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26 setembro 2017

Homenagem ao nosso pai, que faria hoje 106 anos





Pai, farias hoje cento e seis anos,

E eu gostaria de te sentar à mesa,

Para te fazer uma grande surpresa,

Comigo, com as manas e os manos.



Posta a mais bela toalha de linho,

Cantar-te-íamos os parabéns,

À proveta idade que tu já tens.

E brindaríamos com o nosso vinho.



P’ra matar saudades não chega um dia,

E aqui é que aparece, por magia,

Também a querida mãe de todos nós.



Seria a noite mais bela e comprida,

Alguma vez por todos nós vivida,

Na nossa terra e casa de Candoz.



26/9/2017, Maria Alice Ferreira Carneiro

13 fevereiro 2014

In Memoriam: Maria da Graça (1922-2014)



Lourinhã, jardim da Senhora dos Anjos, 1947: eu, aos 8 meses,
ao colo da minha mãe, Maria da Graça (1922-204) e ao lado do
meu pai, Luis Henriques (1920-2012). Foto: LG


In Memoriam, Maria da Graça (1922-2014)


Oração dos filhos, nora e genros, netos e bisnetos,
demais parentes bem como amigos
que vieram de mais longe ou de mais perto
(Porto, Fundão, Lisboa, Torres Vedras, Nadrupe, Atalaia, Lourinhã...),
para acompanhar a Maria da Graça,
"até à sua última morada",
e a quem eu estou muito grato e reconhecido.

Um xicocoração apertado para a Nitas, o Gusto, o Zé e o Quim
que, num dia triste de chuva e vento, fizeram mais de 500 km
para nos apoiar e consolar.
Obrigado ao resto da grande família de Candoz
que nos telefonou,
dando uma palavrinha de consolo.
Luís/Alice e restante família da Lourinhã


Minha querida mãe,
em nome de todos nós,
tua família e amigos,
e por ser o filho mais velho
deixa-me dizer-te
algumas palavras, breves, de despedida,
mas também de agradecimento e esperança.

Chegaste ao fim da autoestrada da vida,
ao km 91,
serenamente, sem dor, em paz.
E preparas-te para fazer outra viagem,
a travessia do rio Caronte,
como diziam os gregos antigos:
uma viagem de que nenhum mortal alguma vez regressou.

Estamos aqui,
na igreja onde tu me trouxeste para me batizares,
num dia frio como este, em 1947,
estamos hoje aqui
para te dizer
quanto te amamos.
Não ficarás na história com H grande,
mas ficas na nossa história,
nos nossos corações,
nas nossas memórias,
nas fotos e vídeos que fizemos,
nas palavras que sentimos,
nas palavras que te dissemos ou escrevemos,
nos gestos de amor, afeto e carinho
que trocámos…

Despedes-te da terra da alegria,
como diz o poeta Ruy Belo,
despedes-te da grande família
que, como uma verdadeira matriarca,
criaste, alimentaste, cuidaste…

Não vou dizer que foste a melhor mãe do mundo
porque estaria a fazer comparações sem sentido.
Para nós,
teus filhos, netos e bisnetos,
foste muito simplesmente
a mãe querida,
a sogra amada,
a avó babada,
a bisavó velhinha,
a boa amiga…

Não há palavras
para explicar o mistério da vida e da morte,
mas aqui, nesta oração, cabe uma palavra,
de reconhecimento,
de agradecimento
pelo amor incondicional que sempre tiveste por nós,
e pelo nosso saudoso e querido pai.
Por nós, teus filhos, nunca esqueceremos
os teus pequenos grandes gestos de amor,
desde a preciosa vida que nos deste
até ao desvelo e carinho
com que ajudaste a nascer e a a criar
e viste crescer os teus netos e bisnetos.

Foste uma boa mãe,
como todas as mães do mundo...
e eu, da minha parte, nunca esquecerei
que, com as minhas irmãs e o meu pai,
rezavas por mim, todos os dias,
nos quase 700 dias
em que estive lá longe,
na guerra, na Guiné.

Como rezavas por todos nós,
pelos teus demais filhos e netos
nas horas difíceis,
na véspera de um exame
ou na incerta hora de um parto.

Tal como pai, que tratava carinhosamente
por “Maria, minha cachopa”,
partes em paz contigo,
com o mundo,
e com Deus.
A tua vida foi um livro aberto,
a de um mulher simples e generosa
que nada ou muito pouco pedia em troca
e que tanto deu,
em serviço aos outros.

A tua vida,
a tua morte
são também um exemplo,
para todos nós,
de esperança, de tenacidade, de verdade e de bondade.
O teu exemplo e a tua doce memória
vão-nos acampanhar pelo resto das nossas das vidas.

Deixa-me, por mim, mandar-te um recado
dos teus netos e bisnetos,
estão aqui todos,
exceto o Filipe
que não pôde vir a tempo, de Inglaterra,
mas que está connosco em pensamento.

Avó linda, avó velhinha,
estamos-te gratos
por tudo o que nos deste em vida.
Falaremos de ti com saudade e ternura.
Vela por nós,
lá do alto,
onde já tens uma estrelinha com o teu nome,
Maria da Graça.

Igreja de Santa Maria do Castelo, Lourinhã, 13/2/2014

18 agosto 2013

Parabéns a você!... Para a mana Chita, Alice Carneiro, que está a passar férias na Lourinhã (Nitas)







Fotos: © Augusto Soares (2013). Todos os direitos reservados


1. Mensageem da Nitas, com data de hoje:

Data: 18 de agosto de 2013 09:52
Assunto: Parabéns!!!


Querida Mana,

Na impossibilidade de estar contigo pessoalmente,  aqui vai o meu/nosso (, do Gusto, do Tiago, do Filipe e Susana)  ramo de flores virtual do nosso jardim bem real!!!...

Para ti, para que possas apreciar com os teus olhos neste dia tão especial.

São os girassois da minha horta, fruto do meu carinho e suor, que neste momento estão lindos de morrer.

Aproveitei a presença dos nossos queridos irmãos (José, António e Manel) e cunhadas (Graça e Mi) , para todos te enviarmos um girassol, acompanhada de um grande abraço de Parabéns. O Augusto não está aí, porque alguém tinha de tirar a foto...

08 setembro 2012

Cartas de Camabatela (Angola, 1970/71): do Zé para a mana Chita...



Candoz > 23 de agosto de 2012 > O Zé, com o seu afilhado João, filho mais novo da sobrinha Susana... O Zé, reformado dos seguros,  também já é avô, tem um belo neto, o Diogo, filho do Pedro.



Lourinhã, Praia da Areia Branca > 17 de agosto de 2012 > A mana Chita, na hora do pôr do sol... Em 1973 ela veio trabalhar para a Lourinhã, por um mês, para suprir a falta de um elemento da equipa local da Junta de Colonização Interna...

Texto e fotos: © Luís Graça (2012). Todos os direitos reservados


1. O Zé faz hoje anos. 64. Nasceu no dia da festa do Castelinho, a 8 de setembro de 1948. O mais novo de 7 irmãos, 3 rapazes e 4 raparigas (das quais uma morreu, ainda criança).

Como todos os rapazes da sua geração, foi chamado a servir o país, durante a guerra do ultramar. Esteve em Angola. Foi 1º  Cabo Transmissões de Infantaria, de rendição individual, numa companhia que guardava os cafezais lá região, no norte de Angola, perto de Negage e de Quitexe. Hoje, Camabatela ou Kamabatela, sede do município de Ambaca, pertence à província de Kwanza Norte. CCAÇ 313, do BCAÇ 13, sedeado em Vila Salazar. A CCAÇ 312 estava Belongongo e CCAÇ 311 em Mussungo.

O Zé  não parece ter grandes saudades do seu tempo de tropa e de guerra. Recebia e escrevia muitas cartas e aerogramas, isso sim. Das que recebeu (dos manos, pais, cunhados,  amigos, amigas ...) guardou-as todas, e arquivou-as, uma a uma, por autor e data... S´da Chita, tem mais de 100, no seu arquivo. Essa coleção é já um hoje um fonte de informação interessante não só para a história da família mas também sobre o quotidiano da guerra em África, e das necessidades e preocupações que os nossos militares deixavam transparecer. As saudades da terra eram sempre mais do que muitas, as referências às festas anuais, à matança do porco, às vindimas, ao Natal, etc., eram frequentes.  Era isso que fazia lembrar a pátria distante... Nos dois anos que lá esteve, nunca veio a casa, que as viagens eram caríssimas.

Quisemos fazer-lhe uma pequena surpresa, selecionando algumas das cartas que ele mandou à mana Chita, e que felizmente chegaram até nós (apenas umas 20 e tal). Muitas outras ter-se-ão perdido, com o tempo. A Alice já trabalhava e andou por vários sítios. Aqui vai então uma pequena antologia de excertos dessas cartas, com os parabéns natalícios da mana Chita (e do Luís). Para o Zé, que merece tudo, muita saúde e longa vida!...AC / LG





2. Cartas de Camabatela: do Zé Carneiro para a mana Chita (1970/71) > Excertos

Remetente: José Ferreira Carneiro, Caixa postal 150, Camabatela, Angola

Camabatela 19/05/70 

Querida mana.

Aqui me tens de novo, conversando como estivesses a meu lado. Começo por te desejar óptima saúde na companhia das tuas colegas e de toda a nossa família.

Já deves ter conhecimento de que estou de novo no destacamento. Cá estou a passar mais 45 dias de férias no mato…

Quanto ao meu castigo, tenho-te a dizer que ficou tudo em águas de bacalhau. O Capitão chamou-me e só me disse que não devia ter feito a troca sem o avisar. Escusas de te preocupar, está tudo bem.

Por hoje é tudo. Recebe do teu mano um xi coração muito forte, adeus até 1971. 



Camabatela 16/06/70

Querida mana Chita

Estou a escrever uma carta porque os aeros [aerogramas] chegam a demorar cerca de um mês até chegarem ao seu destino, isto quando não são devolvidos. Estou mesmo muito aborrecido com isto. Pensei agora só escrever cartas, mas de 15 em 15 dias. Assim as cartas só demoram 3 dias a chegar a vossa mão. Tens que escrever é para a caixa postal. Que achas? Assim não repetimos as notícias. Quando receberes carta minha, peço-te que telefones aos pais para ficarem descansados. Está bem assim?

Já te mandei o nº dos sapatos por 4 vezes e ainda continuas a pedir!.. Isto quer dizer que não tens recebido o correio.

Então como anda a tua saúde? Iniciei a carta sem fazer aquela lenga, lenga de sempre… Quanto a mim, desde já te digo que estou forte e que gozo de boa saúde.

Termino com um xi coração muito apertado do teu mano que te adora. Bjs 


Camabatela 04/07/70

Agora mesmo acabo de receber mais uma carta tua, juntamente com uma encomenda que trazia os sapatos e a camisa. Cada vez as encomendas estão a demorar menos tempo. Comparar com as primeiras que foram enviadas!...

Os sapatos e a camisa ficam-me a matar, só não queria que mos oferecesses. Tens mais em que gastar o dinheiro, mas aceito. Esta não está esquecida!

Já estou de novo em Camabatela, já estava cansado de tanto capim. Não posso dizer mal, porque desta vez engordei 3kg e aqui perco sempre peso.

Faz hoje 11 meses que embarquei em Lisboa, já pouco mais falta do que um ano, e um já se passou!...


Camabatela 18/11/70

Depois de ter chegado de uma operação que durou 5 dias, aqui estou a dar-te notícias.

Hoje mesmo parto novamente para o mato, onde vou passar o Natal e talvez o Ano Novo. Desta vez calhou-me a mim, o ano passado foram os meus colegas.

Com isto, estou quase a entrar no ano da peluda [, fim da comissão e passagem à disponibilidade]. Cada vez falta menos. Oxalá que este termine sem problemas.

Apesar de ainda não saber o que vou fazer quanto ao meu futuro de vida, não me sinto com ideias de meter o xico….

Por aqui vou ficar, mandando cumprimentos para todos os nossos vizinhos, as tuas colegas, e tu do mano muito amigo, um forte xi coração. 


Camabatela 14/01/71

Aproveito estar uma grande trovoada e chuva para te escrever, porque assim as comunicações não funcionam, tenho que desligar os aparelhos.

A encomenda que mandaste, chegou dois dias depois do Natal. Chegou tudo bem. As castanhas começamos a comê-las e só terminamos quando acabaram. Sabes uma coisa? O bolo Rei não tinha fava!

Já só faltam 7 meses! Isto vai com calma.

Enquanto vós estais aí com grandes nevões, (segundo dizem os jornais), por aqui a temperatura é agradável, só as chuvas é que são esquisitas.

Já estou de novo em Camabatela. Já estava saturado de estar no mato e de ver tanto capim.

Acompanhado duma boa musiquinha, consegui estar contigo no pensamento.

Agora que o temporal já lá vai, tenho que regressar ao trabalho e ligar os aparelhos que já me provocam raiva só de olhar para eles. Tenho que estar em forma.

E assim me despeço com um forte xi coração do teu mano amigo. Adeus e até Agosto ou Setembro.


Camabatela 15/02/71

Querida mana,  não calculas como eu fiquei ao ler a tua carta e me falavas da matança do porco. Aquelas fêveras e os rojões de que falavas. Não continha a minha cabeça e os meus pensamentos. Pareciam o Rio Douro quando traz uma enchente das chuvas. O mano António também me falou do mesmo.

Sabes uma coisa? Estou muito, muito cansado. Andei 3 dias e 3 noites no mato a andar sem poder dormir e ainda carregado com o respectivo rádio. A roupa molhou-se e secou-me no corpo por 3 vezes. Foi por esta razão que te demorei mais a escrever.

Querida mana, quanto ao que vou fazer quando acabar a tropa, o mais certo é eu ir estudar. Sem isso eu não tenho possibilidades de ter um emprego digno. Já falei com o Capelão para me colocar como Perfeito no Seminário, assim já podia estudar e trabalhar. 


Camabatela 17/05/71

Espero que esta minha carta te vá encontrar de óptima saúde, bem como toda a nossa família.

De facto tens razão em dizer que estou a esquecer-me um pouco de voz, mas não. Nada tem acontecido de grave por cá. Tudo corre pelo melhor.

Não te devia dizer, mas já estou de novo no mato. Esta estadia aqui, será a última para completar a minha comissão.

Não estejas preocupada que eu aqui no mato só tenho como rival o isolamento. De resto tudo é melhor do que na vila de Camabatela.

Quando me falas do que vou fazer quando regressar. Nada te sei dizer, estou a ver tudo muito escuro, mas na lavoura eu não quero ficar.


Camabatela 14/06/71

Querida mana.

Só hoje recebi a tua carta e logo te respondo. Parece impossível que as cartas demorem tanto tempo. Entre tu escreveres e eu receber, chegam a demorar 15 a 20 dias. Chegamos a estar 20 dias sem correspondência o que é muito duro para quem está aqui. As coisas ainda pioram mais quando estamos no destacamento (mato) que chegamos a estar 45 dias.

Também penso o mesmo que tu, que sou preguiçoso, que já não tenho saudades vossas, etc. etc. mas o que interessa é que só faltam 50 dias para isto acabar.

Vou te contar um segredo: Andei a fazer umas economias para comprar uns presentes para vos levar, mas acontece que um colega que sabia do meu mealheiro, foi lá e roubou-mo. Eram 2.500$00. Este colega foi-me falso e ando muito triste, mas tenho que esquecer. Depois quando eu chegar, te contarei melhor como tudo aconteceu.

Gostava de chegar aí e tu estares ainda de férias, seria bom, mas a tropa é que manda!..


Camabatela 04/08/71 


É precisamente o dia que devia terminar a minha comissão e que te escrevo para desta forma estar em contacto contigo.

Aquilo que desejas saber, ainda não é desta. Porque apesar de ter terminado a minha comissão, ainda não chegou o substituto para me render, mas como há falta de pessoal tenho que aguentar. Com a graça de Deus tudo vai acabar bem.

Desta vez a minha carta levou pouco tempo a chegar aí. Nesse mesmo dia escrevi também a mana Nitas.

Desculpa não escrever mais, mas estou cheio de sono.

Um forte abraço de saudades do teu mano Zé

19 julho 2009

Gente do sul (1): Cozendo o pão de trigo no forno a lenha

Lourinhã > Ribamar > Valmitão > 18 de Julho de 2009 > Dia de acender o forno a lenha, amassar a farinha, enfornar e cozer o pão de trigo... o delicioso pão de trigo da nossa infância. Ainda hoje há famílias que cozem o seu próprio pão, na região do oeste estremenho, como esta, a família do Ramiro Caruço e a Rosa, meus primos da grande família Maçarico... Voz off de Luís Graça, Alice Carneiro, Ramiro Carruço e neta do casal.

Vídeo (2' 51''): © Luís Graça (2009). Direitos reservados