24 março 2025
Nita, dois anos de saudade sofrida
21 janeiro 2025
Ao João Graça, que hoje faz anos e não precisa que a gente lhe diga que o ama muito
Contra o ponto (.) a vírgula (,)
Contra o ponto de exclamação (!) as reticências (…)
CONTRA OS TíTULOS DE CAIXA ALTA,
o ponto de interrogação (?).
Ou então abram alas, malta,
parênteses, curvos ( ) ou rectos [ ],
e parem só aos sinais de proibição.
... Por precaução.
E ao Não!, digam Não!, ponto de exclamação (!).
E aqui carreguem nos sinais de interjeição:
Ai! ei! ii! oi! ui!...
... Que, com a vida sem pica, a gente fica
sem palavras nem (lo)comoção!
Ao sinal verde, toca a arrancar e a marchar
contra os OOO da arrogância,
os UUU da flatulência,
os III da intolerância,
os EEE da estupidez,
os AAA da bravata e os RRR do arroto,
mais os ÇÇÇ do caraças da doença,
e, pior, os acen(t)os da demência.
Cuidado, ao final das escadas,
â direita,
o cano de esgoto,
não escorregar em contramão.
... Não há receita contra as gralhas e as calinadas,
e os atropelos à decência.
War is over, baby,
bela bajuda de mama firme,
tira fora o chapéu de abas largas
e atira flores aos que morreram,
em terra, no ar e no mar,
pelas causas que não têm deferimento.
... Não os deixes inumar
na vala comum do esquecimento!
Cuidado, camarada,músico do mundo,
trânsfuga, refractário, desertor,
prisioneiro, inimigo, comissário,
capelão, comandante, detrator,
miliciano, agente duplo, lavadeira,
escriturário, artilheiro, piloto,
grumete, xico, cadete, capitão,
crente ou ateu, tanto faz,
e olha o robô,
que, no fim da picada, podes ser cuspido, zás!,
pela força centrífuga do silvo da cobra cuspideira
que se mordeu a si própria.
... Mas, a sério, ninguém se magoou ?
Quanto ao macaréu, já não é o que era,
garantiram-te no Xime...
Deixaram assorear o Geba Estreito,
que crime!,
os administradores das águas fluviais
braços de mar, tarrafes e canais de irrigação
da liberdade criativa.
... Dizer que o trabalho é bom p'ró preto
já não é politicamente correcto. Corta.
Mas que importa,
se já nem vocês se afoitam, pessoal,
de peito feito, aberto,
contra os jagudis imperiais do Corubal
que comeram as últimas letras do alfabeto.
... Morreram todos, os cabras-machos!
Para que serve afinal a liberdade sem a poesia nem a "bianda" ?
Há que pôr os pontos nos ii,
no semáforo intermitente,
engraxar as botas,
brunir os colarinhos,
escovar o camuflado,
serrar fileiras e os dentes,
pensar na puta da vida,
e no povo, agora, murcho, calado e tolo,
e abrir aspas entre as falas em crioulo.
... Enquanto o corpo está quente e o sangue sai às golfadas.
Até o barqueiro, coitado, perdeu o k da kanoa,
varada no tarrafo do Mato Cao.
Sem o til.
... Levaram-no, ao pobre do til, para o canil de Lisboa.
Há agora um fantasma de um quarteleiro
à procura das estrias, frias, do morteiro...
Triste samurai, aquele, que não encontra o fio nu da espada,
E em vão procura o historiador o rumo da história.
... E, ai! do pobre (a)tirador,
aquele que se mata a (a)tirar
o acento circunflexo da bala na câmara.
Encontraste um 'djubi', numa escola do mato,
exercitando o seu estilo caligráfico,
em caderno de duas linhas,
de acordo com a norma do acordo pouco ortográfico.
... Oxalá, Insh'Allah, Enxalé!
Resta o humorista, o velhaco,
que é sempre o último a perder
os quatros humores,
já no fundo da pista onde acabam todas as peugadas:
sangue, pouco e fraco, diz o o doutor,
fleuma, de mal a piores,
bílis amarela, quanto baste,
e bílis negra, às carradas.
... Que o último a morrer,
nem sempre é o que morre melhor.
Que o que faz bem ao braço, faz mal ao baço
e já não há coração que aguente
a pressão hiperbárica do pulmão.
O fígado, esse, mesmo de aço e de inox,
é um passador crivado....
Não sabes o que é que faz mais urticária,
ao tabanqueiro viril, que não arreda pé,
se a inveja do pobre em hidratos de carbono
ou a pesporrência do rico em sais minerais.
Resta a cruz de guerra
da guerra de mil e troca o passo, na Guiné,
e os seus heróis.
... Todos diferentes, todos iguais.
Quanto à vida, baby,
no fundo, é tudo tretas:
sangue, suor e lágrimas...
é quando se tem 20 anos,
força nas canetas,
e muito esperma para dar e vencer.
Agora já se não usam palavras com trema.
... Nem tu sabes o que fazer com este poema.
De qualquer modo,
quando a gente morrer,
que não seja por falta de imaginação,
ou de habit(u)ação,
ou de fim do prazo de validade,
que seja ao menos numa cama fofa,
de consoantes e vogais.
Sem travessão. E com piedade.
dispensemos a notícia nos jornais.
© 2008 | Revisto em 21/1/2025
15 janeiro 2025
Nita, faz hoje 78 anos que nascias na Quinta de Candoz...Obrigado pelo privilégio de te termos conhecido e amado
Querida Nita,
como é que poderíamos esquecer o dia em que tu "partiste",
24 de março de 2023 ?
E hoje, o dia em que farias 78 anos,
e iríamos estar todos à mesa à tua volta,
celebrando o milagre da vida e da medicina ?
Ah!, lutaste brava e arduamente contra a doença e a morte,
e, apesar de tanto sofriment0,
como tu gostavas da vida e dos teus "mais-que-tudo"!...
Não te poderíamos esquecer,
mesmo que muitos nos digam que o tempo tudo apaga:
temos as nossas casas cobertas com as tuas fotos,
porque, mesmo depois de morta,
o teu sorriso doce será sempre uma terna e eterna
recordação de ti,
e ajuda-nos a suportar um pouco melhor a tua perda...
Como nesta foto de 18 de setembro de 2020,
já estavas doente mas eras a mais feliz de todos nós,
nas vindimas, em Candoz...
Os teus filhos, Tiago e Felipe,
o teu homem, o teu Gustito,
toda a família, toda a Quinta de Candoz,
todos nós,
estamos espiritualmente ligados contigo,
não importa onde estejas,
no céu da tua fé
ou na galáxia mais distante da nossa infinita tristeza,
neste dia em que tu gostavas tanto
de receber flores, poesia, beijinhos e chicorações,
para partilhar esta efeméride,
este momento efémero,
com muita saudade,
mas com também com muito orgullho
por tudo o que nos deste,
por tudo o que foste para nós,
pelo exemplo e pela inspiração
que continuas a ser para nós!
Nascias há 78 anos, na Quinta de Candoz!...
Bebamos hoje do teu/nosso vinho "Nita",
ao privilégio de te termos conhecido,
e de termos partilhado contigo
as pequenas grandes coisas que, afinal, contam na vida,
e neste mundo,
o amor, a amizade, a beleza, a saúde, a paz, a liberdade.
Os teus mais-que-tudo...
Quinta de Candoz, 15 de janeiro de 2025
23 dezembro 2024
Querida Nita, deixámos um lugar posto à mesa para ti, neste Natal de 2024
Querida Nita:
Deixámos um lugar posto à mesa para ti
Neste nosso jantar de Natal de 2024.
Antecipado.
Estamos cá todos, só faltas tu.
Ou somos nós que te faltamos.
Já se passou um ano e nove meses
que nos separámos.
A dor ficou, a saudade vai crescendo com o tempo.
Mas não quisemos que o teu Gustito
e os teus filhos se sentissem sós.
Por isso viemos, eu, a tua mana Chita,
o Luís e a Joana.
Para, juntos, nos sentirmo-nos mais fortes,
e celebrarmos a tua memória.
Estamos a fazer o teu Natalinho.
Ninguém te pode substituir.
Mas eu esforcei-me para fazer tudo
o que tu gostavas de fazer,
e o teu Gustito fez as honras à casa,
como ele e tu gostavam sempre de fazer...
Estamos a beber do teu vinho
e a comer do teu pão...
Numa verdadeira comunhão natalícia.
Não faltou o bacalhau com todos,
os bolinhos de cornflakes,
a aletria,
o arroz doce,
e as demais guloseimas da tua mesa de Natal.
A mesa está bonita e farta,
como nos bons teus/nossos velhos tempos,
mas faltas cá tu.
Sem ti, nunca mais será o mesmo Natal.
Sem a tua alegria contagiante,
sem o teu coração de ouro,
sem o teu doce socrriso,
sem os teus abraços para todos nós,
teus familiares e amigos,
Mas tentamos fazer o nosso melhor,
Está cá o teu Gustito
o teu Filipe, o teu Tiago,
os teus amores,
as tuas queridas Susana e Sofia,
os teus netos, Carolina e Joquinhas!
(Como ela e ele cresceram,
não os irias reconhecer!)
24 março 2024
24 de março de 2024: Homenagem à nossa Nita (1947-2023) (Chita)
Há um ano que partiste…para a viagem mais solitária, que todos temos de fazer um dia, mais cedo ou mais tarde, a da despedida da Terra da
Alegria…
Tu partiste, maninha… E deixaste cá tudo, o que não precisavas, para essa tua última viagem, incluindo a Quinta de Candoz…
Tu partiste, mas deixaste-nos o espírito de Candoz, que tu sempre viveste e representaste como ninguém, ao longo de quase quatro décadas… Esse espírito continua vivo e a inspirar-nos.
Tu partiste, Nita, mas podes continuar a ter orgulho no teu Gusto, nos teus filhos e noras, nos teus sobrinhos, em todos nós que aqui estamos: enquanto secamos as nossas lágrimas, e suspiramos por ti, prometemos também nunca te esquecer, e manter vivo o teu testemunho, o teu exemplo de vida, o teu amor a este cantinho que é
Candoz.
Tu partiste, mas sempre personificaste o dom, a doçura, o prazer e a alegria de dar e receber.
Tu partiste, minha querida mana, mas todos nós tentámos dar a volta à nossa dor, elegendo-te como a nossa deusa tutelar, protetora e inspiradora.
Tu partiste, mas continuamos a fazer, juntos, coisas lindas como este vinho na tua/nossa Quinta de Candoz…
Foi um sonho lindo, sobretudo do teu filho Tiago. Ele quis, e nós todos quisemos, fixar uma parte de ti, o melhor de ti, a tua “alma”, no rótulo e no conteúdo das garrafas deste nosso vinho, colheita especial de 2023, o ano em que partiste!
Na Quinta de Candoz, tu foste, comigo (e claro o teu homem), a mais entusiástica do projeto de modernização da cultura da vinha, há 40 anos.
Agora, com outras condições tecnológicas e com o apoio de enólogo, temos a primeira colheita e a primeira garrafa com o teu nome, o teu “petit-nom”, Nita.
Para além dos sabores e cheiros que o enólogo tão bem identificou, nós acrescentamos: tem também uma lágrima tua, uma pitada da tua alegria de viver, da tua felicidade na terra, muita da tua essência, do
teu perfume, da tua generosidade, das tuas memórias e referências, que são também as nossas…
Fazer este vinho (e agora prová-lo em neste dia tão especial) deu-nos vida e, acima de tudo, reforçou a nossa vontade de continuar a cuidar do teu legado..
Nita, tu partiste apenas, não “morreste” (nos nossos corações)…
Deixo aqui também um álbum com os versinhos e as orações que te dedicámos, eu e a minha família, e também uma seleção de fotos dos nossos melhores momentos.
Vou também agora brindar, com muita emoção, à tua memória, mas também à nossa vida, aos teus amores e aos teus amigos, incluindo os do ISEP, dos coros e do cavaquinho, que quiseram estar aqui
contigo e connosco.
Um brinde também aos nossos descendentes, filhos e sobrinhos, que admiravelmente estão a manter vivo e a reinventar o espírito de Candoz.
Lá no alto, lá na tua “estrelinha”, querida Nita, continua a proteger-nos, a velar por nós e a inspirar-nos!
Até sempre, minha querida mana e amiga!
24 de março de 2024: Hoje, só me apetece gritar: ainda era cedo, Madrinha, Tia Anita! (Cristina Barbosa)
Há um ano atrás, o dia amanheceu. e logo de imediato, ficou nublado e muito triste!
Em casa de cada um dos teus amores, se suspirava por ti... Não quero falar muito sobre esse dia.
Desde que me conheço gente, nomeie-te de minha segunda mãe, e tu correspondeste a este valor que te atribuí.
Pois foi, ensinaste, ouviste, reprendeste, preocupaste, ajudas-te, sofreste, sorriste, abraçaste (me), o inerente a cada um destes verbos, juntando o nós em cada momento que eu precisei.
Estavas SEMPRE lá!!
Gostei tanto de te ter presente na minha vida, que estendi-te a ti e ao tio Gusto, o convite de padrinhos do meu filho mais velho, o Nuno, ao que prontamente acederam e, por quem nutrem carinho igual ao que têm por mim.
Tenho a cada dia 24, feito uma espécie de “Diário de Bordo”, sobre o que vivi contigo e com os eus... Faz-me bem!... Hoje, vou partilhar algumas de tantas coisas que vivenciamos. Guardarei sempre o nosso último encontro, foi maravilhoso e vou guardar o teu último beijo e o teu último sorriso às sete chaves para que não mo possam tirar.
Agora Candoz...
A primeira vez que lá cheguei após a tua partida, faltavas tu para me receber com o teu bonito orriso acolhedor, a alegria do teu olhar luminoso igualável À tua presença empática, simples, mas enorme como os teus abraços. Bem tentei previamente preparar-me para o momento. Mas a cada janela que abria, vinha a vontade de me assomar a ela e gritar... Tudo me falava (fala) de ti. As flores, a vinha, os tachos, o linho, os odores, o pó...
Após este ano, nada disso mudou. Mudou a nossa dinâmica em família de continuar viva Candoz, em homenagear-te em tudo o que fazemos, colocando um amor igual ao teu.
Hoje, senti a tua falta! No primeiro Domingo de Ramos sem a tua presença física, naquele almoço que gostava de preparar para vós com todo o carinho. Agora recebo um bocadinho de ti através do Tio e dos meus primos. Vou pedir ao Kiko que gosta de Candoz para passar o texto a computador, porque no rascunho são visíveis as marcas das lágrimas que me caem no rosto.
Hoje, só me apetece gritar: Ainda era cedo, Madrinha, Tia Anita!
Cristina Barbosa
A tua afilhada, ANA Cristina 24/03/24
23 março 2024
Quinta de Candoz: a sagração da primavera e o lançamento do nosso vinho, Nita, edição especial 2023
01 março 2024
Parabéns, Gusto,. pelos teus 77
Sete sete, capicua,
Das sete que já viveste,
Uma medalha bem tua,
Que tu bem a mereceste.
Para trás fica a estrada,
Bela mas dura da vida,
E a saudade magoada
Da tua Nita querida.
Boa colheita, os três,
Tu o mais novo de nós,
Portuense, pooirtuguês.
Hás de ser conde ... de Candoz.
Com filhos maravilhosos,
Netos que são um encanto,
Mais amigos amorosos,
Chegarás aos cento.. e tanto,
1 de março de 2024
Do Luís, Alice e do resto da malta de Lisboa
04 fevereiro 2024
As nossas comidinhas: o arroz de sentieiros...
Tabanca de Candoz > 30 de outubro de 2019 > Os "santieiros" e o arrozinho do nosso contentamento...
É um cogumelo comestível [Macrolepiota procera], com chapéu com 10 a 30 centímetros, muito apreciado na região de Entre Douro e Minho... Na região Centro, chamam-lhe "frade"...
Atenção: há o "frade" comestível [Macrolepiota procera] e o falso "frade", venenoso [Macrolepiota venenata]...
Também se comem... (i) fritos com cebola; ou (ii) assados na brasa, só com uma "pedrinha de sal"!... Enfim, sabores da infância, um petisco, de comer e chorar por mais, dizem os tabanqueiros de Candoz.
15 janeiro 2024
Faria hoje 77 anos a nossa Nita|...Recordamo-la com doce saudade
Querida Nita:
És de todos nós quem tem mais referências no blogue A Nossa
Quinta de Candoz, criado em 7 de abril de 1999 para celebrar a inauguração da
nossa casa comum… São cerca de meia centena essas referências…
Foi um dia de grande alegria, esse 7 de abril de 1999, e daí
nasceu o “Álbum da Família Carneiro e História de Quinta de Candoz”, inspirado
num sonho da Chita (“Eu sonhei com rosas brancas / Que vieram do Além; /De
todas as almas santas / Só pode ser nossa mãe”).
Não tinha mais nenhum propósito, o blogue e o álbum, senão o de nos manter unidos, mesmo à
distância, e ajudar-nos, uns aos outros, nos bons e nos maus momentos da vida,
celebrando a amizade e a fraternidade de Candoz.
Revisitando o blogue, vejo que os versos mais antigos que te dedicámos,
foram os dos teus “60 verdes anos”, em 15 de janeiro de 2007… Já lá vão 17,
querida Nita!!!...
Deu-nos uma imensa saudade, ao relermos essa pequena homenagem
que te fizemos, em singelas quadras populares, pondo na tua boca a tua própria
narrativa autobiográfica… Estás lá, inteira e justa, nesse quadro que te
fizemos: em 2007, ainda não estavas à beira de te reformar, faltavam quatro
anos; tinhas brio e consciência do teu valor profissional; eras de um dedicação
extrema ao teu instituto e ao teu laboratório;
não tinhas ainda netos, mas “sabias” que eles haveriam de chegar: enfim,
fazíamos férias juntos, viajávamos juntos, acompanhávamos o crescimento e a formação dos teus filhos (e dos seus primos)…
Foi, de facto, uma época bonita, estávamos vivos e tínhamos
saúde e esperança no futuro. E tu tornaste, com todo o mérito, pela tua
generosidade, dedicação, trabalho e amor à família, a “rainha de Candoz”… Nunca
tiveste trono, mas hoje tens um pequeno altar, um oratório, onde rezamos por ti
e falamos contigo…
Hoje farias 77 anos, uma das capicuas que a crueldade do
destino te roubou… A gente bem queria, Nita, estar aí hoje contigo, beijar-te a
abraçar-te e fazer uma festinha à nossa maneira, na tua casa da Madalena, na
sala onde vivemos tantos momentos bonitos (Natais, Páscoas e outras festas) e que
o teu Gustito já teria aquecido logo de manhã cedo…
Resta-nos a doce saudade da tua presença, sempre luminosa,
feliz, alegre, e a certeza de que a tua memória nos dá forças, a todos nós,
para continuarmos juntos.
Aqui ficam então os
versinhos de há 17 anos:
___________
Para a Nitas,
- a futura avó,
- a mulher prendada,
- a esposa querida,
- a mãe babada,
- a irmã cúmplice,
- a cunhada terna,
- a tia meiga e solícita
... que hoje faz 60 anos!
Que a tua estrada da vida seja longa,
e feliz seja a jornada.
Que vás com Deus! (... e connosco).
Alice, Luís, Joana e João | Alfragide, 15 de Janeiro de 2007
Parabéns a Você !
Do louco século passado,
Sou do tempo da Internet
E do circuito integrado.
Fui à Lua, fui a Marte,
Graças à televisão,
No meu tempo era arte
Seduzir um bonitão.
De família numerosa,
Fui a menina prendada,
Ajudei a mana Rosa,
P’ra poder ser diplomada.
Meu pai, quero ir estudar
Para o Porto, p’ra cidade,
E lá poderei casar
Em chegando a idade.
À família fiz um hino,
Sendo a coisa mais querida,
Não me queixo do destino
Nem das agruras da vida.
Com um sorriso para todos,
Sou uma mulher de trabalho,
Uso sempre de bons modos,
Mesmo quando vos ralho.
É pesada esta carga
Para uma mulher pequenina,
Pode às vezes ser amarga,
P’ra um coração de menina.
Se há na terra um purgatório
É o sítio onde trabalho,
É no meu laboratório
Que provo o quanto valho.
Não me bato ao ‘Excelente’
Por vaidade ou presunção,
Que a minha obra não mente
Na hora da avaliação.
E lá por fazer sessenta,
Não pensem que arrumo a bata,
O coração ainda aguenta
E de vocês não estou farta.
Saúde para o meu Gusto,
Pr’os meus filhos, alegria,
É o voto ardente e justo
Que faço neste meu dia.
Eles são a melhor prenda
Que a vida me podia dar,
Dou-me a Deus em oferenda,
Vou com Deus continuar.
E p’ro resto do caminho
Virão netos, com certeza,
Alegrar o meu cantinho,
Enchê-lo de mais riqueza.
https://anossaquintadecandoz.blogspot.com/2007/01/para-nitas-futura-av-mulher-prendada.html
23 dezembro 2023
No Natal de 2023: lembrando com (e)terna saudade aquela que, durante 40 anos, foi a rainha de Candoz (e da Madalena)
Não imaginas a surpresa que te fizemos hoje!...
Amanhã não haverá ceia de Natal na Madalena,
Mas hoje estamos aqui reunidos em Candoz
Para te lembrar, e lembrar aos mais novos,
Que tu aqui foste a Rainha,
E que continuas a ser a Rainha,
Mesmo quando te queixavas
Que vinhas sozinha, com o teu Gusto,
Trabalhar que nem uma moira,
E mesmo já doente,
…Mas sempre com o teu sorriso lindo no rosto sofrido.
Nitas, ainda não chorámos todas as lágrimas,
Nem nunca choraremos todas as lágrimas por ti,
E já se passaram nove meses
Desde que em 24 de março nos deixaste,
Desamparados, órfãos, devastados, inconformados…
Que queremos manter viva.
Por isso estamos aqui, hoje, dia 23 de dezembro,
Em dia de trabalho, em Candoz,
Mas também para celebrar o nosso Natal
Em comunhão espiritual contigo.
É também a nossa maneira de continuar a fazer
Que tu mais adoravas, mais do que a Páscoa!
Querias ter todo o mundo em Candoz e na Madalena,
A começar pelo teu Gustito,
Os teus filhos Filipe e Tiago,
As tuas noras, os Susana e Sofia,
Os teus netos, a Carolina e o João…
A Alice e o Luís vinham de Lisboa,
O Zé Soares e a Berta moravam ao teu lado,
E os teus manos, Tó, Rosa, Manel e Zé,
Também não estavam longe,
Estávamos todos vivos, e de razoável saúde,
E visitávamo-nos alegremente uns aos outros.
O Zé trazia as pencas, na véspera,
A Alice encarregava-se do lume,
E dos panelões onde, na garagem,
Se coziam, carinhosamente,
As batatas, as pencas, o bacalhau lascudo.
Tu punhas o teu maior esmero, capricho e arte
Na feitura dos doces,
E nos arranjos da sala e das mesas…,
E nas boas-vindas aos convivas…
Nunca faltavam os bolinhos de “corn-flakes”
A aletria quentinha, o arroz doce, o leite creme,
E as rabanadas, que eram tarefa da Berta…
Este ano faltas tu, pela primeira vez,
E falta também o Zé Soares,
Nas nossas vidas, no nosso Natal.
Este ano não há mais freima de Natal para ti!
Mas fizemos questão, todos aqueles e aquelas
Que te amaram e continuam a amar,
De nos sentarmo-nos à grande mesa mesa em L,
À hora do almoço, depois do trabalho da poda,
Para te dizer que o espírito de Candoz,
Que tu sempre viveste e representaste como ninguém,
Ao longo de quase quatro décadas,
Continua vivo e a inspirar a geração seguinte
Dos nossos filhos e sobrinhos.
Nita, podes continuar a ter orgulho
No teu Gusto, nos teus filhos, nos teus sobrinhos,
Em todos nós que aqui estamos:
E manter vivo o teu testemunho, o teu exemplo de vida,
Tu sempre personificaste o dom,
A doçura, o prazer e a alegria de dar e receber.
Temos uma bela surpresa para ti
Quinta de Candoz, 23 de dezembro de 2023,
Os presentes:
Gusto, Filipe, Tiago,Suzana,Sofia,Carolina e João;
Alice e Luís;
Zé, Pedro, Adriano;
Zezinha, Eduardo, João, Mara, Catarina, Marcelo e Manel;
Cristina,Miguel,Francisco;
Miguel, Daniela, Clara.