pelo menos um dos seus filhos, e vários elementos da sua equipa, iam por períodos relativamente longo, fazer ramadas na região do Douro. O Zé falou-me de um delas, no Pocinho, por volta de 1963/64, numa quinta do sr. Montenegro, da Casa de Manhuncelos, amigo do José Carneiro e pessoa politicamente influente na região. 

-Só vínhamos a casa no fim do mês. Comíamos e dormíamos lá. - informou o Zé.

O Gusto confirma-me que terá sido a única obra que o nosso sogro fez na região do Douro. A propriedade está hoje submersa pela barragem do Pocinho. O proprietário sabia que estava a valorizar os terrenos, com a construção de uma grande ramada.

Em 1978, de acordo com uma das suas agendas que chegaram até nós, o José Carneiro ainda trabalhava, sempre sazonalmente, como ramadeiro, profissão que o "pai-patrão" não conseguiu passar a nenhum dos filhos rapazes (António, Manuel e José) que escolheram a cidade para viver e trabalhar (e temporariamente a emigração, no caso dos dois primeiros) .

Dos seus assalariados, houve um, pelo menos, que se transformou em em empresário no ramo, o José de Sousa (também conhecido como Zé do Celeiro). Segundo a Alice, o pai trabalhou praticamente até ao fim, ou seja, até ter tido um AVC, em 1980, com 69 anos. Ofereceu a sua preciosa caixa de ferramentas a um ou mais  dos seus antigos colaboradores, como o Armanmdo Cardoso.  A família tem pena que as ferramentas do José Carneiro, ramadeiro,  tenham saído de casa e e se tenham dispersado.

Numa das pequenas agendas que ele usava para registar notas da sua atividade profissional (como ramadeiro, como agricultor e como negociante de gado), pode ler-se:

"José Carneiro - Ano de 1978: Gainho (sic) nas ramadas:
82,5 dias x [ ?] = 34525$00."

Nessa época, ele cobrava 400$00 e mais  por dia, como ramadeiro, o que era uma boa féria para a época, mas que reflectia já as tendências inflacionistas da economia portuguesa do pós-25 de abril. Veja-se um "apanhado" das suas contas nesse ano, conforme documentos avulsos que encontrámos no seu espólio (Fotos nº 2 e 3).


Foto nº 2 - [1978]: Discriminação dos dias de trabalho do ramadeiro José Carneiro (82 1/5) e da equipa:   A. V. [António Vieira]: 44,5> A. Rx. [António Rocha ?]: 45,5; Ar. C. [Armando Cardoso]: 19,5; M. V. [?] [Manuel Vieira ?]: 22.


Foto nº 3- [1978]: Uma das últimas obras  que o José Carneiro deve ter feito, e em que gastou 22 dias, e pelos quais recebeu um total de 10325$00. Cliente: António [de] Ermezinde, telef. 972560.

Registe-se op facto de com ele continuarem a trabalhar companheiros dos anos 50 como os amigos e vizinhos António Vieira e Armando Cardoso. Ao longo destes anos, o José Carneiro ganhou honradamente o seu dinheiro e deu a ganhar, não havendo grande oferta de trabalho na freguesia de Paredes de Viadores. Foi uma atividade que ele exerceu, durante muitos anos, sem concorrência a nível local, e que lhe dava prestígio, a para da sua condição de proprietário rural, dono de duas quintas, Candoz e a Carreira Chã (esta arrendada a caseiros).

Luís Graça (com contributos do Gusto, da Nitas, da Alice e do Zé)


07 abril 1999

7 de abril de 1999: Os versos da inauguração: Eu sonhei com rosas brancas...

























Os sócios fundadores deste turismo rural, para uns, e exploração agrícola, para outros, são: Rosinha (e Quim), Chita (e Luís), Nitas (e Gusto), Zé (e Teresa).

Elas e ele (o Zé) é que são... Carneiro.
Todos vivem no Porto, excepto a Chita e o Luís (que estão em Lisboa).

Candoz fica na freguesia de Paredes de Viadores, concelho do Marco de Canavezes, a 3/4 de hora do Porto.

A linha (de caminho de ferro) do Douro e o Rio Douro (Porto Antigo, a barragem do Carrapatelo) ficam ao fundo.

À nossa direita, Cinfães e a Serra de Montemuro.

São terras de antanho, roubadas à floresta de carvalho e de castanheiro. Terras de muros e de socalcos, terras de sangue, suor e lágrimas, terras de entre Douro e Minho...

Eça de Queiroz inspirou-se nesta paisagem sublime para escrever a cidade e as serras.

Estamos mesmo no limite do concelho do Marco e no início do de Baião.

Vemo-nos muitas vezes, ao longo do ano. Os sócios e respectivos apêndices mais a numerosa prole e o resto da família que não é sócia (o António e a Graça, o Manel e a Maria), não esquecendo o Adriano que não sendo da família directa dos sócios (é cunhado por afinidade de uma futura herdeira - Zezinha) moureja , com os sócios trabalhadores, todos os sábados nesta "Nossa Quinta de Candoz" com verdadeiro espirito de paixão e amizade, para que ela se mantenha limpa, visitável e produtiva.

Mas este blogue também pode ser um ponto de encontro entre todos nós, os nossos descendentes, parentes e amigos, que todos juntos são mais do que muitos...


Nota - Alguns dos versos originais deste album, escritos e ditos num contexto festivo, no meio de gente nortenha, pura, chã, mas também alegre e brejeira, foram ligeiramente modificados para não ferir... as susceptibilidades dos nossos amigos e visitantes.








I Parte > Loas a Candoz e à família Carneiro, no dia da inauguração da nossa casa (1999)


1
Eu sonhei com rosas brancas
Que vieram do além;
De todas as almas santas
Só pode ser nossa mãe.

2
Só pode ser nossa mãe
A querer falar com nós,
Por isso ela também
‘Tá aqui hoje em Candoz.

3
‘Tá aqui hoje em Candoz
P’ra perfumar toda a terra,
Do Campo até Leiroz,
Gente de paz, não de guerra.


















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Gente de paz, não de guerra,
Todos hoje aqui ‘stão,
Os de fora e os da terra,
P’rá nos’ inauguração.

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P’rá nos’ inauguração
Da sede da sociedade
Que é mais do qu’ uma nação,
É uma bela irmandade.



















6
É uma bela irmandade
De manos e de cunhados;
Exemplo de humildade
P'ra ricos e remediados.


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P’ra ricos e remediados,
Qu’ eles pobres todos são;
Às vezes andam zangados
Mas pelo dinheiro, não!

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Mas pelo dinheiro, não,
Qu’é coisa que não herdaram;
Do Sã’ Miguel ao Sã’ J’ão,
Trabalhos nunca faltaram.





















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Trabalhos nunca faltaram
A quem é trabalhador,
E todos aqui estudaram
A lição do lavrador.

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A lição do lavrador
Que foi o José Carneiro,
Fidalgo e grande senhor,
Mesmo sendo ramadeiro.


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Mesmo sendo ramadeiro,
Tinha à terra grande amor;
De águas foi engenheiro
E de casas construtor.























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E de casas construtor,
Só não foi alambiqueiro,
Muito menos malfeitor,
O senhor José Carneiro.

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O senhor José Carneiro
Há-de aqui também morar,
Tem um quarto no palheiro
Que mandou edificar.


14
Que mandou edificar
Ao arquitecto Soares,
Casado neste lugar
E pessoa de bons ares.

15
E pessoa de bons ares
Também é o nosso Quim;
Condição p’rá aqui ficares
É dizer: - Amen, Atchim!...

















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É dizer: - Amen, Atchim!...,
Que no tempo do major
A vida não era assim,
Era tudo bem pior.


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Era tudo bem pior,
A sardinha para três,
O melhor para o senhor,
Foi assim que Deus nos fez.


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Foi assim que Deus nos fez,
Com um bocado de bosta,
Mas o sangue é português,
Aqui tens tu a resposta.


19
Aqui tens tu a resposta:
Três filhas para casar,
Delas se gosta ou não gosta,
Não é pegar ou largar.















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Não é pegar ou largar,
Qu’a Rosa tem pretendente:
Nem fidalgo nem m’litar,
Um filho de boa gente.


















21
Um filho de boa gente
E melhor apessoado,
Quero um de sangue quente
Para ser meu namorado.


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Para ser meu namorado,
E livrar-me d’algum susto,
Quero um bem penteado
E que se chame Augusto.

















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E que se chame Augusto,
E me jure amor eterno;
Com homem bondoso e justo,
Casório não é inferno.


24
Casório não é inferno,
Diz o Zé para a Teresa;
Em chegando o inverno,
Era farta a nossa mesa.


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Era farta a nossa mesa,
Na nossa q’rida casinha,
Pão e vinho à sobremesa
Enchiam a barriguinha.


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Enchiam a barriguinha
Até nos dar caganeira:
Um dia veio a vizinha
Acudir à bebedeira.

















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Acudir à bebedeira
Que nós os três apanhámos:
A fome é má conselheira,
De bagaço nos fartámos.


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De bagaço nos fartámos,
Ensopado em pão de milho;
O açúcar vomitámos,
Foi mesmo um grande sarilho.



















29
Foi mesmo um grande sarilho
A decisão do Manel:
- Pai, quero ser andarilho,
Vou p’ró Porto sem farnel.


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Vou p’ró Porto sem farnel
À procura de um emprego,
De meu só tenho este anel
Qu’ao chegar vou pôr no prego.


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Qu’ao chegar vou pôr no prego,
Não sou filho de brasileiro;
Lavoura é só carrego,
É penar o dia inteiro.


32
É penar o dia inteiro
E gemer muito baixinho,
Nem mesmo filho herdeiro
Vale o peso de um tourinho.


















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Vale o peso de um tourinho,
Qu’eu só quero a bicicleta,
Não é muito, é poucochinho,
Não me acuse de pateta.


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Não me acuse de pateta:
Se o sonho são ilusões,
Serei fidalgo da treta
Nas festas e procissões.


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Nas festas e procissões
Não falhava noss’Alice,
Namorados aos montões
Que até era uma chatice.

















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Que até era uma chatice
A vida que se levava:
Cortar erva e beatice
Era tudo o que restava.


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Era tudo o que restava
Da noss’alegre infância;
Se o António emigrava
Não era só por ganância.
















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Não era só por ganância
Que se ia p’ró Brasil:
Bem sofrida era a distância,
Quer d’um filho quer de mil.


39
Quer d’um filho quer de mil,
Pois já parte p’ra Angola
O nosso Zé, com um fusil,
Que a guerra é noss’ escola.


















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Que a guerra é noss’ escola,
Não pregava o Padre Mário:
- Aos ricos não se dá esmola,
Não façam tudo ao contrário!


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Não façam tudo ao contrário,
Mandem um aerograma
Ao pobre legionário
Que no capim faz a cama.

















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Que no capim faz a cama,
Às caboclas e mulatas:
Foge António, sem pijama,
Nem dinheiro pr’às beatas.


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Nem dinheiro pr’às beatas,
Nem roupa pr’à invernia:
Quim, inventor das batatas
E fidalgo por um dia.















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E fidalgo por um dia,
Morgado da casa nova:
Ora viva a folia,
Qu’a vida acaba na cova!


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Qu’a vida acaba na cova
E eu não tenho um tostão;
Procuro fidalga nova
A quem vender o brasão.


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A quem vender o brasão,
Só pode ser ao banqueiro
Do povo e do povão:
A Dona Ana Carneiro.


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A Dona Ana Carneiro
Deu-nos a inspiração;
E com tão pouco dinheiro
Fizemos o casarão.


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Fizemos o casarão,
Honrando os nossos pais;
Saiba a jovem geração
Imitar exemplos tais.

















49
Imitar exemplos tais
De amor e de coragem;
Quando se parte do cais
É sempre incerta a viagem.


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É sempre incerta a viagem
Do nascer até à morte;
Mas se há camaradagem
É entre a gente do norte.


51
É entre a gente do norte
Que se bebe o verde vinho,
Gente de altivo porte
P’ra quem amigo é vizinho.


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P’ra quem amigo é vizinho
A esta casa é bem-vindo:
Na panela há um caldinho
E à porta gente sorrindo.

















53
E à porta gente sorrindo:
Mesmo em fato de trabalho,
O nosso Zé é o mais lindo,
Não vos manda p’ró c...!


54
Não vos manda p’ró c...,
Não é mouro, é morcão:
Com suor e muito... alho,
Foi o Porto Campeão.


55
Foi o Porto campeão,
Por muito que custe ao Tó:
- Vem daí, fecha o portão,
Não te q’remos triste e só.


56
Não te q’remos triste e só,
Diz o cunhado Augusto:
Sabe de tudo, o doutor,
Do enxerto ao arbusto.


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Do enxerto ao arbusto,
Ele é mais qu’enciclopédia,
Porém, só a muito custo,
Evitou uma tragédia.



















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Evitou uma tragédia,
Ao desenhar a lareira;
Ou talvez antes comédia,
Grande borrada ou asneira.


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Grande borrada ou asneira,
A lareira alentejana:
Em vez de um grande fumeiro,
Saiu um tubo de cana.


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Saiu um tubo de cana,
À moda da nossa aldeia,
Que isto não é Messejana,
Nem fica bem açoteia.


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Nem fica bem açoteia
Nem beiral para os pardais,
De críticas estou eu cheia,
P’ra mandar há muitos mais.


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P’ra mandar há muitos mais
P’ra fazer é que são elas,
Vocês lêem os jornais,
E eu que esfregue as panelas.






















63
E eu que esfregue as panelas,
Já me lixo a trabalhar,
Tantas portas e janelas
E o mais que há p’ra limpar.


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E o mais que há p’ra limpar,
Diz a Ana, que é a patroa,
A malta toda a borrar,
É só merda, até enjoa.


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É só merda, até enjoa,
Não me venhas convidar
P’ra dar um salto a Lisboa,
Se eu nem posso respirar.


















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Se eu nem posso respirar
Nem já ir à Madalena,
Como hei-de governar
Mais um Palácio da Pena ?


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Mais um Palácio da Pena
Mais um sítio p’ra morar,
Sendo eu mulher pequena,
A rainha vou chegar.

















68
A rainha vou chegar
Deste reino de Candoz.
P’ró verso poder rimar,
... Que se lixem todos vós!


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Que se lixem todos vós,
É uma força de expressão,
Que os da Quinta de Candoz
São amigos do coração.


















70
São amigos do coração,
E p’ra que a amizade ganhe,
Todos convidados estão
P’ra beber um champanhe.


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P’ra beber um champanhe
E pr’os amigos saudar:
- Com nós, ninguém se acanhe,
O convite é p’ra voltar!
















Post-scriptum

1
Às três manas e ao mano
Ana, Alice, Rosa e Zé:
Isto levou tanto ano,
Já não nos temos de pé.

2
Já não nos temos de pé,
E já lá se foi a guita:
Falta a piscina, não é ?,
´Tá calado, olha a Chita!


Candoz, 7 de Abril de 1999























Os presentes (por ordem alfabética)

(i) Alice Carneiro (a nossa Chita)

(ii) Ana Carneiro (a nossa Nitas)

(iii) Ana Soares (a sra. Aninhas)

(iv) António Carneiro (o nosso mano mais velho, o nosso , que foi ao Brasil e veio aos vinte e tal anos para ser mobilizado - e ferido - em Moçambique durante a guerra colonial)

(v) António Pinto Soares (o pai Soares, um grande companheiro desta jornada)

(vi) Augusto Soares (o Gusto, que com muito saber e paciência levou o barco a bom termo e salvou, entre muitas coisas, a lareira alentejana)

(vii) Berta Soares (a nossa Bertinha, cunhada da Nitas e do Gusto)

(viii) Joana Carneiro (filha da Alice e do Luís, futura herdeira, continuadora desta aventura)

(ix) João Carneiro (idem, filha da Alice e do Luís)

(x) Joaquim Barbosa (mais conhecido por Quim, o home da Rosa)

(xi) José Carneiro (simplesmente Zé, o nosso )

(xii) José Soares (mano do Gusto, não podia faltar)

(xiii) Luís Graça (que é mouro e tem a mania que sabe fazer versos)

(xiv) Manuel Carneiro (o nosso mano nº 3, a seguir ao Tó e à Rosa; mais que um vizinho, é um amigalhaço e sócio honorário da Quinta de Candoz)

(xv) Miguel Barbosa (futuro herdeiro, filha da Rosa e do Quim)

(xv) Olinda Mesquita (uma nova e preciosa aquisição para a nossa equipa, sendo sogra do Zé)

(xvi) Padre Joaquim Mário, pároco do Padrão da Légua, Matosinhos (que com água benta e palavras santas deixou a nossa casa pronta para o futuro, de pedra e cal; um amigod a família)

(xvii) Rosa Carneiro (a senhora Rosinha, a nossa mãe, já que é a mana mais velha; casada com o Quim)

(xviii) Teresa Mesquita (que promete gora voltar mais vezes a Candoz para não deixar o dormir sozinho)

(xix) Tiago Soares (outro morcão, herdeiro; filho da Nitas e do Gusto)


















Ausentes:

Luís Filipe (outro herdeiro, em viagem por Macau, Hong-Kong, China e outras paragens perigosas; um grande tunante, filho da Nitas e do Gusto);

Zezinha, Natália e Cristina (outras herdeiras,que não puderam estar presentes, filhas da Rosa e do Quim);

Pedro Alexandre (outro herdeiro, filho do Zé)

...Muitos outros e outras;

E os saudosos e eternamente recordados José Carneiro e Maria Ferreira, nossos pais e sogros, a quem prometemos em vida manter sempre acesa a chama do lar, da família e da amizade que nos faz reunir aqui, nesta Quinta de Candoz.



Texto e créditos fotográficos: © Luís Graça (2004 e 2005). Outros créditos fotográficos: © Augusto Pinto Soares (2005)