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10 julho 2019

Parabéns, Tiago, pelo teu 37º aniversáriio: sê feliz, ama e sê amado, pelo menos até ao fim dos entas...



Para o nosso Tiago querido,
Agora bem casado e trintão!



Parabéns pelas tuas 37 primaveras!


Voltas ao Porto seguro,
Deixas na ilha o vulcão,
Pode ser um bocado duro,
Mas não se extingue a paixão.

Não se extingue a paixão,
Por estar longe a tua amada,
E agora que és trintão,
E a Sofia bem casada.

E a Sofia bem casada,
Longe da sua cidade,
Em Barcelona exilada,
A suspirar de saudade.

A suspirar de saudade,
Mas sempre ao alcance da vista,
É uma parede de tabique
A distância que dela dista.

A distância que dela dista,
Não é coisa de tormenta
De avião ou por autopista,
O coração bem aguenta.

O coração bem aguenta,
É jovem e muito forte,
P’lo menos até aos noventa,
Sê feliz e boa sorte.

Teus tios e amigos, Luís e Alice
(O João e a Joana também assinam por baixo)


Alfragide, 10 de julho de 2019

15 janeiro 2017

Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida



Setenta rosas para setenta anos... A oferta dos manos... O cartão diz: "Parabéns!" e traz uns versinhos onde se lê: "Querida Nitas, por mor dos teus setenta anos, / Aceita este ramalhete com setenta rosas, / Que outras tantas vidas venturosas / Te desejamos, os teis qu'ridos manos". data e local: 15 de janeiro de 2017, Porto, Hotel Ipanema Park. Assinado: Zé + Teresa, Rosa + Quim,  Tó + Graça,  Alice + Luís, Manel + Mi.




A aniversariante (Nitas),. os manos (Tó e Zé) e as manas (Alice e Rosa) na festa de aniversário, Porto, Hotel Ipanema Park, 15/1/2017

Fotos: Luís Graça (2017)


Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida


por Luís Graça

1
Sou a mais novinha de três irmãs,
Rosa, Alice e eu, Ana… Belos frutos
Dos senhores de Candoz que, astutos,
Nos tratavam como  belas… romãs.

2
Tive uma infância alegre e feliz
E até dizem que fui muito mimada,
Eu, das coisas más, não me lembro nada,
Aceitei o destino como Deus o quis.

3
Sortuda, tenho mais três manos, rapazes,
Tó, Manel e Zé: nunca me deixaram mal,
Têm orgulho da terra natal,
São bons pais e avós, homens capazes.
  

4
No Porto estudei  para mais aprender,
E aos meus pais e manos estou obrigada,
Pelo Instituto fui diplomada,
E senhora engenheira passei a ser.

5
E as belas tranças que cortei, um dia ?
Não mais era rapariga de aldeia.
—Pst!, pst! — diz o Gusto — E aí a chamei,
E tirei-lhe uma foto, que alegria!

6
Então, a seta o Cupido lançou,
Certeira, ao meu pobre coração,
Foi numa tarde de fim de verão,
Que o amor da minha vida começou.


7
Mas sete anos o meu sogro servi,
Na mira de contigo, amor, casar
Diz o Gusto: — Fazíamos belo par,
E só passei a ter olhos p’ra ti!

8
Foi de arromba e de amor o meu casório,
Felicíssimos os meus pais, Zé e Maria,
Mais do que química, foi alquimia,
Com o meu Gusto montei um… laboratório!

9
O coração das mães é como o mar,
Tão grande que apaga sulcos e trilhos,
Sempre de abraços abertos pr’ os filhos,
E pr’as queridas noras que lhes calhar.


10
Pois, dou graças a todos e a Deus,
P’ las mercês do amor e da amizade,
Quero chegar a proveta idade
Para ainda ver crescer os netos meus.

11
Meu cabelo branco não tem mistério,
Gosto de assumir o que é natural,
Pintá-lo, sim, é artificial,
E para quê ? Não há cores no… cemitério!

12
Não me vejo nem me sinto reformada,
Tenho o coro, a casa da Madalena,
E Candoz, a lida não é pequena,
Tomara gente estar tão bem empregada!


13
Não é tarde p´ra cavaquinho tocar,
Cantar ou outro instrumento aprender,
A música alegra o nosso viver,
Que eu sozinha que é não quero estar.

14
E sou também uma avó babadíssima,
Tudo por causa da minha Carolina,
Eu a pensar ser minha triste sina
Ter qu’ viver uma velhice… chatíssima.

15
Espero, meus amigos, que desta festa
Tenham gostado… Por mim, adorei,
No centenário…,  vos convidarei,
De novo, pois não há amiga... como esta!


16
A vós todos, o meu muito obrigada,
Saio do hotel como uma princesa,
Tive muito amor, muitos mimos à mesa,
Sou uma menina… privilegiada!

Porto, Hotel Ipanema Park,

15 de janeiro de 2017

21 janeiro 2009

Adivinhem quem faz anos hoje ? O João, outro dos nossos médicos...


Caricatura de João, no livro do Curso de Medicina de 2002/2008, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM / UNL). (Cartoonista: Rui Duarte) (Com a devida vénia...).

O João faz hoje 25 anos... Filho da Maria Alice e do Luís Graça. Vive em Alfragide. Está a fazer o ano comum do internato médico no Hospital de São Francisco Xavier / Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, EPE.


À minha mãe, ao meu pai, à minha mana, aos meus avós,
e aos meus amigos, mais que mil,
tantos que não cabem aqui todos,
mas que eu gostaria de rever
no dia em que faço um quarto de século!



Às vinte e três, trinta e três,
De mil nove e oitenta quatro,
Nascia eu, bela rês,
De normalíssimo parto.

Quatro quilos mal pesados,
Cinquenta e um de comprido,
Meia dúzia de criados,
E eis um rapaz bem parido.

Bem parido e melhor tratado
P’la mão de futura ministra;
P’ra me mostrar obrigado,
Fiz-lhe uma coisa sinistra.

Sinistra, é um exagero,
Com a bexiga apertadinha,
Logo disse: “Eu cá, não espero”,
Aí vai uma mijinha…

Coitada da minha mãe,
Ali deitada, indefesa,
Que foi vítima também
Desta minha safadeza.

Privado é o hospital,
Aquário meu signo é,
E meu país Portugal,
Só mais tarde CEE.

Não me faltou o carinho,
De amigos, mais de mil,
Nem o meu o pai, queridinho,
Tudo gente de Abril.

Em casa fui recebido
Como um peludo ursinho,
Mimado, mais que lambido,
P’rá Joana, era o fofinho.

Ao apelido Carneiro,
Não achei grande graça,
Na escolinha era o primeiro,
Mas, lá fora, de má raça.

Chamavam-me João Mé-mé,
Por troça ou brincadeira,
À dentada e a pontapé,
Geri o conflito à maneira.

Vesti o bibe da creche,
No INSA era um senhor,
Até mordi, ao que parece,
O neto do director!

Lembro a Helena Munhoz
Que foi minha educadora,
Mas um dia ela e nós,
Foi-se tudo dali embora.

No Bairro de São Miguel,
Estudei com a Rosa Ralo,
O primeiro dia foi fel,
Custou muito a amargá-lo.

Da escola C mais S
Tenho muita saudade,
Ou o Garret não fosse
O meu prof da liberdade.

Em Alfragide, onde moro,
Tenho amigos do coração,
Tenho a Rita, que namoro,
E mais alguns que aqui estão.

Dou um salto até ao Camões,
Já a tocar violino,
Lá fiz mais amigalhões,
E decidi meu destino.

O resto da minha história
Não vou pô-la na praça,
É futura memória
Do senhor doutor João… Graça.

Vai a última quadrinha,
Para alguém muito especial,
A minha querida mãezinha,
A quem devo este Natal.

A ela faço homenagem,
Ao quilómetro vinte e cinco
Desta terrena viagem:
Às vezes choro, e outras… brinco.

Obrigado, Dona Alice,
Do coração, cá do fundo,
Acho que nunca te disse:
És a melhor... mãe do mundo!

(Versos de L.G., lidos na festa de anos do João,
Alfragide, 21 de Janeiro de 2009)