01 março 2017

Efemérides: sábado, 1 de março de 1947...Nasceu no Porto, às 16h, um menino a quem puseram o nome de Augusto into Soares... Mas a notícia não consta na 1ª página do vespertino "Diário de Lisboa"...


ª página do vespertino "Diário de Lisboa", de 1 de março de 1947...Um dia tranquilo para se nascer, sábado, às 4 da tarde...no Porto!... Era menino, e puseram-lhe o nome de Augusto Pinto Soares...

Havia uma erupção no Etna, mas era longe... Havia uma guerra civil, na Grécia, mas era longe.,, E um dos navios da armada britânica fazia uma visita de cortesia ao Porto de Leixões...

(Fonte:  Fundação Mário Saores > Casa Comum > Arquivos > Diário de Lisboa / Ruella Ramos) (com a devida vénia...)

"A melhor prenda que tu me podes dar!... Ao Gusto, no dia em que faz 70 anos




Gusto:

O que é que um homem há-de dizer a um amigo que faz 70 anos ?

Primeiro, felicitá-lo por ter chegado até aqui, ao km 70. E depois desejar-lhe boa continuação da viagem.

Chegar ao km 70 já é obra, para nós, para pessoas da nossa geração. Quando nascemos, em 1947, a esperança média de vida era bem menor.

Como hoje te disse de manhã, "não estamos velhos, os nossos filhos é que cresceram" e também eles se fizeram à estrada...

Quanto a nós, comprámos um bilhete até aos 100. Vamos lá a ver como decorre o resto da viagem, ao lado daquelas e daqueles que muito amamos. Por mim, já sabes… considero-te o irmão que nunca tive, com a vantagem de não termos os laços de sangue, mas apenas o do parentesco social… Espero poder continuar a estar na lista dos teus amigos favoritos…

Como eu gosto de dizer, em linguagem da tropa (e da guerra que tu felizmente não fizeste), boa continuação, para ti, para a tua Nitas, para os teus filhos, que nossos filhos são, para a tua neta, para as companheiras dos teus filhos e para os demais presentes na tua festa dos 70 anos (o Zé, a Berta, filhos, genro, nora,  netos…)… uma boa continuação da viagem pela “picada da vida fora”…

Saberás proteger-te e protegê-los, àqueles que amas,  das “minas e armadilhas” que nos vão pondo pelo caminho… Não só os nossos inimigos mas também alguns amigos da onça… Como diz o provérbio português, que “Deus me proteja dos meus inimigos, que dos meus amigos cuido eu”.

Estes votos são naturalmente meus e do resto da minha família, a Alice, a Joana e o João… Para estes dois, tens sido também mais do que o tio Gusto…


E agora deixa-me que dizer-te um soneto, ligeiramente brejeiro, à moda do Bocage, que fiz na viagem de comboio, de Lisboa até aqui, esta tarde… e que é uma pequena homenagem ao homem dos sete ofícios, e sobretudo ao esposo, ao pai, ao tio, ao cunhado, ao mano,  ao amigo, por quem todos nós, na família, temos o maior apreço, estima e amor.


A MELHOR PRENDA QUE TU ME PODES DAR…

Para o Gusto, no dia em que faz 70 anos…



Já o senhor doutor engravatado
Não sou!... Olha-me, Nitas, só p’ra esta mão,
Com calos que não são de cirurgião,
Mas de um podador bem calejado.

Depois de tantos anos de lavoura,
E de ver os meus sócios pobretanas,
Confesso que às vezes tenho ganas
De, às urtigas, mandar a tesoura.

E logo hoje que faço setenta,
E não me levam a fora jantar!
Pois não me desfaço da ferramenta!...

Nitas, a melhor prenda que me podes dar,
É mandar certificar, aos oitenta,
Que, por ti, continuo a bem podar!...


Luís Graça, 1/3/2017

22 janeiro 2017

Recordando: foi há 11 anos em Florença, no Erasmus... O João fazia 22 anos... E teve 60 amigos em casa...



Excerto do blogue Arriverdeci Portogallo, de JonnyGrace, Florença, Toscânia, Italy > 




Fotorreportagem da minha festa de aniversário

27 gennaio 2006



Aconteceu no dia 21.
Foram as contracções uterinas da minha mãe 
que me puseram cá para fora. 
E aqui estou eu, 
22 anos depois, 
a festejar as ditas, 
num pais que nao é o meu, 
mas que pedi emprestado durante um ano. 

A festejar, longe da familia, namorada e amigos, 
mas perto de outras amizades 
que por aqui fui fazendo. 
Sem incidentes e regurgitações, 
a festa correu muito bem. 
Apareceram 60 pessoas, 
divididas pela sala, cozinha, corredores 
e um belo terraço com vista para a Basílica de San Lorenzo. 
Quase todos os meus amigos vieram. 
E isso deixou-me obviamente feliz.

Na verdade, os preparativos começaram tardíssimo. 
Às 18h00 fui com o Gui ao PennyMarket comprar bebidas e aperitivos. 
Uma hora depois entravamos no local da festa, 
com tudo por preparar. 
Faltava colocar as velas na escadas e terraço, 
montar o sistema de som,
preparar a sangria e as tostas com o fiambre, 
mudar a posição dos sofas 
e fazer o jantar para um círculo mais pequeno de amigos, 
entre os quais estava o Daniel e a Mané, 
vindos directamente de Bolonha. 

Às 21h30, como combinado, 
começaram a chegar as primeiras pessoas. 
Até às 7h00 da manhã houve risos, 
barulho, 
música, 
violino, 
guitarra, 
presentes, 
gente feliz 
e telefonemas carinhosos.


Grazie a tutti.

Senhor doutor, diga trinta e três!... Parabéns ao nosso João!...


1ª página do Diário de Lisboa, sábado, 21 de janeiro de 1984 (Cortesia de Fundação Mário Soares > Casa Comum > Arquivos > Diário de Lisboa / Ruella Ramos)




Senhor doutor, diga trinta e três,
E multiplique por três, são noventa 
E nove, mais um, cem. Em português, 
Se diz: “Quem muito ama, muito aguenta”. 

E se quem muito ama, muito aguenta, 
É porque é do signo do Aquário, 
E teve, do mundo, a melhor placenta: 
Parabéns, e até ao teu centenário! 

Alfragide, 21/1/2017, 

os teus progenitores


Querido João: nasceste num dia, igual a muitos outros de janeiro de 1984. Mas estavas com pressa de nascer. Foste para a maternidade aos solavancos, por volta das 10h da noite, a ouvir na rádio um poema do Ary dos Santos, acabado de falecer, no dia 18... 

A letra de "Os putos" ficará célebre, no fado do Carlos do Carmo (disponível aqui, com a devida vénia):


Os putos

Uma bola de pano, num charco,
Um sorriso traquina, um chuto,
Na ladeira a correr, um arco 
O céu no olhar, dum puto. 

Uma fisga que atira a esperança,
Um pardal de calções, astuto 
E a força de ser criança 
Contra a força dum chui, que é bruto. 

Parecem bandos de pardais à solta,
Os putos, os putos,
São como índios, capitães da malta,
Os putos, os putos,
Mas quando a tarde cai,
Vai-se a revolta,
Sentam-se ao colo do pai,
É a ternura que volta,
E ouvem-no a falar do homem novo,
São os putos deste povo,
A aprenderem a ser homens. 

As caricas brilhando na mão,
A vontade que salta ao eixo,
Um puto que diz que não, 
Se a porrada vier não deixo 

Um berlinde abafado na escola,
Um pião na algibeira sem cor,
Um puto que pede esmola,
Porque a fome lhe abafa a dor. 

José Carlos Ary dos Santos


Tens, por outro lado, os "Diários de Lisboa", do mês de janeiro de 1984, dos dias 1 a 31... Pode-te ser últil este "lnk" (, do portal Casa Comum / Findação Mário Saores), se um dia quiseres escrever a tua autobiografia... A discussão do aborto estava então ao rubro, no país que te coube em sorte... Nessa altura, estávamos já em negociações com a então CEE... O "mon ami Mitterand" deu uma ajuda...

Que bom teres nascido!... Temos muito orgulho em ti!...Sê feliz! 

Teus pais, Luís e Alice, e tua mana Joana

15 janeiro 2017

Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida



Setenta rosas para setenta anos... A oferta dos manos... O cartão diz: "Parabéns!" e traz uns versinhos onde se lê: "Querida Nitas, por mor dos teus setenta anos, / Aceita este ramalhete com setenta rosas, / Que outras tantas vidas venturosas / Te desejamos, os teis qu'ridos manos". data e local: 15 de janeiro de 2017, Porto, Hotel Ipanema Park. Assinado: Zé + Teresa, Rosa + Quim,  Tó + Graça,  Alice + Luís, Manel + Mi.




A aniversariante (Nitas),. os manos (Tó e Zé) e as manas (Alice e Rosa) na festa de aniversário, Porto, Hotel Ipanema Park, 15/1/2017

Fotos: Luís Graça (2017)


Nitas: a minha autobiografia ao km 70 da autoestrada da vida


por Luís Graça

1
Sou a mais novinha de três irmãs,
Rosa, Alice e eu, Ana… Belos frutos
Dos senhores de Candoz que, astutos,
Nos tratavam como  belas… romãs.

2
Tive uma infância alegre e feliz
E até dizem que fui muito mimada,
Eu, das coisas más, não me lembro nada,
Aceitei o destino como Deus o quis.

3
Sortuda, tenho mais três manos, rapazes,
Tó, Manel e Zé: nunca me deixaram mal,
Têm orgulho da terra natal,
São bons pais e avós, homens capazes.
  

4
No Porto estudei  para mais aprender,
E aos meus pais e manos estou obrigada,
Pelo Instituto fui diplomada,
E senhora engenheira passei a ser.

5
E as belas tranças que cortei, um dia ?
Não mais era rapariga de aldeia.
—Pst!, pst! — diz o Gusto — E aí a chamei,
E tirei-lhe uma foto, que alegria!

6
Então, a seta o Cupido lançou,
Certeira, ao meu pobre coração,
Foi numa tarde de fim de verão,
Que o amor da minha vida começou.


7
Mas sete anos o meu sogro servi,
Na mira de contigo, amor, casar
Diz o Gusto: — Fazíamos belo par,
E só passei a ter olhos p’ra ti!

8
Foi de arromba e de amor o meu casório,
Felicíssimos os meus pais, Zé e Maria,
Mais do que química, foi alquimia,
Com o meu Gusto montei um… laboratório!

9
O coração das mães é como o mar,
Tão grande que apaga sulcos e trilhos,
Sempre de abraços abertos pr’ os filhos,
E pr’as queridas noras que lhes calhar.


10
Pois, dou graças a todos e a Deus,
P’ las mercês do amor e da amizade,
Quero chegar a proveta idade
Para ainda ver crescer os netos meus.

11
Meu cabelo branco não tem mistério,
Gosto de assumir o que é natural,
Pintá-lo, sim, é artificial,
E para quê ? Não há cores no… cemitério!

12
Não me vejo nem me sinto reformada,
Tenho o coro, a casa da Madalena,
E Candoz, a lida não é pequena,
Tomara gente estar tão bem empregada!


13
Não é tarde p´ra cavaquinho tocar,
Cantar ou outro instrumento aprender,
A música alegra o nosso viver,
Que eu sozinha que é não quero estar.

14
E sou também uma avó babadíssima,
Tudo por causa da minha Carolina,
Eu a pensar ser minha triste sina
Ter qu’ viver uma velhice… chatíssima.

15
Espero, meus amigos, que desta festa
Tenham gostado… Por mim, adorei,
No centenário…,  vos convidarei,
De novo, pois não há amiga... como esta!


16
A vós todos, o meu muito obrigada,
Saio do hotel como uma princesa,
Tive muito amor, muitos mimos à mesa,
Sou uma menina… privilegiada!

Porto, Hotel Ipanema Park,

15 de janeiro de 2017

02 janeiro 2017

As janeiras da Madalena: Vivó 2017



Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > 27 de dezembro de 2016 > O sobreiro grande... Em terra roubada à floresta de castanheiro, a 300 metros acima do nível do mar, o sobreiro adapta-se bem; cresce em altura, mas não dá cortiça de jeito... Este tem 50 anos, ainda me lembro dele, pequeno mas com vontade de vingar, aproveitando as condições de clima favoráveis à vida vegetativa (calor e humidade no verão. temperatura não muito baixa no inverno)... Há alguma analogia com a  mensagem de boas festas que recebi de um amigo meu e ex-camaradas de armas: não basta estarmos vivos e ativos, é preciso sermos...proativos! (Ativo= Que exerce ação, oposto de passivo; proativo=Que não se baseia na reacção a algo, mas toma iniciativa de acção.)



Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > 27 de dezembro de 2016 > As bolotas dos carvalhos


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2016). Todos os direitos reservados.  


Janeiras da Madalena:
Vivó 2017

O dois mil e dezasseis
Já lá vai e deixa saudade,
Depois da festa dos Reis,
Ficamos mais velhos de idade.

Ficamos mais velhos de idade,
Todos  aqueles que aqui estão,
Uns com mais ruindade,
Outros jurando que não.

Outros jurando que não,
Tão frescos que nem um pêro,
Mente sã em corpo são,
Cuidando de si com esmero.
  
Cuidando de si com esmero,
E nós cultivando a  esp’rança,
Por mim, este ano só espero
Que não nos falta a confiança.

Que não nos falta a confiança,
E nos aguentemos nas canetas,
Vivendo com temperança,
Sem ter que andar de muletas.

Sem ter que andar de muletas,
E sermos uns coitadinhos,
Mas pior é ir de carretas
Lá pró mundo dos anjinhos.
  
Lá pró mundo dos anjinhos,
Quanto mais tarde melhor,
Tratem bem desses corpinhos,
Que eu a todos desejo amor.

Que eu a todos desejo amor
(e paz nesta terra querida),
Traz mais cor e melhor sabor
A uma vida bem vivida.

A uma vida bem vivida,
Neste ano que chega agora,
Dêmos  à má sorte uma corrida,
A tristeza mandemos embora.

A tristeza mandemos embora,
Que a vida é que vale a pena,
Aqui é que ela não mora,
Nesta casa da Madalena.

Nesta casa da Madalena.
Há o melhor “réveillon”,
Tia Nitas, mulher pequena,
Toca tudo, menos “acordéon”.

Toca tudo, menos “acordéon”,
Do cavaquinho à panela,
Sabe receber, é um dom,
Que, dizem, nasceu com ela.

Que, dizem, nasceu com ela,
É o marido que nos garante,
Enquanto por todos nós zela
E nos serve o espumante.

E nos serve o espumante,
Formam os dois um belo par,
Obrigado a este restaurante
Por este rico jantar.

Por este rico jantar,
Fica desde já prometido,
Pró ano nós cá voltar,
Fica escrito e fica dito.

Madalena,  V. N. Gaia,
31 de dezembro de 2016 / 
1 de janeiro e 2017


Luís Graça

01 janeiro 2017

As janeiras da Madalena, com viagem no tempo 2006-2016







Vila Nova de Gaia > Madalena >  24 de dezembro de 2016 > Algumas das coisas boas do Natal português nortenho... Os arranjos de azevinho (de Candoz), as rabanadas, os bolinhos de chila, o arroz doce (prós "mouros", que a aletria é que é prós "morcões"...), a lareira, e sobretudo o calor humano, a amizade, a arte de bem receber... coisas que não têm preço e nem se vendem nas grandes superfícies!

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2016). Todos os direitos reservados



As janeiras da Madalena,
com viagem no tempo 2006-2016


Aos donos da casa, Gusto e Nitas


É  tradição natalícia
Aqui as janeiras cantar,
E,  se um dia isso acabar,
Meus meninos, chamem a polícia!

No novo ano que aí vem
Há mais três septuagenários,
Não faz mal, e ainda bem,
Colecionamos aniversários.

Luís, Ana e Augusto,
Cada um de seu signo astral,
Um jubila-se, mas a custo,
E não gosta do Pai Natal.

P’ra Ti Nitas, a melhor prenda  
É o seu homem, que não tem preço,
Visto de frente ou de avesso,
Comprava-o, se d’novo à venda.

Sou  festiva e gaiteira,
Tenho horóscopo benigno,
 Sou mulher trabalhadeira,
Capricórnio é meu signo.

Esfalfei-me a trabalhar
Para vos dar a consoada,
C’o licença, vou-me sentar,
Que estou dorida e cansada.
  

…2007

Nesta noite de magia,
Reinas como uma rainha
Por isso não estás sozinha,
Querida Nitas, nossa tia.


2016

Ninguém sabe o segredo
P’ra um tão rápido crescer,
Se inda agora os vimos nascer,
À Nonô e  ao João Pedro.

Têm varinha de condão
Mamã Sandra e papá Rui,
Dá-se corda ao coração,
E o tempo com amor flui.

…2006

Nada há mais belo no mundo,
Que as nossas criancinhas,
Seus sorrisos calam fundo,
São as nossas melhores prendinhas.

Filhos do Rui e da Sandra,
O João Pedro e a Leonor,
Sendo esta a mais malandra,
Mas também com mais humor.
  

2016

E senhorinha Maria,
Qualquer dia, com namorado ?
Só poderá ser, mamã Sofia,
Um princípe encantado.

E para grande surpresa
Do Miguel, que fica acordado,
Sai à noite a princesa
Num coche todo dourado.

….2006

Já lá vai o dois mil e seis
Que não nos deixa saudade,
Com os dedos sem anéis,
Salvou-se a maternidade.

Nasceu a bela Maria,
Um prenda para todos nós,
Alegria dos avós,
Do Miguel e da Sofia.

A ajudante de cozinha
É a nossa q’rida Berta,
É uma babada avozinha,
Com mais uma linda neta.


2016

Hoje falta ao nosso Natal
O Joãozinho de Lisboa
Trocou-nos lá p’lo Funchal
Onde diz que tem coisa boa.

O seu nome é Catarina
Pró João é um florentina,
Tem a elegância da estrelícia
E a calma natalícia.

Quem não falta é o nosso vidente,
 Com a sua mais que tudo,
Tiago, ês o corpo  gente,
Estás feliz e és um sortudo.

E pra veres mais e melhor
Tens a tua neurologista,
A Sofia, que é um amor,
Só é pena ser benfiquista.
  

… 2006

Já receitam aspirina,
Só não partem corações,
Estão a acabar medicina
Os nossos dois valentões.

Os doutores que à mesa ‘stão,
São dois tipos do carago,
De Lisboa, o João,
E o do Porto, o Tiago.

… 2007

Adeus Sicília, Palermo,
Onde deixei os meus amores,
O Porto agora é um ermo,
Vou p’ra Madeira ou Açores.
  

… 2012

Bons augúrios de Natal
Diz a bola de cristal
 Que haverá moura pela costa, 
Vamos a ver se o Tiago gosta.

2016

O pai queria-o a comandar,
A nossa marinha de guerra,
Afinal ficou em terra,
Mas p’lo fisco a zelar.

E c’o Filipe fazem tandem
P’la estrada da vida fora,
A Suzana, bela mãe,
E a Carol, que já não chora.

O Gaudi, esse, é o rei,
É um Labrador refinado,  
Só que em nome da lei,
É da Maria apartado.


…2007

Em azul que é a melhor cor,
Nesta bola de cristal,
Vejo o Filipe inspetor
Da Segurança Social.


... 2012

Quem está de parabéns,
É o nosso inspetor,
Que dantes não gostava de cães
E agora tem Labrador!

2016

Dos convidados é o primeiro,
Mas às vezes fica amuado,
O nosso vizinho do lado,
De seu nome Pedro Carneiro.

São menos quatro à mesa,
Ele e o resto da família,
O Diogo, a Tata, a Patrícia,
Temos pena, e não é p’la despesa.

2016

De estórias é contadora,
E traz a todos alegria,
Na Madalena é senhora,
Tem os miminhos do tio e tia.

…2007

É como o cão  e o gato,
A Joana e  sua mãe,
Hoje fizeram um pacto,
Paz, amor, tudo bem!

… 2012

A Joana veio ao norte,
Solteirinha, por casar,
Com mais um pouco de sorte,
Voltará de novo a amar. 


 … 2012

A Alice caiu num cato
E ficou que nem porco-espinho,
O Ti Gusto  com o seu tato
Tirou-o vaso do caminho,


2016

Este ano não se fez rogada
Cabelo branco é ternura,
Para quê pôr-se pintada
 Se é tudo contra-natura ?!

 Para quem quer ser avó,
E tem medo de ficar só,
O branco muito bem condiz,
Bem lhe assevera o Luís.


… 2006

Do nosso amigo José,
Pai da Sandra e do Miguel,
Dizem os netos que é
Um torrãozinho de mel.

2016

Ó Zé, tu, nosso decano,
Que a idade é sempre um posto,
Convidado ficas pró ano,
E eu também virei com gosto.

Está na hora de me ir embora
E p’ras janeiras acabar,
Resta-me apenas saudar
Os da casa e os de fora.

Há Natais de todo o cariz,
E tem sempre consumição,
Nesta casa a gente diz
Que faz bem ao coração.


Madalena, 24/25  de dezembro de 2016


27 março 2016

Páscoa 2016

É raro eu falhar, na Páscoa (e no Natal), a ida ao norte. Este ano, por um conjunto de circunstâncias, não me é possível lá estar. Mas não quis deixar de, à distância, me associar ao espírito festivo da Páscoa nas minhas 'tabancas' do norte... Acabei de fazer, de improviso, umas quadras que mandei, agora mesmo, quando a festa já está no ar... Sei que vou ter cartão amarelo por falta de comparência... mas espero que o árbitro releve a minha falta.

Qualquer que seja o significado que a Páscoa possa ter para cada um de nós, há nela uma mensagem de sentido universal e intemporal: a travessia da 'picada' []estrada ruim, trilho]  da vida, com todos os seus riscos, medos, minas e armadilhas, é bem mais fácil, se for feita em conjunto, de maneira solidária, partilhada... Mesmo sabendo todos nós, que o nascer e o morrer são os atos mais intrinsecamente solitários da vida humana...


Para as famílias Soares e Carneiro,
seus convidados
e compasso pascal da Madalena...

Para todos os homens e mulheres de boa vontade...



Olha o compasso pascal,
Visitando a freguesia,
Nesta casa, é bom sinal,
Traz-nos a fé e a alegria.

Traz-nos a fé e a alegria,
Que todos bem precisamos,
É a Santa Páscoa o dia
Em que as forças renovamos.

Em que as forças renovamos,
Como seres humanos e cristãos,
Boas festas desejamos,
Pais, filhos, amigos, irmãos.

Pais, filhos, amigos, irmãos,
Vizinhos da Madalena,
Mais os de longe que aqui estão,
E quem não veio vai ter pena.

E quem não veio vai ter pena,
De neste ano faltar,
Mas fez esta cantilena,
Para com vós partilhar.

Para com vós partilhar
As coisas boas do Norte,
E a amizade reforçar
Com um abraço bem forte.


Lisboa, domingo de Páscoa,
27 de março de 2016, 10h30

Luís Graça