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14 fevereiro 2018

Soneto de um (e)terno (e)namorado




Alcácer do Sal, 28 de janeiro de 2018, ao pôr do sol. Fotos de Luís Graça (2018)


Soneto de um (e)terno (e)namorado

para a Chita


Quisera eu jurar-te amor eterno,
se imperfeito não fosse o meu ser,
nesta terra, muitas vezes inferno,
onde temos de viver e morrer.

Esquece, amor, não há o céu dos amantes,
um lugar perfeito e aborrecido,
lá não passaríamos de figurantes,
sem o cantinho que nos é querido.

Aceita, pois, este pobre soneto,
de um homem que por ti se fez poeta,
e que não te deu o céu, mas um gueto,


onde às vezes te sentes prisioneira.
Porém, não teve por ti uma paixoneta,
antes, sim, uma paixão verdadeira.

Alfragide, Dia dos Namorados,
14 de fevereiro de 2018

Teu (e)terno (e)namorado, Luís

14 fevereiro 2009

Quando on n' a que l'amour / Quando não há senão o amor

Porto > Centro Comercial Dolce Vita > 5 de Fevereiro de 2009

Candoz > Serra de Montemuro, ao fundo > 7 de Fevereiro de 2009

Fotos e texto: © Luís Graça (2009). Direitos reservados.


Para todo(a)s o(a)s namorados(a)s do mundo, em geral,
E o(a)s da grande família Carneiro, em particular.
E muito em especial,
Para a Chita(que tinha, há trinta e cinco anos,
Jacques Brel entre os seus músicos e poetas preferidos)


Quand on’a que l’amour
(por Luís Graça, inspirado em Jacques Brel *)


Quando não há senão o amor,
Para se dar, em partilha,
Dia a dia,
Milha a milha,
Nesta grande viagem
Que é a vida,
E cujo roteiro ninguém sabe de cor.

Quando não há senão o amor,
Eu e tu,
Meu porto,
Minha ilha,
Para que cada dia, cada hora,
Estoire como um foguete
Em feérica alegria selvagem.

Quando não há senão o amor,
A ternura,
A música,
A poesia,
Como único lembrete,
Como única riqueza,
Como única certeza,
Como única fonte certa de alegria,
Para se viver,
Aqui e agora.

Quando não há senão o amor,
Como frágil razão,
Como Nau Catrineta,
Como rota incerta,
Como fraco álibi,
Como irónica canção,
A opor ao absurdo da guerra e da morte.

Quando não há senão o amor,
E a compaixão,
Para vestir amanhã,
Contra o frio do vento norte,
Com mantos de ouro e fina lã
Os que nunca tiveram sorte.

Quando não há senão o amor,
E a amizade,
Para aquecer o coração
E cobrir de azul, sol e liberdade
Os muros sujos
E feios
Da cidade.

Quando não há senão o amor,
Para fazer calar os canhões,
E abafar os tambores
Dos que na guerra ganham milhões
E da morte são os senhores.

Quando não há senão
Os amantes,
Os amigos,
Os músicos,
Os poetas,
Para que a esperança tenha um hino
E venha contrariar o destino.

Quando não houver,
No mundo,
Outra força que não o amor,
Então poderemos morrer,
Em paz,
Com a sua doce lembrança;
Então da morte seremos
Os triunfadores,
E da vida
Os verdadeiros conquistadores.

Luís Graça

(*) Para ouvir a canção original, de 1956, na voz do poeta e músico Jacaques Brel (1929-1978), clicar aqui (letra e música).

Madalena, 24 de Dezembro de 2008 /Alfragide, 14 de Fevereiro de 2009